Economia

Grande Campinas dá surra no
PIB da Província na Era PT

  DANIEL LIMA - 12/05/2017

O PIB (Produto Interno Bruto) da Província do Grande ABC sofreu continuados reveses durante 12 dos 14 anos já apurados do governo federal petista, que vai do período de janeiro de 2003 a dezembro de 2014, segundo dados mais atualizados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) metabolizados por este jornalista. Quando forem revelados os danos de 2015 e 2016 o estrondo será maior ainda. A indústria automotiva fortemente indutora da economia regional sofreu duras perdas. No período de 12 anos o PIB da Grande Campinas cresceu assustadoramente muito mais. O que era superioridades de apenas 3,54% passou a ser vantagem de 23,64%. Estamos comendo poeira e arrotando peru. 

Comparar o desempenho dos sete municípios da região com outros territórios paulistas – e eventualmente brasileiros – é um dos meus compromissos preferidos. Já cansei de dizer e não custa repetir: confrontar os municípios da região com municípios da região é uma bobagem quando se pretende saber onde estamos em vários indicadores. Perder de goleada para a Grande Campinas é de lascar. E vamos continuar a perder. 

As diferenças territoriais e demográficas ajudam a explicar, apenas em parte. Tanto que nos anos 1990, quando a Grande Campinas também era maior que o conjunto dos municípios da região em território e em população, estávamos na dianteira. Isso quer dizer que estamos perdendo um jogo porque não fomos capazes de nos preparar para o futuro. 

Grande Campinas saltando 

A Grande Campinas era inicialmente formada por 19 municípios, mas incorporou a minúscula Morungaba -- o que não altera em nada as comparações históricas. Em 2003, quando Lula da Silva assumiu a presidência da República, o PIB nominal da Grande Campinas então com 19 municípios registrava em valores nominais (sem considerar a inflação) o total de R$ 36.095.92 bilhões. A Província do Grande ABC registrava R$ 34.817,50 bilhões. Uma diferença de 3,54%. Em 2014, a distância aumentou: a Grande Campinas saltou para R$ 157.410,859 bilhões, enquanto a Província chegou a R$ 120.190.949 bilhões. Em valores monetários, uma diferença de R$ 37.219.910 bilhões. Esse valor corresponde à quase totalidade da soma dos PIBs de Diadema, Mauá e São Caetano, respectivamente e em números redondos de R$ 13,9 bilhões, R$ 11,3 bilhões e R$ 16,1 bilhões. Em janeiro de 2002 a Grande Campinas contava com vantagem correspondente a 30% do PIB de Diadema.  

A distância entre o desempenho do PIB da Grande Campinas e o PIB da Província do Grande ABC aumenta continuamente desde a chegada do PT ao governo federal, mas vinha do passado, embora sem imprimir velocidade média semelhante. Faltam dados confiáveis do chamado PIB dos Municípios Brasileiros do período anterior ao ano 2000, por isso nos concentramos na disputa a partir do governo Lula da Silva e o último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002. 

Velocidades diferentes 

Em termos nominais, que não consideram a inflação, o PIB da Grande Campinas de 36.095.92 bilhões em dezembro de 2002 saltou para R$ 157.410.859 bilhões em dezembro de 2014. Já o PIB da Província do Grande ABC apontava R$ 34.817.50 bilhões e avançou para R$ 120.190.949 bilhões. O crescimento da Grande Campinas, sempre sem levar em conta a inflação do período, chegou a 336,10%% no período, contra 245,20%% da Província. 

Cada vez mais a importância relativa de Campinas no conjunto de 20 municípios da Grande Campinas perde força. O entorno da capital daquela região absorve cada vez mais investimentos e moradores porque, como a Capital de São Paulo (guardadas as devidas proporções de que São Paulo conta com população 10 vezes maior que Campinas) há níveis de exaustão da qualidade de vida típica das grandes cidades. Em 2002 a cidade de Campinas representava 41,28% do PIB da Grande Campinas. Já em 2014 o resultado é bem menos expressivo -- de 36,63%. 

Por isso, qualquer comparação entre o desempenho econômico (tanto de PIB quanto de Potencial de Consumo, por exemplo) dos municípios da Província do Grande ABC e a cidade de Campinas não exporá com fidelidade o movimento das pedras de desenvolvimento. Ao perder mais de cinco pontos percentuais de participação no PIB da Grande Campinas no acumulado de 12 anos a partir da chegada de Lula da Silva a Brasília, a cidade de Campinas dá mostras de que perde o fôlego de concentração de atratividade. Mas, mesmo assim, registra níveis bastante favoráveis de interesse. Os ganhos de Campinas com o fluxo de consumidores de municípios que o cercam são relativamente semelhantes aos de São Paulo com o entorno metropolitano. 

Números dos municípios 

Dos 20 municípios da Grande Campinas, seis ultrapassam a barreira de R$ 10 bilhões de PIB, segundo dados de 2014. Além de Campinas com R$ 57.673.309 bilhões, aparecem Americana (R$ 10.727.896 bilhões), Hortolândia (R$ 10.171.817 bilhões), Indaiatuba (R$ 12.058.634 bilhões), Paulínia (R$ 14.655.384 bilhões) e Sumaré (R$ 11.969.866 bilhões). Outros cinco municípios contam com PIB acima de R$ 5 bilhões, casos de Itatiba, Jaguariúna, Santa Bárbara do Oeste, Vinhedo e Valinhos. Entre R$ 1 bilhão e R$ 5 bilhões estão Cosmópolis, Monte Mor, Nova Odessa e Pedreira. Os demais (Arthur Nogueira, Engenheiro Coelho, Santo Antônio da Posse, Holambra e Morungaba) não alcançam R$ 1 bilhão.

A soma territorial dos 20 municípios da Grande Campinas é 4,5 vezes superior à área ocupada pelos sete municípios da Província do Grande ABC: são 3,8 milhões de quilômetros quadrados contra 840. Em termos populacionais a distância é bem inferior: a Grande Campinas reúne 3,150 milhões de habitantes, contra 2,750 milhões da Província. 

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