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Esportes

São Caetano agora precisa
deslanchar para não perecer

DANIEL LIMA - 01/02/2019

O São Caetano empatou de um a um ontem à noite no Interior com o São Bento de Sorocaba e agora não tem outra perspectiva no campeonato senão deslanchar para fugir do rebaixamento. Talvez o máximo que possa aspirar a equipe de Pintado seja a repetição do quase milagre do ano passado, justamente como consequência da contratação do ex-volante campeão do mundo pelo São Paulo para dirigir a equipe que estava na zona de rebaixamento -- ou seja, classificar-se às quartas de final da competição. 

Com apenas três pontos ganhos em 12 disputados, encerrando o primeiro terço da competição, o São Caetano talvez precise de mais 10 pontos para sair do sufoco. Menos mal que a equipe não está na zona de rebaixamento.  O São Bento só somou dois pontos até agora e o Botafogo de Ribeirão Preto, um. E será exatamente o Botafogo, fora de casa, o adversário deste final de semana. 

Gols fora da normalidade 

O empate de ontem à noite é uma entre muitas provas de que as linhas coordenadas do futebol nem sempre obedecem à preparação técnica, tática e emocional. A ironia é que o placar poderia ser bastante diferente, com profusão de bola na rede, fruto de jogadas articuladas. Mas acabou tendo apenas dois gols, de dois gols anormais. 

O primeiro, do São Caetano, num lance patético: um zagueiro do São Bento recuou a bola para um goleiro acostumado a jogar com os pés, mas o goleiro acostumado a jogar com os pés furou e a bola ultrapassou a linha fatal. Só restou a Henau, o nome do goleiro, chorar discretamente.

O gol de empate do São Bento, no segundo tempo, foi consequência de um erro do bandeirinha, após cobrança de falta em diagonal: ele não observou que o zagueiro Diego Ivo estava levemente adiantado, em posição de impedimento.

Mexidas demais 

O mais importante nessa altura do campeonato é tomar o pulso de melhoria ou não do São Caetano. O rendimento da equipe contra um adversário que parece potencialmente destinado a fugir do rebaixamento foi suficiente para ter mais oportunidades de gols do que o contrário, mas ainda parece insuficiente para assegurar confiança de permanecer na Série A do Campeonato Paulista. 

Se o técnico Pintado acertou em cheio ao afastar o veterano e quase inútil Christian da equipe, depois de três jogos como sanguessuga, exagerou na dose de alterações, quatro no total. 

Colocar o veterano Esley na lateral-direita, quando sua especialidade é o meio de campo, como volante, poderia ter custado caro. Sorte que o São Bento não descobriu aquele corredor e não o frequentou mais intensamente. 

A entrada de Carlos Henrique como companheiro de zaga de Joécio não modificou o equilíbrio dos jogos anteriores e houve ganhos no acerto de passes para uma imediata saída de bola. 

Vitinho titular 

O meia-atacante Vitinho virou titular, mas só jogou para valer no segundo tempo, quando encontrou espaços e os utilizou com destreza graças à substituição do centroavante Rafael Marques, que jogou como segundo atacante por dentro. Rafael Marques não tem habilidade e dinamismo de meia-atacante e congestionou um entorno de espaço no meio de campo que Vitinho soube alargar no segundo tempo. 

Minho e Gleyson entraram no ataque e pareceram mais à vontade que os então titulares Diogo Rosa e Capa, utilizados no segundo tempo. 

Toda essa narrativa mostra que Pintado exagerou nas substituições, mesmo que possa parecer contradição a afirmativa de que o time teve mais intensidade e criou mais oportunidades de marcar. 

O caso emblematicamente grave do São Caetano era a utilização de Christian. Mexer demais num time que já não tem entrosamento parece excesso de zelo numa competição tão curta. 

Positivo preocupante 

O ponto positivo (e às vezes preocupante) do São Caetano que voltou com um ponto de Sorocaba foi a disposição de chegar ao gol quantas vezes fosse possível, principalmente no segundo tempo. O time usou de velocidade, contou com aproximações, os volantes se soltaram, mas, em contraponto, a defesa ficou desprotegida e uma vitória iminente poderia ter virado derrota. Como quase virou, não fosse uma defesa impressionante de Jacsson no penúltimo lance do jogo. Em seguida, o São Caetano desperdiçou oportunidade de ouro. 

O jogo deste final de semana com o Botafogo inaugura o segundo terço do São Caetano na competição. Os quatro jogos que virão precisam representar mais que os três pontos do primeiro terço. E têm tudo para isso porque, ao contrário dos jogos que se foram, não haverá dois times grandes no caminho. 

Tanto nestes próximos quatro jogos como nos quatro seguintes e finais, o São Caetano jogará duas vezes em casa e duas fora. O problema a ser resolvido é que na última rodada atuará em casa contra o São Paulo. A tabela da Série A parece ter sido feita para testar os nervos e o coração dos torcedores do Azulão. 



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