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Imprensa

Debate Digital: Alvarez decide
abandonar a disputa. Lógico

DANIEL LIMA - 01/04/2019

Está encerrada a primeira versão de uma novidade no jornalismo brasileiro. O “Debate Digital” proposto por este jornalista e que teve como oponente o professor universitário Ricardo Alvarez, de Santo André, também dirigente do Psol. A programação foi encerrada antes do tempo regulamentar. Seria pelo menos mais uma etapa de contraditórios, mas o professor da Fundação Santo André preferiu não continuar. 

Ricardo Alvarez informou que já não dispõe mais de elementos para seguir em frente. Nada mais ajuizado. Notável foram as tentativas (três rodadas) de atenuar o indefensável, ou seja, a inutilidade da UFABC (Universidade Federal do Grande ABC) quando se trata do Desenvolvimento Econômico da região. 

Vamos reproduzir na sequência, independentemente das edições anteriores disponíveis individualmente neste site, o conjunto das rodadas dessa disputa de ideias. 

A retirada de Ricardo Alvarez não o desclassifica como contendor. Distante disso: do outro lado do ringue esgrimi intervenções que o colocaram naturalmente em situação de nocaute, simplesmente porque a UFABC, como poderão recordar ou tomar conhecimento os leitores logo abaixo, é um acinte institucional na região. 

O distanciamento que a UFABC mantém das organizações públicas, sociais e empresariais do Grande ABC é o retrato fiel dos efeitos deletérios da concepção com que foi criada – e que contou com Ricardo Alvarez como uma das lideranças da região. 

Acompanhem as três rodadas realizadas. Vale a pena entender a decisão do professor Ricardo Alvarez. 

Debate Digital: UFABC é 

conquista a ser aprimorada 

 RICARDO ALVAREZ - 30/10/2018 

Fui instigado a escrever sobre a UFABC e a regionalidade e é o que faço. Antes, porém, algumas informações que julgo necessárias.

A luta pela criação de uma Universidade pública no Grande ABC remonta aos anos 60, quando se ventilava a possibilidade de um Campus onde hoje se localiza a ETE Lauro Gomes, no centro de São Bernardo. O movimento sofreu uma interrupção óbvia anos de chumbo e renasceu na década de 80.

Na retomada a reivindicação era de uma Universidade estadual ou federal, desde que pública. Sustentava o pleito as nossas especificidades econômicas, o porte populacional e a necessidade de oferta de ensino superior público e gratuito que atendesse a família dos trabalhadores no Grande ABC.

Era um momento de grave crise econômica e desemprego, que se fazia sentir com intensidade no Brasil em especial na região.

Quis o destino que o movimento tivesse eco e que ela viesse pelas mãos do presidente Lula, oriundo do ABC, no seu primeiro mandato. Seus dois Campus abrigam mais de 14 mil alunos de graduação e 1500 na pós-graduação.

Princípio do aproveitamento

Um princípio que sempre esteve na dianteira da criação da UABC era o aproveitamento das faculdades e universidades municipais, a saber: Faculdade de Direito em São Bernardo, Fundação Santo André e Medicina ABC em Santo André e USCS (antigo IMES) em São Caetano.

Havia uma combinação atrativa de interesses que cercavam esta proposta: a oferta de cursos em diferentes áreas do conhecimento e a infraestrutura existente que seria inteiramente absorvida.

Além disso, os municípios repassariam ao governo federal/estadual uma obrigação constitucional sua, que é a oferta do ensino superior, permitindo desta forma concentrar seus esforços no ensino básico, seu foco legal.

Ocorre que no meio do caminho as forças provincianas municipais falaram mais alto e assistimos um festival de chauvismo marcado por uma patriotada descabida. Prefeitos batiam no peito e diziam que “ninguém mexe no que é meu”. Azar da regionalidade e dos interesses coletivos.

Definições do MEC 

Tivesse isso ocorrido a UFABC nasceria com uma regionalidade mais instituída e estruturada em seu DNA, em função das relações já estabelecidas e dos cursos oferecidos. Isso em nada impediria uma rediscussão de novos cursos a partir de demandas amplamente discutidas na sociedade.

Mas não foi o que aconteceu. A oferta de graduação e da estrutura correspondente seguiu as diretrizes definidas pelo MEC em Brasília quase que exclusivamente. Houve uma participação bastante limitada dos atores sociais da região nas decisões maiores.

O mecanismo de núcleo comum nos anos iniciais e a abertura de opções nos anos finais, respondia a um desejo do MEC de um modelo que se diferenciava das demais Universidades Federais do Brasil.

Conquista importante 

Considero, sem nenhuma dúvida, que a UFABC é uma conquista importante para a região e o país. Importante polo de atração de jovens talentos e de qualidade inquestionável.

Mas nem todos enxergam desta forma. Lembro que sua expansão para São Bernardo sofreu forte boicote do ex-prefeito Dib em função das diferenças partidárias, numa atitude provinciana e reprovável.

Após 13 anos de existência é preciso admitir que a proximidade entre a UFABC e as gestões municipais, o Consórcio de Prefeitos, Agência Regional e o governo do estado ainda são tímidas. Mas é preciso identificar as causas.

O discurso e a prática da regionalidade nascem com o prefeito Celso Daniel (PT) na segunda metade dos anos 90. Foi a partir dele que descobrimos nossos vizinhos quando o assunto é gestão, até então ilustres desconhecidos. Nem é preciso reafirmar a importância da elaboração de diagnósticos comuns e da definição de políticas públicas regionais em função de nossas especificidades.

Ocorre que a morte prematura de Celso Daniel provocou um abatimento nos mecanismos de discussão coletiva quando eles ainda não estavam suficientemente maduros e sedimentados entre os representantes políticos e partidos àquela época.

Esvaziamento institucional 

Os últimos 15 anos foram marcados pelo esvaziamento gradual e constante destes órgãos e a perda de importância na gestão municipal. Chegamos ao ponto de Diadema e Rio Grande da Serra abandonarem esta perspectiva sem rodeios.

Recuamos neste processo de integração, reduzimos sua importância nos debates eleitorais e tornamos esta pauta secundária diante de desafios que se colocam aos gestores e à sociedade.

Neste quadro de solubilidade da pauta regional recebemos a UFABC. Enquanto a regionalidade foi perdendo em importância a Universidade foi se consolidando a partir das diretrizes e desejos do MEC, percorrendo um caminho contrário.

Caberia aos nossos representantes recompor a pauta regional e abrir um diálogo direto com a Universidade, a partir das necessidades locais. Esta luta não está perdida e precisa ser reanimada.

Uma saída interessante seria um chamamento amplo dos mais diversos setores da sociedade para uma discussão coletiva de prioridades em todos os sete municípios da região, culminando num grande congresso regional que sintetizaria as propostas a serem trabalhadas.

Este trabalho deveria incorporar, inclusive, as outras Universidades e Faculdades da região, poderia desembocar em novos cursos a partir das demandas levantadas e poderia indicar estudos superiores em pós-graduação na formação de quadros gestores.

Há outras possibilidades neste caminho, que passam pela relação com a requalificação das escolas públicas, com a oferta de serviços na área da saúde, na defesa do que sobrou da mata atlântica, no estímulo à criação de startups, enfim, a lista é grande, mas parece que a vontade é pequena.

As necessidades sociais se acumulam em tempos de crise. Aproximar os vínculos entre os centros produtores do saber e a gestão pública é sinal de inteligência. O distanciamento evidencia sinais em contrário.

Patriotada local 

Para avançar neste sentido precisamos superar esta patriotada local que regozija egos mas produz muito pouco no sentido de apontar soluções para nossos problemas. A iniciativa tem que ser dos prefeitos, sem o que avançaremos pouco.

O tempo urge. Se não houver unidade entre os gestores municipais nesta linha de criar políticas públicas regionais não adianta buscar culpados nas Universidades para nossos fracassos. Simples assim.

Debate Digital: UFABC 

é barriga de aluguel inútil 

 DANIEL LIMA - 07/11/2018 

Nesta segunda rodada de um confronto de ideias com Ricardo Alvarez chamo a atenção dos leitores para um buraco negro na dupla premissa do professor da Fundação Santo André. Diferentemente das afirmativas dele, a UFBC (Universidade Federal do Grande ABC) não é nem uma conquista regional e tampouco deve ser aprimorada. Trata-se de instituição que faz pouco caso da região. E a recíproca é verdadeira, embora por razões completamente antagônicas. Resultado?  A precisão da expressão “barriga de aluguel”. 

Como mil palavras limitadoras a definições e incursões mais substanciosas, vou procurar esgotar essa métrica no que for possível na certeza de que, ante idas e vindas, poderei dar maior consistência às contraposições.

Vejo, resumidamente (e, portanto, com propensão a intervenções mais detalhadas no futuro) vários pontos que minam o centro da retórica da rodada inicial. A UFABC (e o artigo do professor) peca por passar como trator sobre o apelo mais evidente à própria razão de estar na região: o compromisso com o desenvolvimento econômico e os desdobramentos sociais e ao próprio ecossistema de cidadania. 

Verbetes ignorados 

Nesse ponto (e daí se explica o resumo das ideias do professor contido no título que escolheu) as crateras de descaso com a região estão tipificadas na ausência de um texto reparador. Verbetes (e equivalentes) como produtividade, desenvolvimento econômico, competitividade, desigualdade social, empreendedorismo, Custo ABC e tantos outros que remeteriam diretamente ao cerne da questão são olimpicamente esquecidos ou, com muito boa vontade, mitigados por Ricardo Alvarez. 

Fossem apenas esses os pontos frustrantes (no sentido da questão central desse debate), tudo estaria num patamar menos grave. Mas o que temos é algo muito pior, daí minha imensa curiosidade de receber a segunda rodada de intervenções do professor. Suspeito que ele não tenha se dado conta do que está em debate como peça essencial.

A UFABC contrariou a vontade do então presidente da República, Lula da Silva. O petista deixou claro em entrevistas que pretendia ver uma instituição voltada à economia regional, mas o MEC o atropelou com um comitê centralizador de ideias fixas e um esnobismo curricular que sugeria estar a região plantando o mais extraordinário exemplar de revolução na área. Seriamos a fina flor da universidade pública. Levaríamos ao Brasil e ao mundo prerrogativas de eficiência na produção de saberes. Só faltou combinar com os russos. No caso, nós mesmos. 

Outro ponto a tornar turbulento o horizonte da UFABC foi o preparativo estatizante dos debates locais para encaminhar o projeto ao governo federal. Os movimentos seguiram em direção à exaltação da teoria em desfavor da prática. Raramente houve citação à importância de juntar no processo acadêmicos e agentes econômicos. Como se o MEC já não fosse suficiente para meter a colher no cozido alheio. 

Sociedade excluída 

Para que não haja dúvida sobre esse processo de preparação acompanhado atentamente por este jornalista numa série de matérias, a sociedade praticamente não participou de nada. E a bem da verdade não seria sensato dizer que se fosse convocada para valer os resultados seriam muito diferentes, porque se há algo que falta à região é o comprometimento com a regionalidade. Nosso gataborralheirismo é orgânico. Adoramos entregar a terceiros externos o que não temos coragem e em muitos casos competência técnica de realizar internamente.

Por conta disso e de muito mais fico a me perguntar: qual seria o fio condutor proposto pelo professor Ricardo Alvarez à recomposição da pauta regional em torno da UFABC se a matéria-prima de que se utilizou para sugerir essa iniciativa está viciadíssima pelo erro de origem da instituição, ou seja, a visão excessivamente estatal das coisas e o sentimento bovino de subordinação aos mandachuvas de Brasília.

Prefeitos despreparados 

A Universidade Federal do Grande ABC é tanto encalacramento estatal nos pressupostos curriculares e desprezível à atividade econômica que o professor Ricardo Alvarez entrega a rapadura da iniciativa supostamente restauradora a um Clube dos Prefeitos esfacelado, não bastasse a inapetência de décadas. 

Entender que o Clube dos Prefeitos, na modelagem atual, antiga, autoritária e inadequada, seria capaz de dar o tom, o ritmo, a direção e tudo o mais para retirar a UFABC dos abusivos braços do MEC tem o mesmo sentido que delegar a uma estátua de concreto em forma de militar a capacidade de dissuadir ações terroristas.   

O imobilismo do Clube dos Prefeitos é estrutural entre outros motivos porque não conta com uma espécie de Conselho Especial, integrada por agentes da sociedade sem rabo preso com os poderes públicos. Gente preparada para apontar soluções.  

Para que a UFABC saia do casulo autonomista sedimentado em solo de Santo André não existe possibilidade de preservar um resquício sequer de algo que lembraria tanto a pretensa conquista quanto o decantado aperfeiçoamento. Pau que nasce torto morre torto. A saída é um redirecionamento espetacular para explodiria o elitismo destilado de Brasília.  A UFABC é uma pretensiosa industrializadora de manequins destinados a passarelas internacionais em vez de centroavantes arrebatadores de competitividade regional.  

Retrato acabado 

A expressão barriga de aluguel, rebocada de uma entrevista com o especialista em educação Valmor Bolan, severo crítico da formulação e da execução do projeto da UFABC, pode até parecer de mau gosto, mas retrata à perfeição a consolidação de uma instituição que atua como espécie de principado na região. 

A UFABC é uma ilha de fantasia no sentido de que não tem peso algum no destino regional. Caso seguisse outras iniciativas de Ensino Público Superior, poderia catalisar o desenvolvimento regional. É disso que pretendo tratar numa segunda rodada. 

Espero que o professor Ricardo Alvarez se fixe na ideia central desse Debate Digital: o que a UFABC entregou até agora para a região?

Debate Digital: UFABC agrega 

de fato valor ao Grande ABC 

 RICARDO ALVAREZ - 29/11/2018 

A partir de texto de minha autoria publicado no "CapitalSocial” sobre a importância da UFABC para a região, e do contraponto do jornalista Daniel Lima, dou continuidade ao debate sobre um tema que considero vital para o futuro do Grande ABC.

A primeira grande questão que considero central no debate é o papel da Universidade e sua relação com as demandas empresariais, ou do capital. Os termos "produtividade, desenvolvimento econômico, competitividade, desigualdade social, empreendedorismo, Custo ABC (...)" apontam, em geral, para isso, com a óbvia exceção da desigualdade.

Uma segunda questão, relacionada diretamente com a anterior, é a relação de baixa intensidade da Universidade com o Grande ABC. Comecemos pelo primeiro.

O equívoco original se estabelece quando a formatação da instituição obedece aos interesses empresariais, ou, de outra forma, serve de suporte às necessidades do capital. Há uma diferenciação essencial que são os interesses públicos e os privados. A UFABC, por óbvio, deve se curvar às necessidades e demandas sociais.

Interesses privados

Texto recentemente publicado no site Undark, (revista digital, sem fins lucrativos que explora a interseção entre ciência e sociedade) mostra os desvios provocados nos resultados das pesquisas científicas na área da alimentação/nutrição. Pergunta o texto: “Numerosos estudos sugerem que conflitos de interesse são prejudiciais à ciência nutricional. Mas com financiamento federal em falta, o que um pesquisador deve fazer?

A resposta é óbvia: estudos financiados pelas empresas do ramo mostram que açúcar e refrigerantes, por exemplo, fazem bem à saúde. Ao contrário, pesquisas financiadas pelo Estado apontam exatamente o contrário [1]. A submissão das atividades aos financiadores deturpa os resultados da pesquisa e criam um ambiente de confusão científica, certamente maléfica para o bem comum. Não se trata de identificar mocinhos ou bandidos, mas simplesmente em reconhecer que os objetivos esperados são reconhecidamente divergentes.

Crescimento do capital

Não existe a máxima preconizada pelo liberalismo de que se o capital vai bem a sociedade também. Basta observar que a linha de crescimento dos lucros das grandes corporações no Brasil e no mundo, após a crise do subprime de 2007/2008, foi amplamente superior aos rendimentos do trabalho.

A UFABC, bem como nenhuma outra universidade no Brasil, deve estar à serviço ou subordinada aos interesses privados. Uma pergunta, no entanto, fica sem resposta: por que o empresariado local não busca relação e apoio nas universidades e faculdades privadas?

A resposta é simples: educação é um investimento de alto custo e as privadas se preocupam em, no máximo, formar quadros laborais. Pesquisa e extensão, quando existem, são limitadas e de baixa qualificação.

Conquista civilizatória

Nesses estabelecimentos de ensino predomina o “aulismo”, que é a atividade econômica possível resultante da equação entre mensalidades mais baixas (energizadas por bolsas públicas - Fies e Prouni) e corpo docente mal remunerado. Nessa contabilidade que ainda incorpora a remuneração dos investimentos dos empresários do ramo, sobra muito pouco para pesquisa e extensão.

Por isso os olhos das atividades econômicas produtivas e de circulação se voltam para as universidades públicas, cuja produção de tecnologia e conhecimento é infinitamente superior aos resultados das instituições privadas.

Sendo assim, é importante frisar que a produção de conhecimento é uma conquista civilizatória, de toda a sociedade e seu foco está nos interesses e necessidades sociais coletivos e difusos e não privados.

Uma outra questão central no debate é a baixa intensidade na integração da UFABC com a região. Concordo que essa relação precisa ser aprimorada e aprofundada, mas cabe uma leitura mais acurada das origens desse distanciamento.

A questão da regionalidade veio com os governos do PT, especialmente Celso Daniel nos anos 1990 e 2000. Não foi fácil retirar os prefeitos e Câmaras Municipais de seus quadradinhos de poder, elaborar propostas regionais e, principalmente, aplicá-las. A tarefa andou a passos lentos, mas andou. Gerou frutos e, mais do que isso, chacoalhou corações e mentes para uma nova forma de ação do poder público que extravasasse as fronteiras políticas e demarcatórias municipais.

Esvaziamento regional

O que se observa hoje com um crescente de vitórias eleitorais de governos de centro e direita? Vejam o caso de Rio Grande da Serra e Diadema, com suas posições isolacionistas, agora acompanhadas de São Caetano do Sul.

Vivemos um gradual e sequente esvaziamento dos fóruns de discussão de temas eminentemente regionais e de políticas públicas coletivas. Os prefeitos mantêm uma pauta de discussão numa mão, mas, ao mesmo tempo, retiram os recursos aplicados esvaziando as possibilidades de integração e avanço com a outra.

O caminho da regionalidade foi sendo substituído pelo chauvinismo mais tosco e bruto e a síntese maior deste movimento é a eleição de Jair Bolsonaro para presidente. Vale lembrar que não estamos sós. Uma onda conservadora se abate mundo afora que aponta seus dedos em forma de arma para os segmentos mais vulneráveis da sociedade, além do discurso de Estado mínimo e redução de investimentos sociais.

O que esperar da UFABC nesse contexto? Que ela construa uma unidade regional que a política, seus representantes e as eleições não construíram? Seria pedir demais e nem é papel dela navegar por essa seara.

Somente uma mudança profunda na linha política regional poderia gerar uma nova coalizão de interesses e, a partir deles, buscar ampliar as relações com a UFABC e demais unidades universitárias da região.

Os prefeitos e as câmaras municipais têm a obrigação de buscar a regionalidade, não o contrário.

Debate Digital: defesa frágil 

de uma UFABC mais que inútil 

 DANIEL LIMA - 20/12/2018 

O professor Ricardo Alvarez fez da terceira rodada deste Debate Digital um festival de anacronismos em defesa de uma instituição sem a menor importância regional, porque inútil, arrogante e totalmente deslocada do desenvolvimentismo por si pobre e modorrento. Fosse moderna, não haveria dúvida de que a UFABC multiplicaria o protagonismo de uma regionalidade minguante.

Selecionar os pontos frágeis do arrazoado do acadêmico, também dirigente do PSOL de Santo André, é tarefa fácil, mas desafiadora. O limite regulamentar de mil palavras pode se tornar incompatível com a profusão de equívocos a desmascarar.

A ojeriza de Ricardo Alvarez ao empreendedorismo privado não surpreendente. O professor faz parte de uma agremiação partidária cuja ideologia sintetiza-se na figura caricata de Guilherme Boullos. A pífia votação do líder de ocupação de terras urbanas nas eleições presidenciais reproduz o quanto a sociedade despreza suas teses e ações que a pretexto de ajustes de direitos constitucionais, subvertem a ordem pública.

Messianismo radical 

Não vou me fixar no partidarismo e na ideologia de Ricardo Alvarez para dinamitar os parágrafos que esgrimiu com a profundidade e o conhecimento de alguém que se rivalizaria na brutalidade de insumos intelectuais com um Alexandre Frota de sinais trocados.

Não se sustenta como regra geral o messianismo do professor. Ele prega insuperável incompatibilidade entre empreendedorismo e universidade pública por conta de possibilidades de contravenções éticas dos primeiros. Tão perniciosas como as vantagens espúrias dos maus capitalistas, que temos às pencas inclusive na região sem que ninguém os combata, exceto este jornalista, são estripulias de instituições beneficiárias de fartos orçamentos públicos, gerados pela economia capitalista que o autor tanto execra. Aliás, não se conhece outra maneira de criar riqueza senão no regime capitalista. Exceto, e mesmo assim temporariamente, com custos elevadíssimos, quando os governos perdulários acionam a maquinaria da casa da moeda. 

Exemplo esclarecedor 

A revista Exame de duas semanas atrás mostra bem o quanto universidade e empreendedorismo desencadeiam benefícios à sociedade. O exemplo tratado pela Exame é comum no mundo inteiro. Novidade só mesmo nas universidades públicas brasileiras, irmãs siamesas em despudores corporativistas.

Escreveu a Exame que o professor da faculdade de Farmácia da Universidade de São Paulo, Humberto Gomes Ferraz, é autor, junto com o laboratório farmacêutico Biolab Sanus, de uma patente que permitiu criar o remédio contra enjoo Vonau Flash. “Essa patente, sozinha, respondeu no ano passado por 58% de toda a receita de royalties da maior universidade do país. No total, as 1.299 patentes de todos os departamentos da USP renderam 2,49 milhões de reais; o Vonau Flash foi responsável por 1,44 milhão de reais desse montante. E os números devem crescer” – escreveu Exame.

Não vou me estender sobre a reportagem da Exame. O mundo inteiro convergiu para uma aliança de responsabilidade social e ganhos econômicos entre academia e empresas privadas.

Mesmo apertado, vou tentar chegar ao máximo de contraposições, além do núcleo já mencionado e esmiuçado. O professor coloca em dúvida a capacidade de redução de desigualdade e da pobreza na esteira do capitalismo. Exemplos internacionais históricos tratam de demolir esse preconceito. Mais: peguem dados sociais deste País, em variáveis imensas, e observem a localização mais incidente da pobreza e da desigualdade.

Estado gera desigualdade 

O Brasil é desigual em larga margem porque o Estado corrupto e desorganizado, muitas vezes em parceria com empresários amigos, é obstáculo quase intransponível. Onde o capitalismo sem vícios maiores se manifesta, a riqueza se espraia. O Grande ABC só não é um imenso Nordeste porque o capitalismo, bem ou mal, aqui se plantou. Fossem mais competentes os dirigentes do Estado em suas três dimensões, prefeituras, Estados e União, os resultados seriam muito melhores.

A defesa do enclausuramento acadêmico da UFABC é uma associação de escravagismo ideológico e acinte econômico. Uma relação próxima entre universidade e empreendedorismo na região não significaria submissão se o capital social com que sonhamos se manifestasse. Um capital social sem distorções movidas por interesses políticos, claro. Estado, Mercado e Sociedade cabem perfeitamente num mesmo compartimento mutuamente vigilante e cooperador.

Uma das características do texto do professor Alvarez é colocar no mesmo saco de gatos de interpretação o capitalismo produtivo e o capitalismo financeiro. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Aliás, o capitalismo financeiro tem muito mais a ver com o Estado inchado e ineficiente.

Capitalismo financeiro 

Grande parcela dos ganhos financeiros neste País resultam do esfacelamento das contas públicas, entre outras razões porque o funcionalismo público, especialmente o federal, é um dos principais agentes de desigualdades sociais. O estrabismo esquerdista não deixa o professor enxergar o principal, nem o complementar.

Pergunta o professor por que motivo o empresariado local não busca relação e apoio nas universidades e faculdades privadas. Sugere que não haveria resposta a um questionamento supostamente monolítico. Bobagem de quem comemora gol quando a bola bate na trave: da mesma forma que a maioria das universidades privadas se tornou balcão de negócios, em contraponto a incubadoras ideológicas das universidades públicas, pequenos empreendedores estiolados pelo Estado não têm recursos sequer para pensar em contratar pessoal, quanto mais a investir em produtividade.

Além disso, grandes empreendimentos da região, quase todos multinacionais, preferem buscar nas matrizes a base a novos produtos e serviços, ou, também, como mostram os números da USP, aproximando-se de instituições universitárias que começam a acordar do sono profundo do alheamento social, disfarçado de aversão ao capitalismo.

Chave do progresso 

O verniz social do professor Alvarez, que dá conta de que a produção de conhecimento é conquista civilizatória de toda a sociedade e seu foco está nos interesses e necessidades sociais coletivos e difusos e não privados, não passa de arrematada extravagância filosófica: o sincronismo entre social e econômico que as relações mais sensíveis entre universidade e empreendedores no mundo inteiro cultua é a chave de ignição ao progresso

Um progresso que será expandido amplamente também aos vetores sociais com a quebra de barreiras de desigualdades e pobrezas na medida em que o Estado for menos ladrão e mais responsável com os recursos orçamentários de fontes empreendedoras que geram riqueza com produção e serviços, não com impostos agressivamente arrecadados.

Já passou da hora da direção da Universidade Pública do Grande ABC, entre outras obrigações sociais, tentar explicar as razões de estar na última fileira de empregabilidade dos alunos, conforme destaca o Ranking Universitário Folha. Uma colocação bem distante da liderança da USP que, como se sabe, ainda é aprendiz em empreendedorismo consorciado.

Debate Digital: UFABC vai 

além dos próprios limites 

 RICARDO ALVAREZ - 15/01/2019 

Seguindo no debate sobre a Universidade Federal do ABC, rabisco algumas ideias que servem de aprofundamento do texto anterior, mas, ao mesmo tempo, busca esticar o elástico do texto-resposta de Daniel Lima.

Adjetivar minha militância e posições políticas é motivo de orgulho. Não me sinto atacado ou mesmo vilipendiado quando sou associado a posições anticapitalista. Sinal de reconhecimento.

Daniel usa óculos de análise cujas lentes, de resto, afeta a compreensão de grande parte dos jornalistas em especial da grande mídia. Mas não se resume a eles.

O capitalismo é o mantra irrefutável da condição humana em seu estágio máximo de progresso. Nada existiu antes como ele e nada existirá depois dele, uma vez que o ápice foi atingido. Esta tese já foi exaustivamente debatida nos anos com a queda do muro de Berlim, amplamente criticado pelos liberais de capital ou de ideias.

Sem fundamentação

Francis Fukuyama, inclusive, levantou fortuna com o livro "Fim da História", no qual se apoiava em Hegel para envernizar sua surrada tese de que a vitória do capitalismo seria a consolidação final do processo evolutivo civilizatória da humanidade.

Evidente que essa tese carece de fundamento. Ele abandonou suas intempéries acadêmicas nessa seara para escrever sobre a crise do aquecimento global. Fez bem.

O que os doutos liberalizantes não explicam é como nos últimos 20 anos, no mundo, a concentração de renda, a riqueza e o patrimônio tornaram-se tão concentrados. A explicação é que o capital tem esse comportamento no seu DNA. Não são os capitalistas ruins ou bons, são apenas capitalistas cumprindo a sina para a qual foram designados.

Estado dá vida

Não parece ser tão difícil de entender que o Estado é a forma pela qual a distribuição vai ganhar vida, pois se depender dos capitalistas sobra apenas bondade, filantropia e apegos morais. Insuficientes e desnecessários, numa lógica de construção nacional e de projeto de país.

Dito isso, encaixo a UFABC neste contexto. Mas, antes dela, levanto uma questão que não recebeu explicações devidas. Se o mercado é o máximo da organização humana e o capitalismo o estágio último de evolução da sociedade, por que as universidades privadas, vendedoras de diplomas, pagadoras de péssimos salários, distantes da pesquisa e da extensão, com cargas de aula reduzidas e sem um papel social, senão o de encher os bolsos de seus proprietários, que muitas vezes nem da área de educação são, não servem como exemplo ao Sr. Daniel Lima?

Eu sei a resposta, mas poderia haver ao menos uma menção. As baterias se voltam com uma universidade de gabarito, titulada, muito procurada pelos vestibulandos e de ótima reputação, mas as fábricas de diplomas são poupadas estrategicamente, pois desmontam, na prática, o discurso da infalibilidade do mercado e da incompetência do Estado.

Estado corrupto?

Outra questão a ser pensada: associar o Estado à corrupção é uma demonstração de desconhecimento histórico do tratamento do assunto. A análise de como o tema é trabalhado na sociedade mostra que sua vida e oscilações correspondem a interesses políticos e não motivado por princípios éticos ou morais. 

Lembremos que Getúlio Vargas, JK, Lula e Dilma foram intensamente atacados. Governos Militares, FHC e o próprio Temer não tiveram o mesmo tratamento, embora ela rolasse intensa. Nem é preciso dizer que ela existiu em todos os governos no século XX e XXI, mas não é disso que estou tratando.

Resumir os problemas do Estado à corrupção na gestão é colocar a discussão num patamar raso e ideologizado, num degrau abaixo.

A Federal do ABC deve sim se aproximar da sociedade, do poder público e da região. Não questiono isso. O que me intriga é o bombardeio contra ela e o silêncio nas privadas que são, em verdade, o símbolo maior do que se almeja com privatizações. Em outras palavras, seria recuar no tempo e na história. Apesar que em tempos de Bolsonaro e ministros lunáticos e fanáticos nada mais soa como loucura, pois ela chegou ao poder central.

Defendo a estatização completa da educação brasileira em todos os níveis. A eliminação do analfabetismo e a valorização da carreira do magistério. Defendo ainda a liberdade de discussão política e de educação sexual. Eis a chave da retomada do crescimento econômico. Não será a educação a fazer isso sozinha, mas passa necessariamente por ela.

A UFABC tem um papel a desempenhar nesse sentido, mas cabe ao Estado fomentar.

Debate Digital: professor 

encalacrado atira a esmo 

 DANIEL LIMA - 19/03/2019 

Desesperado por não encontrar um fiapo sequer de argumento consistente em defesa do indefensável – ou seja, a UFABC é uma fraude regional no campo econômico – o professor Ricardo Alvarez, meu debatedor, escorregou na casca de banana de um emaranhado de tergiversações. Fosse eu o que ele é, ou seja, oponente em ideias, me sentiria igualmente à deriva. A UFABC é uma causa perdida.

As únicas pegadas desse monstro como prova de regionalidade de atuação se esgotam no entorno de furtos e roubos denunciados por alunos e professores. Nesse ponto, a UFABC está mais que institucionalizada regionalmente. Aliás, nada diferente do que se observa nas salas de aulas. Ali, roubam-se e furtam-se sonhos de empregabilidade, que é o que interessa.

Possivelmente não teria o mesmo comportamento argumentativo errático do professor diante dessa troca de ideias. Não perderia o foco. Aquartelado na fragilidade de sustentação a algo sem consistência, teria jogado a toalha com humildade.

Ricardo Alvarez, um combativo esquerdista, desses que lançam boias em defesa do Estado Poderoso como a salvação da lavoura econômica, ética e social, não apenas como uma parte da engrenagem civilizatória, prefere morrer em combate. Como se já não estivesse morto a partir dos primeiros parágrafos na primeira rodada.

Fugindo da raia

Como Alvarez ainda tem uma rodada para cavoucar alguma coisa que honre a camisa da Universidade Federal do Grande ABC na jamais perpetrada institucionalidade regional no campo econômico (e em tantas outras áreas), espero que deixe de ser uma metralhadora giratória temática e, finalmente, entenda o centro desse debate. Entender provavelmente ele entenda. O que tenta, no fundo, é fugir da raia.

Ou seja: Alvarez deveria jogar fora, porque fora de lugar está, qualquer argumento distante da questão básica deste Debate Digital, ou seja, e insisto na questão: o alheamento da UFABC nas questões econômicas da região.

Não pretendo ser repetitivo sobre o que chamaria de calcanhar de Aquiles da UFABC. A instituição é sanguessuga regional há mais de uma década. É o resultado deformado de uma fornada socialista que nenhum País minimamente desenvolvido adota. A UFABC vive no mundo da lua do mundo teórico.

O professor Alvarez sabe disso. Tanto sabe que não encontrou um único exemplo sequer nas quatro rodadas em que se manifestou que colocasse a UFABC na linha de frente, ou mesmo na linha auxiliar, de ações regionais.

Prefere o professor sempre mais preocupado em combater adversários ideológicos verdadeiros e imagináveis derivar o debate a temáticas alheias ao fulcro da base desse trabalho jornalístico.

Ignorando o principal

Escreveu na rodada anterior sobre os exóticos ministros do governo Jair Bolsonaro, sobre o mercantilismo das universidades privadas, sobre um liberalismo extremista que já está sendo questionado e metabolizado no mundo civilizado, sobre a prevalência hierárquica do Estado na correção de rota da UFABC e sobre tantas outras coisas que não passam mesmo de coisas quando o principal é subestimado, quando não esquecido.

Chamo a atenção dos leitores para que vasculhem cada parágrafo do professor Ricardo Alvarez no texto da rodada número quadro deste Debate Digital.

Verifiquem com os próprios olhos e mente o quanto a instituição sem qualquer relação substantiva com a sociedade regional é protagonista direta ou indireta dos parágrafos que tentam dar sustentação a uma ideia cujo desfecho está consumado em evidente fuga do objetivo principal.

Ricardo Alvarez é desses profissionais acadêmicos que não largam o osso de uma ideologia retrógrada que, não por acaso, dá guarida ao MST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto) e tantas outras quinquilharias filosóficas que não se mantêm de pé sem o dinheiro muitas vezes espúrio do Estado provedor e doutrinador de ideais igualmente sabotadores da cidadania empreendedora.

Contramão da sociedade

Alvarez está na contramão de estudos inclusive de institutos dito socialistas que constataram o desejo das populações de periferias em ter o próprio negócio. Para o professor, o Estado é a expressão máxima da cidadania e o capitalismo é um mal a ser combatido. À falta de equilíbrio entre Estado, Mercado e Sociedade, adivinhe quem dá as cartas?  Basta ver o Brasil entregue pela Nova República.

A UFABC é um reduto esquerdista sem preocupação com a sociedade regional. Os índices de inserção econômica local, em forma de empregabilidade, são deploráveis. Como já escrevi tantas vezes, a UFABC é uma fábrica de manequins para exportação e um deserto de centroavantes para uso interno.

Explico: não fossem os trabalhos teóricos muitos dos quais sem preocupação com o pragmatismo de resultados em favor da sociedade, a UFABC despencaria em qualquer ranking de medição de competitividade. O exibicionismo corporativo prevalece sobre resultados práticos, de políticas públicas não partidárias e ideológicas.

O professor Ricardo Alvarez sabe disso e muito mais, claro, e considera esse o foco apropriado à universidade pública. O mundo civilizado e progressista no sentido mais amplo da expressão já jogou no lixo essa baboseira há muito tempo.

Origem é o Estado

Quando ataca as universidades privadas, cobrando do debatedor abordagem específica, o professor Ricardo Alvarez usa a velha tática de deslocar o ponto nuclear de um debate a uma direção que supostamente lhe conviria. Aí é que está enganado, mais uma vez. Ao direcionar as fragilidades mais que conhecidas do Ensino Superior privado, o professor da Fundação Santo André e integrante do PSOL deixa escapar dois flancos que o derrubam de vez.

Primeiro flanco: em situações normais, não de intervenção estatal espúria, as escolas particulares não vivem de dinheiro público como as escolas públicas; portanto, estão no mercado por conta e risco, submetidas ao escrutínio dos alunos.

Segundo flanco: se as universidades privadas estão distantes do exigido para que o País não siga construindo um fosso entre a modernidade e o obsoletismo funcional do mercado de trabalho (é disso que estamos tratando como pauta central), a responsabilidade maior é do Estado que o professor tanto defende, porque é o Estado centralizador que expede licenças ao funcionamento de arapucas de ensino.

Farra de universidades

Aliás, foi no período do governo Lula da Silva que se deu a maior incidência relativa de autorizações às fábricas de diplomas – sem contar a farra de financiamentos a grupos de interesses próximos ao governo.

Uma Lava Jato da Educação, como se anuncia, rivalizaria o resultado com as falcatruas na Petrobras e em tantas outras peças do corolário estatal dominado pela engenharia de corrupção que abalou o País e torna inconsolável todos os vagabundos éticos.

Aliás, mais uma vez contraditório, o professor expressa descuidadamente, porque conflitiva com seus próprios enunciados, essa epidêmica depravação do Estado sem controle ao se referir aos governos que antecederam os recentemente desmascarados pela Operação Lava Jato.

Ricardo Alvarez, repito, tem mais uma rodada para tentar responder ao que propusemos neste Debate Digital. Por que a UFABC é tão insensível à geografia regional, acumulando ano a ano avaliação desprezível no Ranking Universitário da Folha, porque simplesmente o mercado de trabalho não a reconhece como agente de atenção ao Desenvolvimento Econômico?



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