Entrevista Especial

Vejam o que preparamos para
Orlando Morando responder

  DANIEL LIMA - 22/05/2017

Estamos encaminhando hoje de manhã ao prefeito de São Bernardo e também prefeito dos prefeitos da Província do Grande ABC, o tucano Orlando Morando, nada menos que um bloco de 24 perguntas. Como antecipamos na semana passada, não incluímos questões que pudessem criar eventuais embaraços éticos ao ex-deputado estadual. Se o fizéssemos, não seria “Entrevista Especial”, mas sim “Entrevista Indesejada”. Mas, mesmo assim, os questionamentos são um oásis crítico no mar de generosidades jornalísticas da Imprensa da região. 

Desafiamos os leitores a encontrarem na maioria das manifestações do prefeito Orlando Morando, desde que assumiu os dois principais cargos Executivos na região, algo que se assemelhe em objetividade esclarecedora ao que propomos nesta Entrevista Especial. 

Entendemos que não existe melhor maneira de contribuir para a recuperação econômica e social da região senão estimular relação prospectiva com os dirigentes que comandam as prefeituras locais, entre tantas outras autoridades. 

O vaselinismo tradicional da Imprensa regional, semelhante ao que se encontra na Imprensa em geral, exceção aos principais veículos impressos do País, é uma das principais razões de o Brasil viver o que está vivendo, com a esculhambação mais que meritocrática da prática política. 

O que se segue e que será endereçado ao prefeito Orlando Morando nesta segunda-feira é o mais legítimo e nobre exercício de jornalismo -- de certo modo abominado na sempre falsa e adocicada Província. Aqui na Província o lugar comum é a santificação acrítica dos entrevistados, sejam quais forem os cargos que ocupem – até que uma Lava Jato, mesmo sem a penetração regional esperada (afinal, somos Província também para a força-tarefa federal) – coloque tudo no devido lugar. 

A Entrevista Especial com Orlando Morando é, portanto, um ponto fora da curva de relações-públicas comum na Imprensa regional. Por isso, igualmente, é uma oportunidade muito apropriada para o prefeito de São Bernardo manifestar-se com clareza, objetividade e responsabilidade social.

CapitalSocial – O trecho sul do Rodoanel teve no senhor, então deputado, o principal agente divulgador e propagador de efeitos extraordinários que se dariam no campo econômico em benefício da Província do Grande ABC. O que temos, passados muitos anos, é a comprovação material, estatística, formal, de que a obra, entre outros fatores, por conta de características funcionais, afugentou e transferiu investimentos. Já não passou da hora de discutir mudanças com instâncias do governo do Estado? A então chamada “melhor esquina do Brasil” se tornou uma fraude. 

Orlando Morando – 

CapitalSocial – O prefeito que o antecedeu, Luiz Marinho, deixou de herança, embora de forma ainda rarefeita, a expectativa de que São Bernardo teria uma unidade de indústria de defesa, no caso a fábrica de estruturas metálicas do Gripen, que centralizaria salto à geração de um polo do setor na região. Não há sequer uma só notícia que dê conta de preocupação do senhor com o assunto. O Gripen não lhe interessa, há fatores extra-região que recomendariam o distanciamento ou então o senhor não acredita que São Bernardo será contemplada com a fábrica dos caças suecos?

Orlando Morando – 

CapitalSocial – Seu antecessor deixou uma herança que chamaríamos de muito preocupante no uso e ocupação do solo. Trata-se dos chamados Cepacs, aprovados e ao que se informa ainda não tornados efetivos. Em suma, haveria superocupação do tecido espacial de São Bernardo, a favorecer fortemente grandes incorporadoras. O senhor pensa em revogar aquela legislação?

Orlando Morando – 

CapitalSocial – A situação econômica de São Bernardo, por si só e também quando contraposta a inúmeros municípios paulistas, distancia-se do mínimo de tranquilidade. Perde competitividade a olhos vistos, com consequências sociais desgastantes. Como entender que o senhor compreende mesmo a situação se não conta com uma Secretaria de Desenvolvimento Econômico apetrechada a enfrentamentos que exigem iniciativas vigorosas? Tanto é verdade que há descompasso entre a realidade e os instrumentos que o senhor preparou a ponto de praticamente não existir noticiário sobre a economia de São Bernardo, em forma de reação organizada.

Orlando Morando – 

CapitalSocial – O então prefeito William Dib, num dos mandados, tentou e não conseguiu harmonizar dentro do possível as relações entre capital e trabalho em São Bernardo. Encontrou barreiras esperadas de um lado que não abre mão de chamadas conquistas trabalhistas e de outro que prefere transferir os negócios a outros endereços no País a se desgastar em contendas que pareçam impraticáveis. O senhor projeta alguma iniciativa para tornar a relação capital e trabalho menos traumática em São Bernardo ou acredita no marketing de que o relacionamento melhorou muito nos últimos anos e, portanto, não carece de iniciativas nesse sentido?

Orlando Morando – 

CapitalSocial – O senhor pensou alguma vez em reduzir os níveis de demissões industriais em São Bernardo, as mais altas do País? Nos últimos 12meses, por exemplo, São Bernardo demitiu quase três vezes mais trabalhadores industriais com carteira assinada do que a média do País. É uma expressão clara de esclerosamento das relações entre capital e trabalho. É impossível o Poder Público Municipal mobilizar forças e grupos para amenizar esses números?

Orlando Morando -- 

CapitalSocial – O senhor entende que compete em larga escala aos prefeitos da região, individual e coletivamente, mudanças econômicas que coloquem o desenvolvimento econômico nos trilhos ou há condicionamentos de políticas e iniciativas estaduais e federais muito acima das forças locais? Ou seja: os prefeitos e as demais instâncias locais são muito pouco para efetivarem resultados? 

Orlando Morando – 

CapitalSocial – O senhor assumiu o Clube dos Prefeitos no início deste ano com restrições orçamentárias que induzem à interpretação de que se minimizou ainda mais a capacidade organizacional da entidade. Mesmo se considerando que o modelo que o senhor recebeu compunha-se de excessos de gastos sem direcionamento produtivo, é mais que visível que a entidade não parece encontrar o rumo, até porque rumo jamais foi algo que pudesse ser catalogado como virtude. Não seria melhor entregar a direção técnica do Clube dos Prefeitos a uma consultoria especializada em competitividade, que trabalharia em sintonia com os chefes de Executivo?

Orlando Morando --

CapitalSocial – Como o senhor observa o desencontro entre as notícias que estabeleceram um cronograma otimista para a chegada do monotrilho à região, cortando São Bernardo em larga geografia, e a efetiva demorara à realização da obra? Não parece que houve completo desrespeito aos compradores de apartamentos próximos ao traçado, cujas peças publicitárias das incorporadoras centralizaram mote de vendas nas facilidades logísticas? O que o senhor tem feito nas relações com o governo do Estado para oferecer informações à sociedade, especialmente aos potenciais usuários e aos moradores que foram levados a investimentos residenciais pautados pelo noticiário cor de rosa?

Orlando Morando -- 

CapitalSocial – Alugar um imóvel em Brasília e transformá-lo em ponto de referência de ação institucional e operacional do Clube dos Prefeitos não parece algo varejista, quando todo o mundo sabe que a Província do Grande ABC é um caso que exige ações estruturadas, as quais, por sua vez, poderiam dar consistência a medidas táticas como a do imóvel? Não fixaremos uma imagem de pedintes de luxo?

Orlando Morando – 

CapitalSocial – Que tipo de choque o senhor sentiu como ex-deputado que jamais teve acesso ao Clube dos Prefeitos e que, de repente, como prefeito, é eleito presidente? 

Orlando Morando – 

CapitalSocial – Já não passou da hora de o Clube dos Prefeitos abrir-se a integrantes da sociedade que tenham visão técnica sobre descaminhos da região na área econômica?

Orlando Morando -- 

CapitalSocial – Especialistas experientes em organizações coletivas como o Clube dos Prefeitos afirmam que a melhor maneira de alcançar resultados que retroalimentem novos resultados positivos é a escolha prioritária de cinco temáticas que mais afligem municípios e transformá-las em focos especiais de atuação. Por que o Clube dos Prefeitos insiste em tentar agarrar o mundo regional, com uma imensidão de programas que patinam, patinam e não saem do lugar?

Orlando Morando – 

CapitalSocial – Quando o senhor anunciou que passaria a cobrar pela assistência médica de acidentados no sistema Anchieta-Imigrantes, acionando a concessionária, completou dizendo que somente quem morava em São Bernardo não seria incluído na conta. Para quem dirige o Clube dos Prefeitos e defende a regionalidade, não parece que a medida configurava-se contraditória?

Orlando Morando – 

CapitalSocial – Por que o senhor não adotou em São Bernardo critérios semelhantes aos utilizados pelo prefeito Paulinho Serra, de Santo André, que trocou dívidas de empresas privadas por atendimento médico? O senhor teria sido desaconselhado porque a legalidade da iniciativa poderia ser contestada ou a medida embutiria aspectos éticos que não seriam convenientes? 

Orlando Morando – 

CapitalSocial – Quais iniciativas o senhor tem tomado, como prefeito de São Bernardo e prefeito dos prefeitos, para tornar mais transparente a Fundação do ABC, considerada caixa-preta de longa data como escoadouro de empreguismos, corporativismo e mandraquismos?

Orlando Morando –

CapitalSocial – Afirmamos categoricamente há muito tempo que a Fundação do ABC é a única regionalidade que deu certo na Província do Grande ABC porque contempla mutuamente todos os partidos políticos e suas ramificações sociais. O senhor entende que há exagero nessa conceituação?

Orlando Morando – 

CapitalSocial – O senhor teria alguma ideia a aplicar na Fundação do ABC que ainda não tenha sido experimentada? Há em vista algum modelo de compartilhamento entre municípios que balizaria sua intervenção quando a presidência daquela entidade estiver sob sua responsabilidade? 

Orlando Morando -- 

CapitalSocial – O senhor tem anunciado profusão de medidas importantes do varejo administrativo. Acha isso suficiente para impulsionar a confiança de que São Bernardo viverá novos tempos ou reconhece que sem projetos e obras que dinamizem o Município não haverá saída para o encalacramento econômico?

Orlando Morando -- 

CapitalSocial – O senhor acha pouco provável criar na Prefeitura de São Bernardo algo semelhante ao que Fernando Haddad fez na Administração de São Paulo, caso da Controladoria-Geral do Município que, entre muitas ações de faxina, descobriu e denunciou a Máfia do ISS e do IPTU?

Orlando Morando – 

CapitalSocial – Agora que houve a negativa do Ministério da Cultura de reciclagem temática do projeto do Museu do Trabalho e do Trabalhador, o que o senhor pretende fazer para, quando a obrar estiver pronta, dar ocupação àquela área. Já fez consulta ao mesmo Ministério para tentar obter a resposta sobre a possibilidade de estender o núcleo de atuação daquele projeto ao campo empresarial, inclusive com nova denominação que contemple os dois lados da moeda econômica, o capital e o trabalho?

Orlando Morando – 

CapitaSocial – O senhor já pensou em promover a cada três seis meses uma entrevista coletiva sem restrições como espécie de prestação de contas à sociedade? Essa é uma prática comum no Primeiro Mundo, de governos centrais, mas no Brasil é uma raridade.

Orlando Morando – 

CapitalSocial – De forma sucinta, quais são os três problemas municipais principais que o senhor pretende encaminhar e eventualmente resolver nos quatro anos de mandato e sobre os quais estaria disposto a enfrentar cobranças?

Orlando Morando – 

CapitalSocial – O prefeito Luiz Marinho deixou alguma coisa encaminhada que pudesse dar consistência à construção de um aeroporto em São Bernardo? Ele repassou os investidores dispostos a empreender? Há alguma documentação oficial que trate desse assunto? 

Orlando Morando – 

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