Imprensa

Leiam nossos contrapontos às
respostas de Paulinho Serra (11)

  DANIEL LIMA - 24/11/2017

Demorou um bocado, mas estamos encerrando esta série que destrinchou a Entrevista Especial do prefeito Paulinho Serra, de Santo André, a esta revista digital. Foram 25 questões centrais enviadas ao tucano. Embora tenha retardado, o titular do Executivo que mais votos proporcionais e absolutos recebeu numa disputa eleitoral em Santo André, em outubro do ano passado, decidiu responder a todos os questionamentos. 

Por força de metodologia de comunicação fartamente divulgada, contrapomo-nos às declarações de Paulinho Serra. Faz parte do jogo democrático maduro -- não de araque – que, por maior que seja uma autoridade pública a ocupar espaço na mídia, há sempre a possibilidade de se colocarem restrições ou, por que não, endosso do entrevistador. Foi o que fizemos nesta série. Vamos a última pergunta formulada, a resposta de Paulinho Serra e a réplica deste jornalista:  

Pergunta de CapitalSocial 

O anunciado e nunca instalado Polo Tecnológico de Santo André é um fetiche propagandístico para abrandar o estado de letargia desenvolvimentista que faz do Município moradia aparentemente interminável? O senhor se ilude com a ideia de que o Polo Tecnológico vai salvar a pátria da cidade e da região quando se observa que está descolado de planejamento estratégico municipal e regional? Mais que isso: que a literatura econômica rejeita a ideia de que polos tecnológicos são âncoras suficientemente fortes para segurar a barra econômica de qualquer Município?  

Resposta de Paulinho Serra 

Uma gestão séria e comprometida tem que valorizar toda e qualquer ação capaz de gerar oportunidades de renda e emprego. Não existe ação isolada capaz de amenizar os enormes desafios econômicos. O assunto "parque tecnológico" é discutido em nossa cidade há mais de 10 anos. Atualmente, temos falado pouco e trabalhado muito para viabilizar esse importante projeto para Santo André e todo o ABC. 

Meus comentários 

Se depositar todos os ovos do desenvolvimento econômico de Santo André na cesta do Polo Tecnológico que nunca chega e mesmo se chegar não será aquela maravilha imaginada, o prefeito Paulinho Serra quebrará a cara. Se colocar os mesmos ovos numa cesta mais diversificada, também deverá se preocupar muito. O melhor mesmo é que eventuais assessores habilitados a preencher possíveis vazios de conhecimento do prefeito no domínio de especificidades desenvolvimentistas alertem-no enquanto é tempo. 

O Polo Tecnológico pretendido por Santo André -- e que vem de uma odisseia burocrática, política e administrativa que dá dó -- está longe de ser a salvação da lavoura. A formalização e mesmo a implantação não resultarão em soluções que Santo André tanto prescinde para os próximos 10 anos, quando a perspectiva é de que novos e comprometedores desequilíbrios vão agravar ainda mais as finanças do Município. 

O melhor a fazer em defesa de uma Santo André que jamais voltará a ser o que já foi, ou seja, um centro industrial respeitável no Estado de São Paulo, é não dourar a pílula do Polo Tecnológico. 

Mas essa advertência provavelmente vai se perder na tempestade de areia ufanista de gente que não enxerga um palmo à frente do nariz e não pensa em outra coisa senão naquilo – num marketing rastaquera que só engana os ingênuos de plantão. 

O pior modelo de jornalismo quando se trata de observar o que o horizonte próximo e também distante oferece de perspectiva a Santo André e aos demais municípios não tem nas lantejoulas orais e impressas a melhor companhia. O tom deveria ser sempre grave, reflexivo, crítico. Restabelecer a força econômica de Santo André é um processo que passa a léguas de distância do Polo Tecnológico que só Deus sabe quando vai chegar, mas qualquer um habilitado macroeconomia sabe que não se trata de uma porção mágica que produziria grandes transformações.

Há mais de uma década Santo André mantém o discurso de Polo Tecnológico sem que nesse período tenha se dado ao trabalho de constituir um grupo de elite e interdisciplinar econômico para definir quais os setores seriam valorizados na operação. Já escrevemos há muito tempo que a resposta está tão na cara quanto as torres fumegantes do Polo Petroquímico. A vocação ao setor industrial fortemente vinculado ao setor plástico jamais foi devidamente valorizada. 

O gol está sem goleiro e o atacante sobrou sozinho para finalizar, mas as instituições da região insistem em ignorar que sem bola em campo não há como sair da pasmaceira. A bola, em questão, são estudos de competitividade tendo o plástico como matéria-prima compulsória. 

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