Imprensa

Leiam nossos contrapontos às
respostas de Paulinho Serra (4)

  DANIEL LIMA - 10/10/2017

Seguimos a analisar as respostas do prefeito de Santo André, Paulinho Serra, à Entrevista Especial desta revista digital. Chegamos à quinta pergunta de um total de 25. Reproduzimos, na sequência, a indagação encaminhada ao tucano em oito de agosto e, na sequência, a resposta consolidada quase dois meses depois. Em seguida, entramos com “meus comentários”.  

Pergunta de CapitalSocial

A ausência de vocação à regionalidade faz da Universidade Federal do Grande ABC um desperdício de talentos que, segundo a definição da cúpula da instituição, devem voltar-se a um universo geográfico muito mais amplo. O senhor acredita que haja solução à vista no sentido de que a UFABC seja incorporada para valer às necessidades regionais? 

Resposta de Paulinho Serra

A UFABC é um grande ativo em nossa cidade e região. São mais de 12.000 estudantes, mais de 600 docentes e inúmeros cursos de capacitação. Figura entre as melhores universidades do mundo. Não podemos deixar de considerar essa importante instituição por conta de eventual erro estratégico de seus dirigentes. O que deve ocorrer é um estreitamento cada vez maior entre os atores aqui presentes e os acadêmicos para que a Universidade possa arrumar o prumo em benefício da nossa localidade. O poder público deve sempre agir como fomentador e incentivador dessa proximidade.  

Meus comentários 

No que mais interessa à região – uma universidade pública vocacionada às atividades mais importantes ao desenvolvimento econômico – o que temos há uma década é a exposição clara de um projeto acadêmico sem comprometimento com a realidade socialmente perversa. As declarações do prefeito Paulinho Serra estão, portanto, inteiramente desconectadas do presente e do passado da Província dos Sete Anões, outrora Grande ABC. Imaginem então do futuro. 

A UFABC infringiu a lógica que deveria ter permeado cada passo dado antes mesmo da aprovação oficial da criação da instituição.  Para uma região duramente atingida pela desindustrialização, somente um empreendimento educacional que se comportasse prioritariamente em defesa do enriquecimento da cadeia produtiva local e, mais que isso, buscasse novas vocações, teria utilidade para valer. 

O Ranking Universitário Folha (RUF), preparado anualmente pelo jornal Folha de S. Paulo, não deixa dúvida sobre o estágio de desprezo da UFABC à economia da região: ocupa a zona de rebaixamento -- mais precisamente o 169º posto entre 195 unidades na classificação geral -- quando se trata de interesse das empresas privadas em contratar estudantes locais. Na classificação geral, que avalia e pondera cinco variáveis, a UFABC ocupa a 44ª posição no RUF. Pesam principalmente estudos e pesquisas apresentadas em esferas internacionais. Nada com relevância à regionalidade de que tanto prescinde Santo André e os demais municípios da região.

Para se ter ideia do descompasso entre a UFABC que está entre as 50 primeiras colocadas na classificadas geral e as que estão na dianteira, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), primeira colocada, está em terceiro na classificação “Mercado”, que sintetiza a interação com o mercado de trabalho. A USP (Universidade de São Paulo), segunda na classificação geral, é primeira no mercado de trabalho. A Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) terceira na classificação geral, é 11ª no recrutamento de profissionais. Somente a Fundação Universitária Federal do Vale de São Francisco (Univasf) tem a mesma classificação vexatória da UFABC no mercado de trabalho quando se observam as 100 primeiras colocadas na classificação geral. 

A atuação da UFABC no ambiente econômico da região é praticamente nula. Não serve de referência a nada, porque sempre se distanciou das empresas e das instituições que as representam. Paulinho Serra e os demais prefeitos da região têm, portanto, compromisso de alterar o rumo dessa engrenagem de desperdício do dinheiro público.

A situação da UFABC está, portanto, muito distante, por exemplo, da Unicamp. Há 14 anos a instituição de Campinas criou uma agência de inovação e monitoramento.  Desde então, já são 500 empresas de saldo da medida, as quais geram R$ 3 bilhões por ano. 

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