Esportes

Santo André mostra a cara
de Soares, mas é prejudicado

  DANIEL LIMA - 26/01/2018

Os jogos do meio de semana foram satisfatórios aos dois times da região que disputam a Série A do Campeonato Paulista, mas um dos resultados poderia ser melhor. No caso, do Santo André, especificamente, poderiam ser conquistados três pontos no empate de zero a zero ontem à noite em Itu contra um dos frequentadores mais assíduos da competição. A arbitragem anulou um gol do centroavante Lincom no último lance do jogo. Uma barbaridade cometida pelo assistente e endossada pelo árbitro. 

Um dia antes o São Caetano venceu o Linense no Interior por dois a zero. Agora precisamos de sete pontos em 12 a disputar para chegar ao final da quinta rodada de alguma forma confortável fora da zona de rebaixamento reservado aos dois últimos colocados. Rebaixamento é um fantasma que assusta permanentemente 11 entre as 16 equipes que disputam a competição e que, fora o Ituano, se revezam na Primeira e na Segunda Divisão do principal campeonato estadual do País. 

Se contra o Linense o São Caetano recorreu ao espírito que o levou ao título da Série B no ano passado, em Itu o time do técnico Sérgio Soares fez a melhor apresentação da temporada e também a melhor das equipes da região na competição. 

Domínio completo 

O Santo André dominou praticamente todo o jogo (só houve algum equilíbrio durante uns 15 minutos do segundo tempo, até que o Santo André acertasse a marcação no meio de campo após a entrada de Marcelinho, do Ituano, no lugar do atacante Sciola, mais estático pela extrema-esquerda) porque teve concentração, equilíbrio tático e inteligência para retirar a bola do Ituano, maior qualidade do time do Interior. Não só retirar, mas, principalmente, ter a bola sob controle. O Ituano parecia sentir-se frustrado com a incapacidade de gerir as emoções e a racionalidade do jogo. 

Ainda há muito o que acertar no Santo André, mas o técnico Sérgio Soares deve estar satisfeito. A perspectiva de repetir o desempenho de Itu no jogo da quarta rodada, contra o Mirassol, oferece mais que a possibilidade dos primeiros três pontos num único jogo e, com isso, deixar a zona de rebaixamento. A reprise deverá dar impulso necessário para o Santo André não sair mais da bitola do perfil do treinador. Uma réplica, com algumas mudanças, do desenho tático do vice-campeonato paulista na final contra o Santos, em 2010. Tudo baseado no domínio da bola, no desaquecimento e no aquecimento do jogo de acordo com as circunstâncias. 

Bola parada 

O Ituano não ficou incomodado apenas porque não teve a bola para jogar, situação que limitou as melhores oportunidades ofensivas às bolas paradas de Corrêa, que fez nome no Palmeiras. Correa acertou uma cobrança de falta na trave, no segundo tempo, e alertou o Santo André para uma deficiência -- menos praticada em Itu -- de cometimento de infrações desnecessárias na entrada da área.

O Santo André exibiu um futebol fluente, com avanço contínuo dos laterais, aproximação do meio de campo ao ataque, sobretudo Dudu Vieira, misto de volante e meia-atacante, e uma defesa que não cometeu falhas de cobertura e posicionamento nas bolas diagonais. Até o centroavante Lincom, visto com reservas, teve atuação interessante. 

Sérgio Soares montou o Santo André à imagem do Corinthians de Fabio Carille e Jô. O 4-2-3-1 convertia-se em 4-1-4-1 quando de posse de bola. A compactação nos três compartimentos do campo deu estabilidade de rendimento coletivo que sempre conflui favoravelmente às individualidades. 

Neste sábado o São Caetano volta a jogar fora, agora em Novo Horizonte a partir das 19h. Na segunda-feira, às 17h30 no Estádio Bruno Daniel, o Santo André enfrenta o Mirassol. É provável que no São Caetano o atacante Diego Rosa ganhe um lugar no ataque pela agilidade, velocidade e boa técnica a serem exploradas ocupando as extremidades do campo. No Santo André o técnico Sérgio Soares não tem com que se preocupar demais. Basta que o time deixe de perder oportunidades de gols que construiu em Itu e não tenha a arbitragem como empecilho. Ainda está faltando um meio-campista que leve a campo o insumo tático do treinador, mas o conjunto em Itu compensou essa dificuldade. 

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