Administração Pública

Paulinho Serra foge da raia.
Entenda todas as razões (1)

  DANIEL LIMA - 20/09/2017

Existe antídoto mais eficiente a um dirigente público que foge da responsabilidade de prestar esclarecimentos à população que não seja o desprezo? Claro que existe. E é o que faremos para resolver um problema criado pelo prefeito de Santo André. Paulinho Serra brincou de adiar respostas da Entrevista Especial enviada em oito de agosto último. Pediu esticamento de prazo. 

Concedemos sem complicações. Entendemos que a sociedade precisa contar sempre com a intermediação da imprensa para saber o que se passa no âmbito da gestão publica. Prazo esticado, prazo vencido, nenhuma satisfação do prefeito. Pois temos a solução para o descaso. À falta de respostas do prefeito, faremos em alguns capítulos uma análise de perguntas que enviamos. Vamos procurar decifrar as razões que levaram o tucano a fugir da raia. 

Quando decidimos entrevistar Paulinho Serra tivemos o cuidado de não colocar questionamentos na categoria de “Entrevista Indesejada”. Reconhecemos que nem todos estão preparados a essa modalidade. O famigerado empresário Milton Bigucci fugiu de sete versões diferentes em sete anos.  

É importante ressaltar que perguntas supostamente indelicadas ou invasivas, quando não desbravadoras, às vezes instigantes, perguntas assim são comuns no jornalismo com compromisso de informar a sociedade. Quando as perguntas não passam de cortina de fumaça para lustrar o ego do entrevistado, não se deve dar a isso o nome de jornalismo. É peça publicitária disfarçada. 

Garantia pessoal 

Foram 25 questões centrais enviadas ao prefeito Paulinho Serra. Os leitores atentos sabem do que se tratam os questionamentos. E não ficarão a ver navios porque o tucano decidiu não cumprir o prometido num encontro preliminar em seu gabinete, três dias antes de receber o questionário. Paulinho Serra disse pessoalmente a este jornalista que responderia a todas as perguntas. O supersecretário Leandro Petrin o apoiou. 

Findo o prazo de três semanas, o mesmo Petrin se comunicou com este jornalista e pediu mais tempo, precisamente no dia seguinte ao feriado prolongado da Independência.  Foi atendido de pronto. E desapareceu do radar.  

O que Paulinho Serra deixou transparecer com esse modelo de relacionamento com a imprensa é que estará sempre solícito à demanda de jornalistas. Basta que se submetam a uma agenda de perguntas previamente acordada e que não o incomode. 

Quebra de palavra 

A ética de mão dupla do prefeito de Santo André é seletiva. Deve-se lançar ao prefeito, sem que prevaleça sensação de frustração, apenas bolas quicando para que faça golaços, ou tentativas de golaços. 

Suplementarmente, resta nesse episódio um sentimento de tristeza. Afinal, se espera tudo de um gestor público, inclusive respostas vazias de conteúdo ou mesmo vácuos deliberados (caso da Entrevista Especial recentemente publicada com o prefeito Orlando Morando), menos uma quebra de palavra. Paulinho Serra fez um acordo com algumas mídias para ser chamado de Paulo Serra. Esperamos por resultados substantivos à frente da Prefeitura de Santo André para atendê-lo. Paulinho Serra caminha para ser Paulinho Serra sempre. 

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