Economia

São Bernardo cai no ritmo da
indústria automotiva. Claro!

  DANIEL LIMA - 10/08/2017

Entre janeiro de 2011 (quando assumiu a presidência da República no primeiro mandato) e dezembro do ano passado (quando se deve atribuir a ela o segundo ano do segundo mandato, embora tenha sofrido impeachment antes que o segundo semestre começasse), o governo Dilma Rousseff provocou hecatombe na economia da Província dos Sete Anões, outrora Grande ABC. Tudo muito semelhante aos oito anos destrutivos de Fernando Henrique Cardoso. 

O Valor Adicionado, medidor que antecede os números do PIB (Produto Interno Bruto) acusa a perda de 28,04% no período em relação ao último ano do mandato de Lula da Silva. Quem mais acumulou prejuízos foi São Bernardo, com queda muito acima da média regional: foram 44,23% de rebaixamento. Um resultado levemente acima da queda da produção automotiva no País no mesmo período, de 41% -- São Bernardo é a capital Automotiva do Brasil.

Fechamos ontem à tarde os novos números do Valor Adicionado de 2016 da Província, com base em dados oficiais da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Havíamos cantado a bola de que sofreríamos novo golpe na temporada passada. 

Em setembro do ano passado, quando analisamos o Valor Adicionado de 2015 e o PIB Nacional daquela temporada já era conhecido, com queda de 3,8%, estava mais que garantido que seguiríamos comendo poeira. A queda do VA de 5,43% no ano passado só agravou uma situação que vem consumindo as energias da região desde que Lula da Silva e os milagres temporários de um consumismo sem investimentos começaram a se esgotar. A base de comparação que coloca a queda do VA da região em quase 30% em seis anos começa com o crescimento do PIB Nacional de 7,5% em 2010. Não poderia mesmo dar outro resultado. 

Apenas dois crescem 

Quem ainda tem a insensatez de negar que São Bernardo sofre duramente com a Doença Holandesa Automotiva provavelmente jogará a toalha. A dependência exagerada do setor automotivo é um fosso cada vez mais profundo. Como São Bernardo responde por 40% do PIB da Província, as sacolejadas reverberam em praticamente todos os municípios locais. Mauá e Ribeirão Pires cresceram levemente no período dilmista, mas não amenizaram as dores regionais. 

Para que a Província não registrasse queda no Valor Adicionado no período de seis anos da economia administrada pela equipe de Dilma Rousseff seria necessário que o montante chegasse a dezembro do ano passado a R$ 96.849 bilhões. Esse número é resultado do Valor Adicionado de dezembro de 2010 (R$ 64.602.636 bilhões) corrigido pela inflação do período, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), que registrou 49,43%. O Valor Adicionado da Província em 2016 foi de 69.470.095 bilhões.  Ou seja: uma queda monetária de R$ 27.379 bilhões -- mais que todo o Valor Adicionado de São Bernardo no ano passado.

São Bernardo e Diadema são os municípios da região que mais sentiram os impactos da recessão durante larga parte do governo Dilma Rousseff. Os números finais de dezembro do ano passado, quando contrapostos aos dados do último ano do governo Lula da Silva, são terrivelmente negativos. 

Dois grandes perdedores 

São Bernardo deveria contar em dezembro do ano passado com Valor Adicionado de R$ 45.715.865, caso mantivesse o montante de dezembro de 2010, nominalmente de R$ 30.593.499 bilhões. O VA de São Bernardo em 2016 registrou R$ 25.496.586 bilhões. Portanto, uma perda de R$ 20.219.280 bilhões quando confrontado com o último ano de Lula da Silva. Diadema perdeu mais de R$ 4 bilhões: registrou R$ 8.477.204 bilhões em 2010, que se transformam em R$ 12.667.485 bilhões quando se aplica a inflação do período. Entretanto, no ano passado, só contabilizou R$ 8.492.430 de Valor Adicionado. Queda de 32,96% em seis anos. Abaixo apenas dos 44,23% de São Bernardo. 

Santo André menos dependente do setor automotivo e beneficiada pelo Polo Petroquímico, como Mauá, perdeu menos no período de seis anos: apenas 11,63% de Valor Adicionado. O resultado é explicado pelos R$ 8.829.204 bilhões nominais de 2010 e que viram R$ 13.193,403 com a correção inflacionária. O VA de Santo André no ano passado não passou de R$ 11.658.167 bilhões. Daí a perda em valor reais de mais de 10% no período dilmista. 

São Caetano cai também 

São Caetano perdeu um pouco mais que Santo André, também por conta de o peso do setor automotivo ser maior, embora abaixo da dependência de São Bernardo e de Diadema. Foram 14,29% de rebaixamento do VA entre janeiro de 2011 e dezembro de 2016. O VA de São Caetano em 2010 era de R$ 9.017.597 bilhões sem correção da inflação até dezembro de 2016. Com a aplicação do IPCA, o VA chega a R$ 13.474.995 bilhões. Bem mais que os R$ 11.549.132 bilhões efetivamente produzidos. 

Rio Grande da Serra também perfila entre os municípios que contabilizaram perdas nos seis anos de Dilma Rousseff. Os nominais R$ 207.618 milhões de 2010 se transformam em corrigidos R$ 310.240 milhões, mas na vida real o VA não ultrapassou R$ 221.510 milhões. Queda de 6,14% no período. 

Mauá e Ribeirão Pires, que não ultrapassam 15% de participação no PIB da Província, conseguir escapar à derrocada dilmista. Mauá cresceu 7,21% no período. Os nominais R$ 6.480.044 bilhões registrados no último ano do governo Lula da Silva viram R$ 9.683.130 bilhões com a aplicação da inflação do período. Esse resultado é inferior a R$ 10.435.321 bilhões efetivamente gerados em Mauá no período. 

Ribeirão Pires cresceu 7,81% no período analisada. O VA de Ribeirão Pires era de R$ 997.521 milhões nominais em dezembro de 2010. Quando corrigido pelo IPCA, chega a R$ R$ 1.490.596 bilhão em dezembro de 2016. Menos que os efetivamente realizados R$ 1.616.949 registrados pela Secretaria da Fazenda do Estado. 

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