Administração Pública

Paulinho Serra mantêm silêncio
sobre irregularidades no Royale

  DANIEL LIMA - 02/06/2017

Espero sinceramente que o prefeito Paulinho Serra coloque o Royale Nobre Residence na agenda de obrigações com os contribuintes de Santo André. Vão se completar duas semanas desde que CapitalSocial enviou ao tucano um artigo assinado por este jornalista. Solicitei empenho no sentido de que o promotor do Ministério Público de Habitação Fábio Franchi saia do casulo corporativo e receba não só o titular do Paço Municipal como também este jornalista e provavelmente o advogado Alexandre Marques Frias. 

O promotor precisa esclarecer à comunidade detalhes sobre aquelas torres residenciais. Desde novembro do ano passado solicito informações. E nada vezes nada tem acontecido. Esse jogo não pode ficar zero a zero, portanto. Transparência é o mínimo que se exige. Com farta documentação à sociedade. 

O reforço do prefeito é providencial por dois motivos principais:

Primeiro porque é o prefeito e tem obrigação de atender a reclamos dos contribuintes. Sou intermediário entre a sociedade e as autoridades constituídas. 

Segundo porque há muita nebulosidade ética no empreendimento, como canso de escrever. 

É preciso ir adiante 

Tenho informações não oficiais de que o prefeito tucano não vai mexer uma palha para acabar com os segredos do Royale Nobre Residence. Aquelas torres construídas ao arrepio da legislação municipal e também da legislação federal não podem ignoradas. 

O Ministério Público não pode fechar-se em copas. O prefeito não pode considerar que não tem nada a ver com isso. O empreendimento foi autorizado durante a gestão de Aidan Ravin. O mesmo Aidan Ravin do Escândalo do Semasa. 

Há 10 dias -- após mensagem que enviei por aplicativo de celular -- o prefeito Paulinho Serra respondeu afirmativamente que trataria do assunto. Mas, em seguida, desconsiderou uma mensagem adicional. De lá para cá fugiu da raia. 

Isso eleva a desconfiança de que consultou pares e chegou à conclusão que o melhor é não mexer em vespeiro. Que, como tantos outros escândalos do mercado imobiliário dos mandachuvas e mandachuvinhas, a melhor saída é desdenhar do caso. 

Talvez este jornalista tome iniciativa até então inédita para reafirmar que o caso não pode ser esquecido. Vou deixar a decisão para a semana que vem. Acho que 15 dias é tempo suficiente para Paulinho Serra dar conta desse recado. Eventuais colaboradores de campanha eleitoral que estariam metidos nessa enrascada não podem ser protegidos. Ou então a Lava Jato não serve para nada. 

Sem data de validade 

Tenho um amigo que participa da rede que montei, a qual chamo de RadioSapp CapitalSocial. Ele argumenta em defesa de Paulinho Serra que o Royale não é da alçada do atual prefeito porque foi criado e consumado durante a gestão de outro titular do Paço Municipal. Respeitosamente, discordo dele. Fosse assim, os créditos tributários de que a gestão Paulinho Serra tanto reclama não deveriam integrar potencial de receitas. Seriam descartados. Gestão pública não é a individualidade temporal do prefeito de plantão. É uma sucessão de sucessores, com perdão da redundância.  Vejam o caso de Orlando Morando e a briga com a empresa que ganhou a concorrência para cuidar do lixo em São Bernardo na gestão de Luiz Marinho. Sem juízo de valor sobre a questão, está lá o tucano numa empreitada tão complexa como seletiva. 

A barafunda ambiental no mercado imobiliário de Santo André, confirmada pelo profissional que mais entende do assunto na região, o engenheiro Ney Vaz, ex-superintendente do Semasa em períodos que não contemplaram escândalos, estimula que não só o Royale como outros empreendimentos imobiliários formam o que poderia ser chamado de glorificação de abusos. 

O Ministério Público de Santo André precisa reagir. O prefeito Paulinho Serra precisa reagir. Os bandidos sociais sabem que estarão na roça se a cortina da moralidade for finalmente aberta. 

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