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Administração Pública

Nova metodologia ameniza
o desempenho de Paulinho

DANIEL LIMA - 09/05/2017

O prefeito de Santo André sabe que a pesquisa do Instituto Paraná não lhe é confortável. Os resultados baixaram a bola de Paulinho Serra. Nada melhor e natural. O tucano andava a exibir excesso típico da juventude misturada com o deslumbramento que as urnas lhe conferiram em outubro do ano passado. 

Pela metodologia que apliquei ontem, Paulinho Serra é o último colocado entre cinco prefeitos da região no quesito de aprovação nesta temporada, quando comparado aos resultados das urnas. Agora uso outra metodologia. Paulinho só supera Lauro Michels, prefeito de Diadema, que acumula o desgaste do primeiro mandato. 

O nível de aprovação de Paulinho Serra é bastante elevado, ainda, mas deverá murchar, e é natural que murche. Dificilmente Santo André deixará de esticar a ausência de uma oposição minimamente representativa. É pouco provável que o PT se habilite no curto prazo como oponente de grande massa popular, mas a lua de mel de Paulinho Serra deverá correr sérios riscos na medida em que secretários com apetite pantagruélico às próximas urnas eleitorais decidirem romper  laços fraternos, embora não tanto, de agora. 

Paulinho Serra precisa entender a decifrar sinais de advertência. Esperar que os mais próximos o auxiliem é esquecer que conveniências são o caminho mais curto à bajulação. O que dizem de sua administração pelas costas deveria ser objeto de cuidados especiais. O multipartidarismo que assegurou a vitória e vem garantindo a gestão é uma colcha de retalhos sujeita a chuvas de idiossincrasias e tempestades de sabotagem. 

Ganho reduzido 

Mas, indo diretamente ao ponto central deste artigo, vou explicar as razões que tornam Paulinho Serra nos primeiros meses de mandato apenas melhor que Lauro Michels. Desta feita, ao invés de pegar como matrizes do estudo os resultados dos votos válidos das eleições de outubro e os resultados da pesquisa do Instituto Paraná em termos de aprovação e reprovação, pego os percentuais dos votos obtidos em outubro, sem descontar brancos, nulos e abstenções, além dos votos aos respectivos adversários, e os comparo com os resultados do Instituto Paraná. 

Pois bem: como obteve 48,55% dos votos gerais de Santo André em 2016, e agora obteve 61,20% de aprovação dos eleitores, Paulinho Serra acumula avanço de 12,65 pontos percentuais. Um pouco superior, portanto, aos 9,48 pontos percentuais obtidos por Lauro Michels, dono de 34,32% dos votos gerais em Diadema em outubro último e de 43,80% de aprovação agora pelo Instituto Paraná. 

Quem se deu melhor com essa nova conta foi o prefeito de Mauá, Atila Jacomussi, que, eleito com 23,68% dos votos gerais em segundo turno, obteve agora a aprovação de 60,80% dos eleitores ouvidos pelo Instituto Paraná. Uma subida de 37,12 pontos percentuais. Praticamente três vezes mais que Paulinho Serra. 

Se perdeu para Atila Jacomussi por praticamente três a zero na pesquisa do Instituto Paraná, para Orlando Morando e José Auricchio Júnior as derrotas de Paulinho Serra foram por algo equivalente a um pouco maios de dois a zero. Orlando Morando subiu 24,68 pontos percentuais na pesquisa do Instituto Paraná em São Bernardo. Esse resultado deriva dos 34,92% votos gerais obtidos no segundo turno em contraposição à aprovação de 59,60% agora. Auricchio subiu 26,64 pontos percentuais: eleito em primeiro turno com 26,96% dos votos gerais, alcançou 51,60% de aprovação dos eleitores pesquisados pelo Instituto Paraná. 

Marketing perigoso

Talvez o prefeito de Santo André não se satisfaça com a realidade numérica, seja qual for a escolha dos referenciais analíticos. Pura bobagem. O que o tucano precisa entender é que na medida em que sai a campo com um marketing capenga, mais se expõe a encontrar obstáculos para superar as armadilhas numéricas. 

Vou traduzir o que pretendi dizer de forma um pouco sofisticada. Paulinho Serra precisa se dar conta de que a votação alcançada em outubro do ano passado, seja em termos de votos válidos ou de votos gerais, foi uma arapuca da qual precisa se livrar. Aqueles números foram anormais pelas circunstâncias. O total de 78,21% de votos válidos e os 48,55% dos votos gerais são pontos fora da curva. Pesou sobretudo, como escrevi ontem, o esfacelamento regional do Partido dos Trabalhadores. 

Onde está, perguntaria o leitor, a armadilha a capturar Paulinho Serra? Na ideia de que sustentará esses números relativos. Nem que o PT esteja morto e enterrado – o que não é o caso ainda e não o será daqui a pouco, já que a gandaia de roubalheira foi democrática – o horizonte eleitoral de Santo André não comportará nada semelhante ao que se registrou no ano passado. Isto posto, está mais que na cara que Paulinho Serra terá percentuais de aprovação em processo de declínio por imposição do cargo em uma cidade sem presente e com futuro nebuloso -- e também porque adversários vão saltar na pista para abalroá-lo. 

Enrascadas numéricas 

Desta forma, quando menos propagar em redes sociais os níveis de aprovação, mais se preparará para um futuro tempestuoso que o espera. Como esperaria qualquer outro prefeito da região que obtivesse aquela monumental montanha de votos válidos ou gerais. 

A melhor sugestão que poderia dar ao prefeito de Santo André seria no sentido de que precisa reorganizar a retaguarda que dita as ordens de comportamento público. O deslumbre parece geral -- a ponto de se recorrer à sofisticação numérica para tentar tapar o sol com a peneira. Votos válidos ou votos gerais são enrascadas ao entusiasmo fabricado nos bastidores para tentar vender sucesso onde o mínimo que se encontra é a lógica do refluxo de aprovação da sociedade. 

Sugiro remanejamentos conceituais de modo a estabelecer como limite de viabilidade eleitoral no futuro algo em torno de 50% de aprovação com viés de materialização de voto. A estrondosa votação de outubro passado já se esboroa e vai se esboroar ainda mais, como mostram os dados do Instituto Paraná. O peso da gestão de Paulinho Serra nesse processo de depreciação de capital eleitoral é apenas um dos vértices do triângulo das bermudas: os outros são o quadro nacional e os remelexos dos adversários que se fingem de aliados e, também, de adversários, como o PT, que ganha tempo e fôlego para retornar das cinzas.  



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