Regionalidade

Morando quer sugestões para
mudar trecho sul do Rodoanel

  DANIEL LIMA - 10/01/2017

Começou bem o novo prefeito dos prefeitos da Província do Grande ABC. Eleito para comandar São Bernardo nos próximos quatro anos, Orlando Morando me enviou uma mensagem ontem à tarde como novo titular do Clube dos Prefeitos. Como o assunto em questão é inicialmente o trecho sul do Rodoanel, Morando estaria interessado duplamente, como prefeito e como prefeito dos prefeitos. 

O prefeito de São Bernardo se manifestou por conta de artigo que escrevi outro dia sobre os transtornos provocados pelo Rodoanel à economia da região. Fomos barrados do baile da competitividade logística pela Grande Osasco. 

São Bernardo, afinal, está na linha do tiro que saiu pela culatra em forma de construção do traçado do Rodoanel Mario Covas na região. No primeiro dia de Clube dos Prefeitos, Morando já fez mais que todos os titulares anteriores, ou seja, mostrou-se disposto ao diálogo e à colaboração. Bom sinal, bom sinal.  Ao longo dos tempos o Clube dos Prefeitos se mostrou imperial. E se enfurnou numa enrascada de descaminhos sem fim. 

Foi só Orlando Morando disparar a mensagem para começar a esquadrinhar alguns pontos essenciais à reestruturação de uso e possivelmente do formato do trecho sul do Rodoanel. Carrego três cadernos para anotações diversas. Por exemplo: quando a pauta é o potencial de destrinchamento de questões relevantes nesta revista digital, tenho já um espaço pré-determinado.

Furando a fila

Uma releitura permanente me mantém conectado aos objetivos preliminarmente traçados. Na medida em que insiro novas pautas, é natural que pautas mais antigas e ainda não esmiuçadas sucumbam. É espécie de corrida de espermatozoide esse negócio de escrever sobre dois ou mais assuntos a cada dia útil quando há pelo menos cinco vezes mais questões na fila de espera. A ordem cronológica quase sempre é desrespeitada ao sabor das emergências. 

O trecho sul do Rodoanel é assunto mais que prioritário. É insubstituível. É uma agenda permanente. Deveria ser assim também para os sete homens que decidem o destino da região, como titulares do Clube dos Prefeitos. E é exatamente esse um ponto a destacar na resposta ao prefeito dos prefeitos Orlando Morando. Ou seja: o Rodoanel como um todo, e o trecho sul em particular, é problema emergencial para a Província do Grande ABC. 

Quem acompanhou os últimos dados que publicamos sobre o comportamento do PIB (Produto Interno Bruto) da região em comparação com a Grande Osasco, servidíssima pelo trecho oeste do Rodoanel, sabe que não estou a exagerar na dose. Já passou da hora de reagir. 

E nada melhor que a reação se dê sob a batuta do ex-deputado Orlando Morando. Ele, como chefe da comissão de transporte da Assembleia Legislativa, dedicou-se como poucos ao assunto. Há de se reconhecer limites constitucionais.  Os prefeitos da região, entretanto, pouco se lixaram para enquadrar o traçado além da geografia-limite de vários dos municípios locais. Desdenharam dos vetores econômicos sequestrados pelos ambientalistas. O rigor de separar economia e sustentabilidade ambiental em detrimento do desenvolvimento social é uma estupidez que só encontra eco em países apegados a conceitos sucateados. Há uma infinidade de exemplos no mundo inteiro a contestar conflitos de interesses irremediáveis. Se o Estado funcionar, tudo se resolve.  

Competitividade logística 

Não quero esticar muito esse assunto agora porque vou preparar sugestão que deverá ser levada em conta pelos Poder Executivo da região no âmbito do Clube dos Prefeitos. A âncora chama-se competitividade logística proporcionada pelo Rodoanel, mas que não se restringe ao Rodoanel. E competitividade logística é o que não contamos desde antes do anúncio desse traçado que circunda a Região Metropolitana de São Paulo. 

Não só não temos como perdemos largamente para outras áreas que já receberam investimentos. Sucumbimos escandalosamente porque não temos tido massa crítica para formular e encaminhar estudos, bem como cobrar respostas de outras esferas governamentais. 

O contexto econômico nacional com implicações muito mais graves no tecido regional jamais esteve tão favorável. Vivemos situação em que a região pode bradar rebeldia controlada e disfarçadamente diplomática a fim de colocar freios no contínuo esvaziamento industrial. O Rodoanel em sua extensão e, repito, particularmente no trecho sul, é elemento crucial dessa equação de repotencialização regional. Sozinho não vai fazer verão, embora possa atenuar o inverno que nos abate. 

Melhor esquina, nada 

A iniciativa do prefeito dos prefeitos Orlando Morando é espetacularmente democrática e sensível e por isso mesmo precisa virar um caldeirão de proposituras de quem entende do assunto para colocar o traçado do Rodoanel nos trilhos econômicos da região. 

Não temos nem sombra do que o governador Geraldo Alckmin um dia disse tratar-se da melhor esquina do Brasil. Longe disso. E o governador que pretende chegar à Presidência da República precisa ser informado. Todos que o aplaudiram e ainda hoje colocam a frase do governador no altar da valorização da Província do Grande ABC igualmente devem rever conceitos. O erro de diagnóstico não deve significar jamais novo pecado em forma de omissão à correção de rumo. 

A Província do Grande ABC foi duramente penalizada no setor de produção industrial com a chegada do Rodoanel à oeste da Região Metropolitana de São Paulo. Aquela região foi beneficiadíssima pelas especificidades de interconectividade do traçado que a contemplou, enquanto fomos esquartejados pelo trajeto sul tangencial de São Bernardo, Diadema, Mauá e Santo André. 

A Grande Osasco passou por cirurgia cardiológica que a catapultou a crescimento inimaginável.  A Província do Grande ABC sofreu um choque anafilático que a remeteu a uma Unidade de Terapia Intensiva. Como se já não tivéssemos problemas de sobra para encarar os concorrentes municipais e regionais da Grande São Paulo e do Interior do Estado. 

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