Administração Pública

Paulinho Serra segue em baixa
e Auricchio mantém liderança

  DANIEL LIMA - 09/10/2017

O prefeito de Santo André continua a pagar o preço da elevada votação registrada em outubro do ano passado, quando praticamente não teve adversário para obstar passos rumos à maior votação proporcional de que se tem notícia na região. Nove meses depois da posse, Paulinho Serra consolida a maior desidratação eleitoral da região. São quase 30 pontos percentuais (exatamente 29,91) de esvaziamento ao se compararem votos válidos nas urnas e aprovação nas pesquisas. Já José Auricchio, prefeito de São Caetano pela terceira vez, acumula o único saldo positivo na mesma comparação.

Ainda vamos escrever mais alguns artigos sobre os resultados apontados pelo Instituto Paraná e divulgados no final de semana no Diário do Grande ABC, para variar de forma burocrática. Hoje vamos nos limitar ao confronto das urnas eleitorais em outubro passado e os índices de aprovação divulgados. Há outras nuances que valem a pena escarafunchar. 

Fora São Caetano, nenhum dos prefeitos pesquisados escapou à degola da depreciação do capital eleitoral de outubro do ano passado. Dar ênfase a esse emagrecimento compulsório tendo como referencial as dificuldades orçamentárias herdadas dos antecessores não é exatamente o que mais pesa na equação. O desprestígio da classe política, registrado nas mais diferentes aferições do ambiente institucional no País, é fator muito mais consistente. Some-se a isso o manancial de propostas eleitorais que não se confirmam na prática da gestão e tudo se encaminha à desilusão. Prometer em excesso faz parte da cultura política nacional. Falta combinar com os recursos públicos disponíveis. Sobretudo num período de recessão prolongada e profunda. A pior da história nacional. 

Fantasma a enfrentar 

O grande erro de Paulinho Serra foi exagerar nas comemorações da vitória em Santo André. Ao dar destaque à votação recorde, sem considerar o contexto, praticamente criou um fantasma a exorcizar: os 78,21% dos votos válidos nas urnas contra um prefeito petista (Carlos Grana) sem qualquer possibilidade de sobreviver à hecatombe da Operação Lava Jato virou um pesadelo.

Nove meses depois de mandato em ação, Paulinho Serra conta com índice de aprovação de 48,30%. Ou seja: entre a convicção dos eleitores que o colocaram no Paço Municipal e as respostas aos pesquisadores do Instituto Paraná, o tucano sofreu baque de 29,91 pontos percentuais. 

A boa notícia em meio a essa ruptura de laços de encantamento com o tucano é que as próximas pesquisas deverão amenizar o quadro de hemorragia. Mas não se pode desconsiderar nova baixa, mesmo que menos acentuada. Entre abril e setembro últimos, períodos das investigações do Instituto Paraná, a aprovação à gestão de Paulinho Serra caiu de 61,20% para 48,30%. 

Lucros e perdas 

O único saldo positivo de aprovação entre os quatro prefeitos da região pesquisados pelo Instituto Paraná, de José Auricchio Júnior, também tem explicações sustentáveis. São 11,76 pontos percentuais acima dos 34,34% dos votos que levaram o tucano à vitória num Município em que já fora titular do Paço Municipal em duas gestões. É verdade que o fato de São Caetano ter apenas um turno e de três candidatos concorrerem para valer ao primeiro lugar favorece o avanço de José Auricchio quando se colocam em confronto votos válidos e aprovação. Houvesse segundo turno, Auricchio teria percentual mais elevado de votos, o que reduziria o saldo positivo de aprovação de seu governo. 

Se esse ponto favorece o desempenho estatístico de José Auricchio, por outro lado o fato de dirigir uma cidade exigente como São Caetano, com baixo desequilíbrio social, o torna muito mais suscetível a críticas e à vigilância. Sem contar que forças oposicionistas não lhe dão trégua.  

Bem diferente da situação política de Paulinho Serra. Santo André não tem uma oposição organizada o suficiente para ameaçar a gestão do tucano. É verdade que muitos aliados, que, inclusive, dividem o poder, não são tão confiáveis quanto os mais ingênuos imaginam. A gestão de Paulinho Serra teria certa semelhança com uma represa na calmaria aparente. Uma governabilidade programada que pode ceder a uma governança improdutiva. 

Por enquanto, mesmo com a aprovação com viés de baixa, não parece haver no curto e no médio prazo nada que apareça em forma de desfiladeiro inexorável. O nível de aprovação a Paulinho Serra é semelhante ao dos demais prefeitos quando se considera a margem de erro, que também pode ser chamada de margem de manobra numérica. 

Morando perde pouco 

Entre os três prefeitos que perderam aprovação desde outubro do ano passado, o tucano Orlando Morando é o menos impactado. Eleito com 59,94% dos votos válidos na disputa com o arquirrival Alex Manente, Morando registrou na pesquisa do Instituto Paraná taxa de aprovação de 53,70%, ou seja, uma perda líquida de 6.24 pontos percentuais. Na pesquisa relativa aos primeiros quatro meses de gestão, o tucano praticamente não acusara perda, contando com 59,60% de aprovação. 

Lauro Michels, prefeito de Diadema em segundo mandato, carrega sangramento eleitoral de 14,17 pontos percentuais quando se confrontam urnas de outubro do ano passado e dados da pesquisa de setembro último. Michels foi eleito com 57,67% dos votos e a taxa de aprovação está em 43,50%. Ou seja: o prefeito de Diadema sofre mais queda que o vizinho de São Bernardo. Nada que assombre, porque o PT de Diadema juntou-se aos evangélicos como oponentes fortíssimos. E Michels está no quinto ano de gestão, contra os primeiros nove meses de Morando. O poder desgasta. 

Margem a interpretações 

Se a margem de erro de 3,5 pontos percentuais no caso das sondagens em Santo André e São Bernardo e de 4,5 pontos percentuais em São Caetano e em Diadema forem rigorosamente observadas, os quatro prefeitos pesquisados pelo Instituto Paraná estão empatados entre si nas taxas de aprovação. Somente Lauro Michels estaria descolado da maleabilidade dos números de Orlando Morando, que lidera numericamente o quesito na região. 

Não se pode desconsiderar o conceito de margem de erro. A banda é larga porque 3,5 pontos percentuais, por exemplo, são sete pontos percentuais na prática, na medida em que quem tem 53,7% como Orlando Morando pode ter 49,2% com o viés de baixa e quem tem 46,1% como Paulinho Serra pode ter 49,6% com viés de alta. 

Vamos ter mais uma vertente de análise na edição de amanhã. Há um ponto de interrogação no conceito de “aprovação e rejeição” dos prefeitos, segundo o Instituto Paraná, que pretendemos escarafunchar. 

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