Administração Pública

Paulinho Serra foge da raia.
Entenda todas as razões (2)

  DANIEL LIMA - 21/09/2017

Começamos a interpretar hoje duas das 25 perguntas que o prefeito Paulinho Serra não respondeu a esta revista digital, embora se tenha comprometido a prestar esclarecimentos à sociedade. As questões que preparamos para o tucano envolvem oito diferentes temáticas. Escolhemos duas de mobilidade urbana para transmitir aos leitores o que o titular do Paço Municipal de Santo André foi incapaz. 

Aliás, mesmo que respondesse à Entrevista Especial, Paulinho Serra não diria aos leitores o que vamos explicar neste artigo. Primeiro porque lhe faltaria sinceridade, o que não é novidade quando no caso de dirigente público preocupadíssimo com o entorno que não lhe dá sossego. Segundo porque não teria conhecimento agregado para emitir juízo de valor. 

Nos próximos dias abordaremos as demais perguntas formuladas, nas áreas de Economia, Educação, Administração Pública, Mercado Imobiliário, Regionalidade, Institucionalidade e Política. Paulinho Serra fugiu de todas. Mas os leitores serão recompensados com a contundência e o conhecimento que se exige de quem formula questões de interesse público.  

Primeira pergunta sobre Mobilidade Urbana

O senhor tem alguma ideia do que fazer para minimizar a herança de estrangulamento logístico de uma Santo André que há décadas deixou de ter a centralidade da Avenida dos Estados como veio de articulação econômica da região, mais especificamente com a chegada da Rodovia Anchieta, depois com a inserção da Imigrantes e mais recentemente com o desembarque dos trechos sul e leste do Rodoanel? O que era elemento de potencialização de dinamismo econômico, no caso a Avenida dos Estados, virou estorvo à mobilidade urbana. O que fazer?

Segunda pergunta sobre Mobilidade Urbana

Existe uma relação estreita, embora não única, entre o esgotamento da Avenida dos Estados como estimuladora da produção e a desindustrialização de Santo André. O senhor considera irreversível a derrocada industrial de Santo André? Já encontrou uma saída que possa amenizar os estragos históricos? O terciário de Santo André, ao contrário do que pretendia o então prefeito Celso Daniel, não tem nada de agregador de riqueza. Perdemos a batalha pela Tecnologia da Informação? Ficamos com o ramal mais frágil do setor de serviços?

Meus comentários 

Para um prefeito que recentemente chegou ao cúmulo de afirmar em entrevista ao Diário do Grande ABC que a Avenida dos Estados era uma espécie de passaporte à potencialização econômica de Santo André (ele não chegou a usar essa expressão, mas o sentido foi semelhante), seria demais esperar que encontrasse justificativa à reafirmação tão estapafúrdia. 

Mais ainda: se desgraça pouca fosse bobagem, logo em seguida a Avenida dos Estados sofreu novo acúmulo de improdutividade com a queda de uma das pontes, entre tantas que já caíram e outras que ameaçam cair. 

Para quem foi secretário de Mobilidade Urbana da administração do petista Carlos Grana, e cujos resultados se associam a desperdício e confusão, o prefeito Paulinho Serra não surpreende ao negar respostas a esta revista digital. A verdade é que ele simplesmente não tinha o que dizer que pudesse opor-se às duas argumentações contidas nas indagações. 

O estrangulamento logístico de Santo André está exposto em fratura muito além da Avenida dos Estados, outrora traçado desenvolvimentista. Por onde se anda no Municípios os transtornos são sempre os mesmos, de insatisfação. 

Como se não bastasse tudo isso, quando secretário do petista Carlos Grana, Paulinho Serra inventou corredores e faixas de veículos que jamais se consolidaram entre outros motivos porque não se encontrou ainda uma fórmula que permita implantar uma modalidade de transporte em que dois ou mais corpos sólidos ocupem o mesmo espaço. 

Santo André tornou-se caquética em produtividade logística. Continua com o desenho físico-estrutural de décadas em que mobilidade urbana era uma expressão completamente fora do dicionário de administradores públicos. 

A reconfiguração de Santo André é uma missão praticamente impossível quando se desenha no horizonte o descompasso entre receitas e despesas orçamentárias. Já se foi o tempo em que Santo André aplicava mais da metade do orçamento em obras. Há muito tempo não chega a 10%. Paulinho Serra sabe disso mas, de vez em quando, em flagrante recaída populista e por isso mesmo pouco responsável, acena com soluções supostamente milagrosas, as quais não passam de patéticas. Mesmo quando se tem alguma perspectiva de contar com empréstimos de organismos nacionais e internacionais.

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