Economia

Santo André é melhor da região
no G-22; Paulínia decepciona

  DANIEL LIMA - 29/08/2017

Santo André é o Município da região no G-22 que apresenta o menor saldo negativo de empregos formais nos últimos 12 meses, a contar de agosto do ano passado. O G-22 é o grupo dos 20 maiores municípios do Estado de São Paulo, exceto a Capital, além de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, que completam a lista regional. Houve baixa de apenas 0,45% no estoque de empregos com carteira assinada no Município que conta com menos de 14% dos empregos na indústria de transformação. Metade de São Bernardo, Capital Econômica da região. 

O resultado de Santo André é bem melhor que os 2,82% negativos de Diadema, o 1,62% de Mauá, os 3,69% de Ribeirão Pires, os 7,53% de Rio Grande da Serra, os 3,03% de São Bernardo e o 1,27% de São Caetano. 

Dos integrantes do G-22, apenas São José do Rio Preto apresenta saldo positivo no estoque de empregos formais no período, com índice de 0,24%. O pior resultado entre os 20 municípios escolhidos por critério exclusivamente econômico, mais especificamente pelo PIB (Produto Interno Bruto), é de Paulínia, extremamente dependente do setor químico e petroquímico: a baixa de carteiras assinadas desde agosto do ano passado chegou a 4,57%. 

Zona de rebaixamento 

Se os 22 municípios do agrupamento com mais de 10 milhões de habitantes integrassem uma espécie de campeonato, São Bernardo estaria na zona de rebaixamento no desempenho de emprego formal nos últimos 12 meses. Ou seja, estaria entre os quatro piores colocados. Teria a companhia de Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires e também de Taubaté, no Vale do Paraíba, com 2,88% negativos. 

Os resultados envolvendo os municípios da Província dos Sete Anões, outrora Grande ABC, não surpreendem. A recessão econômica impactou duramente o setor automotivo que prevalece nas matrizes produtivas da região. 

Melhora na temporada 

Se existe uma boa notícia em meio a esse desconforto numérico é a possibilidade de, nos próximos meses, o desempenho individual dos municípios da região consolidar sensível melhora em comparação a outros importantes endereços do Estado de São Paulo. A reação das montadoras e autopeças, após três anos seguidos de queda, ameniza a situação e reduz gradativamente os estragos. Tanto que os índices dos primeiros sete meses deste ano já são mais palatáveis.  

São Bernardo talvez seja o exemplo mais emblemático dessa reação. Contrapondo-se ao índice de 12 meses de rebaixamento de 3,03% do emprego formal em todas as atividades econômicas listadas pelo Ministério do Trabalho (extrativa mineral, indústria de transformação, serviços indústria se utilidade pública, construção civil, comércio, serviços, administração pública e agropecuária), os sete meses desta temporada iniciada em janeiro registram apenas 0,44% de queda. O índice de Santo André (0,16) é melhor até porque é positivo. Como o de São Caetano (0,87%). Já os demais municípios da região registram índices negativos como São Bernardo nesta temporada: Mauá com 0,87%, Diadema 0,87%, Ribeirão Pires 0,93% e Rio Grande da Serra 3,59%. 

Indústria reage

Quando se consideram os dados desta temporada apenas no setor industrial, ou seja, de estoque de empregos formais no conjunto de fábricas, São Bernardo mostra as garras da recuperação que pode significar alguma retomada da vitalidade econômica perdida nas últimas temporadas. A Capital Automotiva do País registra saldo negativo de apenas 0,47%. Só perde para Ribeirão Pires, que conta com saldo positivo de 4,58%. 

Os números absolutos do emprego industrial de São Bernardo são em perspectiva muito mais impactantes à economia da região, mesmo ainda negativos, do que os números positivos de Ribeirão Pires: nos sete primeiros meses deste ano foram destruídos apenas 358 postos de trabalho na Capital Automotiva, ante 4.748 quando se consideram 12 meses a partir de agosto do ano passado. Ou seja: há evidente reação que pode reverter o quadro para positivo. Já em Ribeirão Pires foram gerados 308 postos de trabalho ante 128 demissões líquidas em 12 meses. Ribeirão Pires conta com apenas 2,2% do PIB da região, contra 38% de São Bernardo. Mais: o universo de trabalhadores industriais em São Bernardo ultrapassa 76 mil postos, enquanto em Ribeirão Pires não chega a sete mil.  

O estoque de emprego industrial na região nos primeiros sete meses desta temporada só é positivo em Santo André, com índice de 0,55%. São Caetano registra perda líquida de 4,01%, Mauá de 1,10%, Diadema de 1,10% e Rio Grande da Serra de 4,46%. A situação de Santo André se explica pelo rebaixamento constante ao longo dos anos. A estabilidade e mesmo certo ganho no estoque industrial traduz estreita mobilidade no setor. Há poucas possibilidades de solavancos expressivos no tecido produtivo do Município. 

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