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Imprensa

Debate Digital: professor
encalacrado atira a esmo

DANIEL LIMA - 19/03/2019

Desesperado por não encontrar um fiapo sequer de argumento consistente em defesa do indefensável – ou seja, a UFABC é uma fraude regional no campo econômico – o professor Ricardo Alvarez, meu debatedor, escorregou na casca de banana de um emaranhado de tergiversações. Fosse eu o que ele é, ou seja, oponente em ideias, me sentiria igualmente à deriva. A UFABC é uma causa perdida.

As únicas pegadas desse monstro como prova de regionalidade de atuação se esgotam no entorno de furtos e roubos denunciados por alunos e professores. Nesse ponto, a UFABC está mais que institucionalizada regionalmente. Aliás, nada diferente do que se observa nas salas de aulas. Ali, roubam-se e furtam-se sonhos de empregabilidade, que é o que interessa.

Possivelmente não teria o mesmo comportamento argumentativo errático do professor diante dessa troca de ideias. Não perderia o foco. Aquartelado na fragilidade de sustentação a algo sem consistência, teria jogado a toalha com humildade.

Ricardo Alvarez, um combativo esquerdista, desses que lançam boias em defesa do Estado Poderoso como a salvação da lavoura econômica, ética e social, não apenas como uma parte da engrenagem civilizatória, prefere morrer em combate. Como se já não estivesse morto a partir dos primeiros parágrafos na primeira rodada.

Fugindo da raia

Como Alvarez ainda tem uma rodada para cavoucar alguma coisa que honre a camisa da Universidade Federal do Grande ABC na jamais perpetrada institucionalidade regional no campo econômico (e em tantas outras áreas), espero que deixe de ser uma metralhadora giratória temática e, finalmente, entenda o centro desse debate. Entender provavelmente ele entenda. O que tenta, no fundo, é fugir da raia.

Ou seja: Alvarez deveria jogar fora, porque fora de lugar está, qualquer argumento distante da questão básica deste Debate Digital, ou seja, e insisto na questão: o alheamento da UFABC nas questões econômicas da região.

Não pretendo ser repetitivo sobre o que chamaria de calcanhar de Aquiles da UFABC. A instituição é sanguessuga regional há mais de uma década. É o resultado deformado de uma fornada socialista que nenhum País minimamente desenvolvido adota. A UFABC vive no mundo da lua do mundo teórico.

O professor Alvarez sabe disso. Tanto sabe que não encontrou um único exemplo sequer nas quatro rodadas em que se manifestou que colocasse a UFABC na linha de frente, ou mesmo na linha auxiliar, de ações regionais.

Prefere o professor sempre mais preocupado em combater adversários ideológicos verdadeiros e imagináveis derivar o debate a temáticas alheias ao fulcro da base desse trabalho jornalístico.

Ignorando o principal

Escreveu na rodada anterior sobre os exóticos ministros do governo Jair Bolsonaro, sobre o mercantilismo das universidades privadas, sobre um liberalismo extremista que já está sendo questionado e metabolizado no mundo civilizado, sobre a prevalência hierárquica do Estado na correção de rota da UFABC e sobre tantas outras coisas que não passam mesmo de coisas quando o principal é subestimado, quando não esquecido.

Chamo a atenção dos leitores para que vasculhem cada parágrafo do professor Ricardo Alvarez no texto da rodada número quadro deste Debate Digital.

Verifiquem com os próprios olhos e mente o quanto a instituição sem qualquer relação substantiva com a sociedade regional é protagonista direta ou indireta dos parágrafos que tentam dar sustentação a uma ideia cujo desfecho está consumado em evidente fuga do objetivo principal.

Ricardo Alvarez é desses profissionais acadêmicos que não largam o osso de uma ideologia retrógrada que, não por acaso, dá guarida ao MST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto) e tantas outras quinquilharias filosóficas que não se mantêm de pé sem o dinheiro muitas vezes espúrio do Estado provedor e doutrinador de ideais igualmente sabotadores da cidadania empreendedora.

Contramão da sociedade

Alvarez está na contramão de estudos inclusive de institutos dito socialistas que constataram o desejo das populações de periferias em ter o próprio negócio. Para o professor, o Estado é a expressão máxima da cidadania e o capitalismo é um mal a ser combatido. À falta de equilíbrio entre Estado, Mercado e Sociedade, adivinhe quem dá as cartas?  Basta ver o Brasil entregue pela Nova República.

A UFABC é um reduto esquerdista sem preocupação com a sociedade regional. Os índices de inserção econômica local, em forma de empregabilidade, são deploráveis. Como já escrevi tantas vezes, a UFABC é uma fábrica de manequins para exportação e um deserto de centroavantes para uso interno.

Explico: não fossem os trabalhos teóricos muitos dos quais sem preocupação com o pragmatismo de resultados em favor da sociedade, a UFABC despencaria em qualquer ranking de medição de competitividade. O exibicionismo corporativo prevalece sobre resultados práticos, de políticas públicas não partidárias e ideológicas.

O professor Ricardo Alvarez sabe disso e muito mais, claro, e considera esse o foco apropriado à universidade pública. O mundo civilizado e progressista no sentido mais amplo da expressão já jogou no lixo essa baboseira há muito tempo.

Origem é o Estado

Quando ataca as universidades privadas, cobrando do debatedor abordagem específica, o professor Ricardo Alvarez usa a velha tática de deslocar o ponto nuclear de um debate a uma direção que supostamente lhe conviria. Aí é que está enganado, mais uma vez. Ao direcionar as fragilidades mais que conhecidas do Ensino Superior privado, o professor da Fundação Santo André e integrante do PSOL deixa escapar dois flancos que o derrubam de vez.

Primeiro flanco: em situações normais, não de intervenção estatal espúria, as escolas particulares não vivem de dinheiro público como as escolas públicas; portanto, estão no mercado por conta e risco, submetidas ao escrutínio dos alunos.

Segundo flanco: se as universidades privadas estão distantes do exigido para que o País não siga construindo um fosso entre a modernidade e o obsoletismo funcional do mercado de trabalho (é disso que estamos tratando como pauta central), a responsabilidade maior é do Estado que o professor tanto defende, porque é o Estado centralizador que expede licenças ao funcionamento de arapucas de ensino.

Farra de universidades

Aliás, foi no período do governo Lula da Silva que se deu a maior incidência relativa de autorizações às fábricas de diplomas – sem contar a farra de financiamentos a grupos de interesses próximos ao governo.

Uma Lava Jato da Educação, como se anuncia, rivalizaria o resultado com as falcatruas na Petrobras e em tantas outras peças do corolário estatal dominado pela engenharia de corrupção que abalou o País e torna inconsolável todos os vagabundos éticos.

Aliás, mais uma vez contraditório, o professor expressa descuidadamente, porque conflitiva com seus próprios enunciados, essa epidêmica depravação do Estado sem controle ao se referir aos governos que antecederam os recentemente desmascarados pela Operação Lava Jato.

Ricardo Alvarez, repito, tem mais uma rodada para tentar responder ao que propusemos neste Debate Digital. Por que a UFABC é tão insensível à geografia regional, acumulando ano a ano avaliação desprezível no Ranking Universitário da Folha, porque simplesmente o mercado de trabalho não a reconhece como agente de atenção ao Desenvolvimento Econômico?



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