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Imprensa

“Gata”: duas cadeiras vazias
no encontro em hotel-fazenda

DANIEL LIMA - 05/02/2019

São Paulo, Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra são personagens centrais (ou quase centrais) do livro Complexo de Gata Borralheira que produzi em duas semanas e lancei em abril de 2002 num Teatro Municipal de Santo André lotado. Esses personagens vão dominar praticamente a cena até o capítulo final. 

Tratados como gente, por assim dizer, os oito personagens que ocupam parte da Região Metropolitana de São Paulo iniciariam diálogos que se tornariam tensos, quando não dramáticos, mas também extravagantemente anedóticos. Estavam lá todos eles, ou quase todos eles, dividindo uma mesa retangular comprida. Havia duas cadeiras desocupadas a azucrinar a curiosidade de todos. A quem estariam reservadas?

Quem quer entender para valer as características comportamentais, por assim dizer, dos sete municípios locais e a relação que mantêm com a  Capital,  não pode deixar escapulir nenhum diálogo que se abre com a transferência do livro em papel para o mundo digital. 

Uma mesa para oito convidados e duas enigmáticas cadeiras vazias. É essencial não se esquecer dessa informação. Mais que isso: é preciso captar o ambiente muitas vezes carregado para entender sem o malfadado politicamente correto o que se passa historicamente entre os municípios locais, entre si, e a Capital. Somos Gata Borralheira diante de Cinderela. 

Os 17 anos que separam a obra original em papel do que catapultamos agora para o mundo da Internet praticamente não alteram a desordem geral. Desordem no sentido de que regionalismo é uma pregação para malucos. O ritmo da música da integração regional não é decodificado pela sociedade, incluindo-se agentes públicos, privados, sociais e culturais. Há interferências insuperáveis a individualizar os acordes. 

Leiam, portanto: 

 Encontro num hotel-fazenda



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