Entrevista Indesejada

Mindrisz renega Xangola, exige
condicionalidades e ganha prazo

  DANIEL LIMA - 08/04/2013

A revista digital CapitalSocial esticou até a próxima segunda-feira, 15 de abril, o prazo para o presidente da Fundação do ABC, Mauricio Xangola Mindrisz, responder à Entrevista Indesejada, enviada na última segunda-feira, 1º de abril. O prazo inicial vence nesta segunda-feira, oito de abril. Maurício Xangola enviou quinta-feira correspondência pelos Correios interpondo condicionalidades à apresentação de respostas que a comunidade espera de uma instituição pública sustentada pelas prefeituras de Santo André, São Bernardo e São Caetano com recursos do SUS (Sistema Único de Saúde).

 

CapitalSocial vai reproduzir na sequência a carta assinada por Mauricio Xangola Mindrisz com as respectivas considerações que determinaram o esticamento do prazo às respostas. Por conta do posicionamento de Maurício Xangola Mindrisz, aparentemente irredutível, CapitalSocial desconfia da possibilidade de o dirigente engrossar a escassa lista de agentes com atuação na Província do Grande ABC dispostos a participar de Entrevista Indesejada. Essa pasta editorial é mesmo indigesta, mas não poderia ser diferente, porque incorpora questões normalmente incômodas. Prevalece o que poderia ser chamado de jornalismo consensual nem sempre preenchedor das demandas por informações.

 

Os primeiros parágrafos do documento assinado por Maurício Xangola Mindrisz e enviado a CapitalSocial:

 

 A Fundação do ABC, inscrita no CNPJ: 57.571.275/0001-00, por meio de seu Presidente vem apresentar a V. Sa nossas manifestações acerca de colocações feitas no site Capital Social, que chegaram a nosso conhecimento por terceiros, mas que podem ser respondidas, com a maior tranquilidade do mundo, porque, mesmo tendo como motivo questões pessoais e não sociais, acabam colaborando para que algum eventual leitor informe-se adequadamente sobre a Fundação do ABC. Ou seja, possíveis respostas terão utilidade.

 

As primeiras considerações de CapitalSocial:

 

 Maurício Xangola Mindrisz não reproduz a realidade dos fatos quando se refere ao não recebimento de Entrevista Indesejada. Cópias do texto que consta desta revista digital foram encaminhadas aos endereços eletrônicos corporativo e pessoal do presidente da Fundação ABC. Um especialista em peritagem computacional dirimirá qualquer dúvida. Também o assessor de imprensa de Xangola, jornalista Joaquim Alessi, recebeu cópia no endereço eletrônico que consta do site da Fundação do ABC. Quanto à possibilidade de “eventual leitor” informar-se sobre as respostas de Xangola, também está disponível à peritagem a estrutura tecnológica, bem como os registros efetivos, de emissão de chamadas dos textos desta publicação. O sistema atinge, diariamente, perto de 168 mil leitores que trabalham ou moram na Província do Grande ABC. Ou seja, a tiragem original desta publicação eletrônico é compartilhada potencialmente por um universo amplo de leitores. Maurício Xangola Mindrisz possivelmente se prenda ao jornalismo de papel como ferramenta exclusiva de comunicação. Deveria, portanto, se informar sobre a reviravolta de plataformas digitais.

 

Os novos parágrafos do documento de Mauricio Xangola Mindrisz:

 

 Para responder neste espaço, porém, de forma respeitosa, como sempre o fizemos, necessitamos, como contrapartida, do mesmo respeito. Que começa pela não utilização da estratégia de baixíssimo nível de chamar o interlocutor pelo apelido. Maurício Marcos Mindrisz só admite ser tratado por apelido pelos amigos, o que não é o caso do jornalista. Ademais, o próprio jornalista sempre criticou duramente colegas da chamada grande imprensa, acusando-os de utilizar outro apelido para denegrir a imagem de personagem envolvida no chamado caso Celso Daniel. Causa estranheza, portanto, que o mesmo, hoje, num momento de “ira pessoal”, tente usar o apelido do presidente da Fundação do ABC de forma preconceituosa e pejorativa, com o claro intuito de tentar manchar sua reputação e moral. Assim sendo, todas as questões poderão ser respondidas, desde que haja esse compromisso expresso de cessar de vez essa forma desrespeitosa de tratamento.

 

As novas considerações de CapitalSocial:

 

 Não há a menor possibilidade de contrapartida coercitiva de supressão de Xangola, sobretudo porque essa identidade faz parte de sua personalidade pessoal em âmbito público. Tanto faz que não se trata de atribuição aleatória e de via única desse interlocutor em relação a ele, mas principalmente dele em relação a interlocutores. Maurício Mindrisz é o principal disseminador de Xangola. Talvez só lhe falte distribuir cartões de visita com o apelido impresso, porque até em endereço eletrônico demarca o acompanhamento nominativo. A diferença entre “Changola” de Mauricio Mindrisz é apenas de grafia em relação a “Xangola” de CapitalSocial. Esta publicação adotou Xangola por avaliar o verbete esteticamente mais agradável como casamento de letras e mais compatível com a sonoridade. Não existe na língua portuguesa etimologia que remeta a Xangola. O ineditismo provavelmente seja reflexo da criatividade fonética do titular do apelido. Este jornalista tem correspondência pessoal e profissional mantida com Mauricio Xangola Mindrisz na versão “Changola”, o que pressupõe uma amizade provavelmente unilateral rompida também unilateralmente por conta de Entrevista Indesejada. Já com relação à acusação de suposta incoerência deste jornalista no uso de apelidos, citando-se o caso Celso Daniel, trata-se de puro oportunismo defensivo de Maurício Xangola Mindrisz. Ele se refere, embora prefira se omitir sobre o tema, a Sérgio Gomes da Silva, inocente segundo a Polícia Civil e a Polícia Federal, no caso do assassinato de Celso Daniel. Sérgio Gomes da Silva foi apelidado de “Sombra” pelo Ministério Público deliberadamente para incriminá-lo como mandante do crime. Sérgio Gomes da Silva jamais se atribuiu “Sombra” nem entre amigos íntimos, rol do qual, até o incidente que gerou o caso Celso Daniel, este jornalista não fazia parte. Foram adversários e acusadores que carimbaram Sérgio Gomes da Silva como “Sombra”, com o propósito de estigmatizá-lo na mídia e torná-lo mais factível à empreitada contestada por forças policiais do Estado e da União. Portanto, a diferença entre “Sombra” e “Xangola” é que ao primeiro foi discricionariamente imposto uma mancha nominativa para remetê-lo ao noticiário policial, enquanto “Xangola” é um apêndice autoproclamado pelo reclamante sem se dar conta de que, como o cachimbo faz a boca torta, acabou minimizando o peso do próprio nome batismal. CapitalSocial poderia simplesmente referir-se ao presidente da Fundação do ABC como “Xangola”, mas respeita os adereços nominativos originais. A semântica ou a objetividade fática de brilho ou opacidade de “Xangola”, entende CapitalSocial, é subproduto dos atos do titular da marca. Talvez dada a longevidade, de Maurício Mauro Mindrisz e de Xangola, se instale uma dúvida cruel, a mesma a queimar as pestanas de quem quer saber quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha. Por isso mesmo a melhor solução é associar uma marca à outra. Sobre bobagem de observar essa ação jornalística como fruto de “questões pessoais” e sob o efeito de “ira pessoal”, ninguém melhor que os leitores para julgar tanto os questionamentos como eventuais respostas do que os leitores. Talvez a única palavra à qual o titular da Fundação do ABC pudesse ter plena razão em remeter à pessoalidade de tratamento seja “tricolinagem”, referência ao clube de coração de Xangola, um grande clube por sinal, dos melhores do País. Mas, pensando bem, nem mesmo nesse ponto é possível extrair qualquer cunho que retire do contexto corporativo, social e econômico a Entrevista Indesejada à espera de respostas. Afinal, Maurício Xangola Mindrisz faz da monotemática tricolinagem uma bengala de relacionamento interpessoal que cansa até mesmo parceiros de paixão.

 

Novas manifestações de Maurício Xangola Mindrisz:

 

 Além disso, as respostas também serão encaminhadas desde que haja o compromisso expresso de que serão publicadas na íntegra, sem edições ou manipulações.

 

Resposta breve de CapitalSocial ao presidente da Fundação do ABC:

 

 Consulte mais detalhadamente seu assessor de Imprensa, Joaquim Alessi, com quem trabalhei no Diário do Grande ABC, sobre a intensidade do desrespeito implícito na solicitação. Ele lhe responderá o que todos que conviveram profissionalmente com este jornalista sabem de cor e salteado: não há nada que evoque mais cuidados do que a integridade das informações de terceiros, repassadas de forma impressa ou apenas verbalmente.

 

O complemento da carta de Maurício Xangola Mindrisz:

 

 Aguardamos, por fim, uma manifestação sobre as condições aqui colocadas, e o envio formal dos e-mails com as perguntas, a fim de que possamos esclarecer de forma séria e responsável eventuais leitores deste site. Só após esse encaminhamento das questões, e cientes dos assuntos abordados, poderemos definir o tempo necessário para as respostas mais completas e pertinentes, razão pela qual fica, de antemão, impossível concordar com o prazo fixado em 8 de abril para esclarecimentos.

 

Considerações finais de CapitalSocial sobre esse tópico de Mauricio Xangola Mindrisz:

 

 Estamos esticando o prazo para manifestação do titular da Fundação do ABC até a próxima segunda-feira, 15 de abril, sem arredar pé da essência editorial de que o tratamento nominativo e outras especificidades do entrevistado são atribuições exclusivas de CapitalSocial tanto quanto o conjunto de respostas é de responsabilidade do entrevistado. Quando esse profissional de comunicação recorre a especialistas em Medicina, como ultimamente em checapes aos pedaços, quem decide pelos exames e por eventuais terapêuticas são os médicos. Por ser a forma de envio de e-mail também uma especificidade jornalística, adotada por todos os veículos de comunicação, seguiremos em frente ao acrescentar as questões de Entrevista Indesejada. Esse é o procedimento elementar que será colocado à disposição de todos os leitores, em muito maior número do que o que especula Maurício Xangola Mindrisz. Repetiremos, afinal, a iniciativa da semana passada. Caixa postal eletrônica existe exatamente para isso – para agilizar a comunicação numa sociedade que não tem tempo a perder com rituais burocráticos. Talvez por isso Maurício Xangola Mindrisz esteja às voltas com a contínua queda de eficiência administrativa, financeira e econômica da Fundação do ABC.

 

Eis as questões enviadas ao presidente da FUABC:

 

CapitalSocial -- Como o senhor explica a doação considerada irregular de R$ 20 milhões da Fundação do ABC à Faculdade de Medicina do ABC, em 2011, para tapar o rombo de uma instituição de ensino utilizando linha de empréstimo destinada exclusivamente à saúde?

 

Mauricio Xangola Mindrisz –

 

CapitalSocial -- A aprovação dessa doação passou pelo Conselho Curador sem qualquer tipo de restrição ou houve votação mesmo que minoritária em contrário?

 

Mauricio Xangola Mindrisz –

 

CapitalSocial -- Como o senhor avalia a informação de conselheiros que o colocam como bastante vulnerável às pressões de dirigentes da Faculdade de Medicina? Eles afirmam que foi lhe imposta resistência ao comando da FUABC, a ponto de negociarem a doação daqueles recursos como uma maneira de contornar as adversidades.

 

Maurício Xangola Mindrisz --

 

CapitalSocial -- O senhor acredita que o formato do Conselho Curador assegura legitimidade de cidadania no controle da Fundação do ABC, tendo-se em vista que mesmo conselheiros efetivos afirmam que se trata de cartas marcadas, de um jogo de encenação apenas para homologar decisões já tomadas pela presidência – como por exemplo nomeações de superintendentes e criação de cargos?

 

Maurício Xangola Mindrisz –

 

CapitalSocial -- O senhor fez alguma tentativa para incorporar ao Conselho Curador novos representantes da sociedade menos suscetíveis ao jogo de interesses políticos, partidários e administrativos dos municípios diretamente envolvidos na Fundação do ABC e das chamadas entidades mantidas?

 

Maurício Xangola Mindrisz --

 

CapitalSocial -- O senhor acredita que com eventual participação de outros municípios onde a FUABC presta serviços, como se pretende, mudará alguma situação no figurino de representatividade e efetividade do Conselho?

 

Maurício Xangola Mindrisz –

 

CapitalSocial -- O plano de São Bernardo perpetuar-se no gerenciamento da Fundação do ABC, estando na presidência ou na vice-presidência, desconsiderando, portanto, a fórmula de rodízio que prevaleceu durante anos, é uma maneira de proteger os interesses do Município ou, como alegam os oposicionistas, não passa de ação deliberadamente voltada a dar continuidade ao controle dos cordéis políticos, partidários e financeiros da instituição?

 

Maurício Xangola Mindrisz –

 

CapitalSocial -- Como o senhor analisa a avaliação de especialistas em FUABC de que o modelo tripartite de regionalidade administrativa só segue adiante há muito tempo porque há concessões mútuas que abrem as portas a irregularidades no gerenciamento de recursos financeiros, sem contar, entre outros pontos, os mananciais de empreguismo que não resistiriam a uma vistoria pelos nomes na folha salarial? E o que dizer do corporativismo médico, cada um criando seu próprio feudo e jogo de influências, além da despreocupação com custos de serviços e de produtos, a ponto de cada mantida pagar preços e se relacionar de forma totalmente diferente com um mesmo fornecedor?

 

Maurício Xangola Mindrisz --

 

CapitalSocial -- O senhor diria sem medo de errar que há controle efetivo sobre a atuação da Central de Convênios, por onde passa a maior parte dos recursos financeiros administrados pela Fundação do ABC?

 

Maurício Xangola Mindrisz –

 

CapitalSocial -- Como o senhor interpreta a avaliação de que a Central de Convênios é um reduto fortíssimo do ex-prefeito Maurício Soares, de São Bernardo, cujo apoio à candidatura de Luiz Marinho à Prefeitura em 2008 foi decisivo à vitória? A filha do ex-prefeito seria a ponta de lança de uma operação que tem por finalidade instrumentalizar série de contrapartidas àquele apoio?

 

Mauricio Xangola Mindrisz –

 

CapitalSocial -- Os números do balanço de 2012 aprovado na reunião do Conselho Curador em fevereiro último apontam que os níveis de eficiência da FUABC baixaram profundamente desde que o senhor assumiu a presidência. O senhor assumiu com um índice de liquidez de 1,23 obtido em 2008, número que baixou drasticamente para 0,74 em dezembro último, ou seja, a FUABC não tem caixa suficiente para honrar compromissos financeiros. Os resultados estão ligados diretamente à negligência ou afrouxamento no cumprimento de compromissos das organizações contratantes dos serviços prestados pela FUABC. O senhor tem conduzido a instituição segundo princípios político-partidários em vez de estritamente administrativos ou há alguma explicação para o fato de não ter firmeza para exigir pagamentos dos prefeitos contratantes dentro dos limites de responsabilidades mútuas?

 

Mauricio Xangola Mindrisz –

 

CapitalSocial -- O senhor acredita que a Fundação do ABC resistiria a uma blitz da Promotoria de Fundações, organismo do Ministério Público que fiscaliza as atividades de instituições do gênero? As fragilidades internas de fiscalização, explicitadas nas reverências de grande parte do Conselho Curador, não seria um convite a desvios?

 

Maurício Xangola Mindrisz –

 

CapitalSocial -- O senhor acha uma boa ideia solicitar ao Ministério da Saúde, do petista Alexandre Padilha, o envio de uma força-tarefa republicana, como a que decidiu vasculhar algumas especialidades atendidas pela previdência complementar, de planos de saúde, para passar a Fundação do ABC a limpo em todos os setores e atividades e, dessa forma, eliminar todos os focos que estariam comprometendo os indicadores de eficiência no atendimento social, que é a síntese de sua atuação?

 

Maurício Xangola Mindrisz –

 

CapitalSocial -- Há um movimento de representantes dos Legislativos da região que visa, entre outros pontos, tornar as obscuras entranhas da Fundação do ABC objeto de transparência pública. Como o senhor interpreta essa iniciativa?

 

Maurício Xangola Mindrisz --

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