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Esportes

São Caetano pode acertar na
mosca com novo treinador

DANIEL LIMA - 07/02/2018

O São Caetano pode ter acertado na mosca ao trocar Luiz Carlos Martins por Pintado para dirigir a equipe nos sete jogos que faltam na Série A do Campeonato Paulista, tendo-se inclusive a vantagem de disputar a Copa do Brasil como espécie de laboratório de pesquisas. 

Bastava mesmo trocar um técnico que já não tinha mais o controle do elenco e muito menos a definição de um sistema tático por alguém que pode não ter o melhor currículo do mundo, mas encontrou ambiente favorável entre outros motivos porque pior seria impossível. 

Acertar na mosca, com a troca, é continuar na principal competição estadual do País. Se alçar voo mais alto ainda, como uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro, seria a glória. 

Reconquistar a confiança e a motivação do ano passado, quando conquistou a Série B do Campeonato Paulista e teve participação relativamente satisfatória na Copa Paulista, é o primeiro passo para o São Caetano reagir. 

A vantagem de Pintado, numa paradoxal conclusão, é que encontrou o caos tático formalizado de maneira estonteante na derrota em casa domingo contra o Mirassol. Com o legado que recebeu, Pintado pode fazer o que bem quiser em nome de reorganização do grupo que dificilmente haverá oposição. 

Mas é lógico que o ex-auxiliar de Rogério Ceni no São Paulo não é maluco de pedra. Certamente saberá ouvir auxiliares que há mais tempo conhecem detalhes de bastidores que influenciam o que se vê com transparência inegável nos campos. 

Como pronto-socorro

Pintado deve, a estas alturas do campeonato, literal e figurativamente, ter-se empenhado em assistir gravações dos últimos jogos da equipe. Dizem até que, por morar na Capital e ter amigos na região, já se dedicara a vasculhar o São Caetano como observador que é. 

O que resta de Campeonato Paulista para Pintado mostrar serviço deve ser encarado como espécie de pronto-socorro. Não há tempo para maiores conjecturas e operações. Simplificar de olho nos resultados deve ser o lema. Faltam sete jogos para o encerramento da fase classificatória. Aos três pontos conquistados em cinco jogos iniciais devem-se somar outros nove. Os jogos dentro de casa – menos contra time grande – são o combustível da esperança de uma matemática nada improvável. 

Um acerto aqui, outro ali, de ordem individual, e um redirecionamento tático que tenha como mantra a posse de bola que o São Caetano de Luiz Carlos Martins sempre rejeitou, serão suficientes para o desafogo. 

Martins propagava aos quatro cantos do gramado que contava sempre com três esquemas diferentes para aplicar nos jogos. Talvez tenha sido por isso que, ultimamente, se embananou todo. 

Há profissionais em qualquer área que, diante de várias opções a escolher, perdem-se completamente. Parece ter sido o caso de Martins na Série A deste ano, após receber um time inteiro de reforços que ele mesmo escalou e a diretoria contratou. 

Fora de moda 

O treinador que acaba de deixar o São Caetano não tem direito a reclamações. Raramente um profissional de comando de elenco encontra terreno tão fértil ao sucesso como no São Caetano que passou nos últimos anos por intensa reestruturação, adequando-se aos rebaixamentos que o retiraram do circuito do futebol nacional. Martins teve liberdade e autonomia para escolher os reforços que bem pretendeu à disputa da Série A. 

E o que se viu, repito, não foram fracassos individuais consolidados, mas um arranjo tático fora de moda. Aliás, fora de moda inclusive na Segunda Divisão, da qual Martins saiu vitorioso graças à regularidade de atuações da equipe de investimentos acima da maioria dos concorrentes. 

Pintado talvez não seja o treinador dos sonhos de quem gosta de futebol bem jogado, de posse de bola produtiva, de penetrações internas e laterais, de compactação e de tudo o mais que pelo menos uma dezena de quesitos recomendam. 

Mas Pintado pode ser uma solução temporária que importa. O São Caetano (e o Santo André que está em estágio coletivo bem superior, embora com elenco bem menos qualificado) não pode retornar à Série B Paulista, sob pena de se interromper processo longo, depurativo, sofrido, de retomada de uma história que provavelmente jamais fará sombra ao passado, mas que, também, não pode cair na vala comum de subir e descer ao sabor das circunstâncias.



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