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Política

Valerá a pena Ailton Lima
contar com Aidan Ravin?

DANIEL LIMA - 24/07/2020

Há dois pesos pesados que fragilizam a candidatura do pequeno empresário Ailton Lima à Prefeitura de Santo André. A ótica interpretativa é dos oposicionistas. E também de quem tem juízo no lugar. Mesmo que juízo no lugar signifique flertar com o risco de engano. Isso quer dizer que os dois pesos pesados podem ser menos pesados que as supostas vantagens. Trata-se de Aidan Ravin como companheiro de chapa de Ailton Lima.

Um peso a debilitar a candidatura de Ailton Lima é o passado de complicações administrativas de Aidan Ravin. A doutora criminal da 2ª Vara de Santo André pespegou no ex-prefeito duas décadas de prisão por conta de escândalos no Semasa. Aidan e uma turma grande foram duramente sentenciados.

Tudo isso é primeira instância. No caso do Judiciário, primeira instância não quer dizer tudo, embora haja controvérsia sobre isso. Em muitos casos a primeira instância é a porta do inferno. A segunda instância é o próprio inferno. Em outros casos nem a primeira nem a segunda têm qualquer relação com o inferno. Estão mais para o paraíso da impunidade.

Do ponto de vista eleitoral, a decisão da juíza de Santo André é sentença transitada em julgado. Ou seja: vale-tudo para desclassificar Aidan Ravin como companhia idônea e ilibada.

Oposição preparada

A oposição vai bater duro. E quando a oposição bate duro, oposição significa também situação. No caso, a candidatura de Paulinho Serra. Dependendo do andar da carruagem das pesquisas eleitorais privadas ou públicas, o peso de Aidan Ravin vai aumentar de cotação como elemento a ser diagnosticado como complicador.

Fosse Ailton Lima (do qual sou parente apenas no sobrenome) iria pensar mil vezes sobre essa projeção. Acho que quem pretende tornar a chapa vulnerável não vai perdoar Aidan Ravin.

Nem mesmo a condição de convalescente do Coronavírus. Fosse desta para outra (o que felizmente o poderoso não quis), a alternativa de a chapa ser ocupada pela mulher de Aidan Ravin se travestiria de uma jogada e tanto.

Fila de hipócritas

Tem gente hipócrita que não gosta que faça menção sobre essa possibilidade que, até outro dia todos, comentavam sem pudor. O que se pode fazer quando se prefere tapar o sol do politicamente correto com a peneira da falta de coragem? Há quem prefira dizer que o caso seria de falta de elegância ética.

O segundo peso pesado a impactar Aidan Ravin e por extensão a segunda chapa supostamente mais competitivo rumo as eleições em Santo André, claro, são as sequelas que o vírus chinês deixaram no corpanzil do ex-prefeito, a zebra de branco das eleições de 2008 contra Vanderlei Siraque.

Há informações que dão conta de que Aidan Ravin vai demorar um bocado para recuperar a mobilidade física que o levaria ao eleitorado da periferia que tanto o aprova. Aidan Ravin estaria fora de combate. Se é bom no corpo a corpo, mas está sem corpo apropriado para as batalhas diárias de caminhadas e interlocuções sem fim, de que seria útil a candidatura de Aidan Ravin?

A pergunta também é pertinente e de baixa carga de simpatia, por assim dizer, mas deve ser feita publicamente. Se não o fazem, faço eu. É para isso que existe jornalismo. Ser profissional de comunicação é uma segunda roupagem espiritual. A primeira, da pessoa física, é por natureza discreta e sensível. Por isso vamos em frente.

Duplo peso negativo

Então, resumindo a ópera eleitoral, Aidan Ravin pesa duplamente de forma negativa: quer como passado à frente da Prefeitura de Santo André em forma de legado moral (conforme decisão do Judiciário que, não esqueçam, os adversários vão relembrar a cada minuto) quer como remanescente vitorioso, mas debilitadíssimo no combate pessoal ao vírus chinês.

O que me pergunto é sobre o contrapeso do carisma de Aidan Ravin, eventualmente superior ao peso duplo.

Será que Aidan Ravin mesmo baleado pela Justiça Criminal e mesmo duramente sequestrado pelo vírus chinês terá peso positivo maior como companheiro de chapa de Ailton Lima porque subsistiria em dose mais robusta devido a facilidade que tem para dominar as pessoas com o olhar e as palavras de quem nasceu com algo especial às relações humanas?

Mesmo que esse apetrechamento esteja fora de combate? Aidan Ravin seria tão poderoso como imagem de empatia caso não possa sair às ruas. As redes sociais seriam suficientes?

Questionamento interno

Há informações que dão conta de que a parceria de Aidan Ravin estaria sendo questionada por estrategistas de Ailton Lima. É uma parada insana chegar a qualquer conclusão sem pesquisas qualitativas que desembaracem o novelo de interrogações primárias e secundárias.

Fosse nas eleições de 2016, quando a Lava Jato estava com a corda toda e o juiz Sérgio Moro não se tinha lançado na política, onde se deu mal e parece que seguirá nessa trilha, a sentença de primeira instância seria batom na cueca na vida de Aidan Ravin.

Hoje a situação é diferente. Haveria impacto, mas nem tanto assim. Resta saber o quanto seria esse “nem tanto assim”.

O que sei é que os opositores torcem por Aidan Ravin junto com Ailton Lima. Indo às ruas ou amargando a recuperação domiciliar. Política é um jogo cruel. Não vão incomodar a candidatura de Ailton Lima se as pesquisas desprestigiarem a dupla. Mas ao menor sinal de que há ameaça, um turbilhão será acionado.

Mulher poderosa

Dizem que a mulher de Ainda Ravin é um avião político. Mal a conheço de tempos passados, num restaurante ao qual há muito tempo não vou. Denise Ravin mudou o figurino físico como o marido bariátrico, é simpática como o marido, sofreu muito com o vírus chinês por ver o marido atingido, mas Denise Ravin não tem o passado de problemas do marido.

Será que Denise Ravin seria a substituição indicada para ocupar o lugar de Aidan Ravin na chapa de Ailton Lima?

Fosse Ailton Lima, não teria dúvida em trocar o Ravin de vice-prefeito. Bater em mulher por conta do marido não pega bem nestes tempos tão complexos em comportamento social.

Ailton Lima ainda tem tempo de indicar aos demais competidores em Santo André se está mesmo decidido a não mexer em time que pretende ganhar ou se vai mesmo mexer em time que pretende ganhar, mas que não ganharia com um buraco tão grande na linha defensiva.



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