Esportes

São Caetano muito próximo
de nova semifinal da Copa

  DANIEL LIMA - 23/10/2017

O jogo marcado para a sexta-feira que está chegando vai decidir a sorte do São Caetano na Copa Paulista, caminho mais curto à Série D do Campeonato Brasileiro da próxima temporada. Após vencer de virada o jogo de ida contra o XV de Piracicaba sábado no Estádio Anacleto Campanella por dois a um o São Caetano só precisa de empate para chegar à semifinal. Repetia o enredo do ano passado, quando caiu diante da Ferroviária em Araraquara após dois empates e cobranças de pênaltis.  

A perspectiva para o jogo desta sexta-feira poderia ser melhor ainda se o atacante Ermínio não repetisse um personagem da Escolinha do Professor Raimundo ao perder uma penalidade máxima aos 40 minutos do segundo tempo. Com os três a um o São Caetano poderia até perder por um gol em Piracicaba.  

Única equipe entre as quatro principais da região em atividade nesta temporada, reflexo do elitismo do calendário nacional que sacrifica as pequenas e médias agremiações, o São Caetano deu mostras sábado que não é um prato feito incapaz de surpreender o paladar dos torcedores. Quando sofreu um gol logo aos dois minutos do jogo não faltava projeção de derrota e o fim da jornada na Copa Paulista. O São Caetano do técnico Luiz Carlos Ferreira carrega a fama de transformar desvantagem no placar em derrota iminente. 

Quem apostou nessa premissa caiu do cavalo. O São Caetano fez um primeiro tempo burocrático, mas mesmo assim chegou ao empate com Carlão depois de uma primeira e única incursão em que a aproximação com a posse de bola verticalizada deu resultado. Durante toda a etapa o time de Luiz Carlos Martins exagerou mais uma vez nos passes longos, viradas de jogo, embates físicos e pouca criatividade. 

Perigo aéreo

O XV de Piracicaba parecia mais inteiro e mais qualificado nos contragolpes. E expunha uma contradição do São Caetano, time acostumado a traduzir bolas paradas em gol: além do gol em cobrança de falta complementada na pequena área por cabeceio de um zagueiro, o XV sempre ameaçava nas bolas aéreas. 

O sistema defensivo do São Caetano transmitia a sensação de que não aprendeu a marcar as bolas aéreas, embora reforce consideravelmente o sistema ofensivo quando vai ao ataque. Os zagueiros costumam balançar as redes adversárias em momentos delicados. 

A grande mudança do São Caetano no segundo tempo, quando fez o segundo gol e poderia ter marcado outros dois, além do pênalti desperdiçado, foi a alquimia tática do técnico Luiz Carlos Martins. O treinador observou que com três volantes (Paulo Santos, Régis e Ferreira) e apenas um meia de organização muito marcado (Nonato) o São Caetano teria dificuldades demais penetrar no sistema defensivo do adversário. Martins retirou o zagueiro Eduardo Luiz, recuou o volante Régis à função e reforçou a criatividade do meio de campo com Paulo Vinícius, prata da casa como Nonato. 

Controle do jogo 

O controle tático e técnico do jogo passou a ser flagrantemente do São Caetano. O XV jamais fixou-se na defensiva e procurava, por isso mesmo, articulações rápidas. Mas o time de Martins não dava espaço. O São Caetano exibia empenho físico e intensidade pouco comuns nos jogos anteriores. A equipe sugeria tratado de honra que mais ou menos quer dizer o seguinte: quanto mais os pontos valem, mais empenho todos terão. 

Quando o segundo gol do São Caetano consumou a virada, o resultado não poderia mesmo ser diferente. Havia um cheiro de gol no estádio. O XV já não fechava os espaços no meio de campo. Não continha o apoio dos laterais do São Caetano. E multiplicava preocupação porque Paulo Vinícius passou a dar mais opções ofensivas ao São Caetano. Uma bola cumprida, rasante, para a corrida do ágil Ermínio, sugeriu a possibilidade de uma trapalhada do atacante que, diante do goleiro, em diagonal, preferiu parar e recuar para a chegada de Carlão, que bateu forte e inapelavelmente. Uma jogada típica de treinamentos, mas muito arriscada ao trocar o certo (o chute a gol) pelo supostamente duvidoso (o recuo para a finalização de quem entrava livre na área).  

O XV se abriu mais diante da desvantagem no placar. Chegou a ameaçar o São Caetano em jogadas rápidas, de aproximação, tanto pelas extremas como pelo meio. Poucas, é verdade, mas sintomáticas do que espera o time da região nesta sexta-feira no Interior do Estado. Reforço de marcação no meio de campo e contragolpes rápidos deverão ser a base tática do técnico Luiz Carlos Martins para evitar a eliminação. 

Pênalti desperdiçado 

O atacante Ermínio estava pronto para receber nota 10 como principal nome do jogo quando sofreu uma penalidade máxima de um goleiro que correu em sua direção para evitar o complemento de um novo lançamento rasante, em nova jogada construída para apanhar no contrapé a defesa adiantada do XV. Ermínio só cometeu o erro de chamar para si a cobrança da infração e, principalmente, de deslumbrar-se com a possibilidade de sair ovacionado de campo: exagerou na coreografia de dançarino e se esqueceu de colocar força e direção na batida da penalidade. O chute não passou de um recuo patético que o goleiro do XV recolheu sem dificuldade. 

Como no futebol nada é definitivo, principalmente em confrontos de mata-matas, quem sabe uma vantagem mais larga quebraria a concentração da equipe para o jogo desta sexta-feira, dando-se a classificação como favas contadas? 

A vantagem escassa de um gol deve manter o time ligadíssimo à responsabilidade de trazer a classificação diante de um adversário que mesmo fora de casa não poupa queixas à arbitragem como fórmula mais que conhecida de influenciar decisões seguintes. Uma tática frustrada no jogo de sábado. 

Talvez Ermínio tenha acertado quando errou a cobrança do pênalti. O São Caetano de Luiz Carlos Martins é um time que sempre se dá mal quando acha que está por cima da carne seca. É melhor que jogue pressionado pelas possibilidades de o adversário revirar o placar. Quem sabe Ermínio resolva decidir de novo, como decidiu sábado mesmo quando aparentemente tenha adiado a decisão? 

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