Regionalidade

São Caetano lidera em qualidade
de vida; Mauá é última colocada

  DANIEL LIMA - 19/06/2018

Pegamos carona no Atlas da Violência, Políticas Públicas e Retratos dos Municípios Brasileiros para construir um ranking regional que vincularemos ao macroquesito de Qualidade de Vida. Os leitores vão entender que a expressão Qualidade de Vida tem tudo a ver. Os dados primários são do Ipea (Instituto de Pesquisas Aplicadas) e foram anunciados, com outro conceito e de abrangência nacional, na semana passada. 

Decidimos dar um enfoque diferenciado, regionalizando aquele estudo. O resultado final reflete décadas de políticas públicas de prefeitos que passaram pela região. Isso quer dizer que ninguém deve cantar de galo ou se sentir no pior dos mundos diante dos dados a seguir. É o acúmulo de resultados que deu no que vamos destrinchar. E não vamos parar por aqui. Nos próximos dias trataremos de novos ângulos. 

Antes é preciso esclarecer que Rio Grande da Serra de menos de 50 mil habitantes não entra nesse ranking porque o Ipea não a incluiu na relação, restrita a municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes. São 309, tendo como base o ano de 2016. 

Também deve ser destacado que os resultados se referem a 2010, o mais atualizado por aquele instituto. Não necessariamente estariam defasados em termos práticos. Seis, sete, oito anos não seriam suficientes para alterar significativamente os dados consolidados quando se trata de infraestrutura socioeconômica e políticas públicas. E é disso que estamos falando. 

Explicações do Ipea 

Retirei dos dados preparados pelo Ipea o quesito criminalidade, que consiste em homicídios e mortes violentas. Preferi centrar fogo nos 11 indicadores sociais e econômicos, por assim dizer, igualmente contemplados nos estudos e nos resultados. 

Vale a pena reproduzir alguns parágrafos do trabalho dos especialistas do Ipea para justificar a introdução do quesito relativo a mortes violentas no conjunto original de dados de políticas públicas municipais: 

 Fizemos um mapeamento das mortes violentas nos municípios brasileiros com população superior a 100 mil residentes, em 2016, com base nos dados do Sistema de Informação Sobre Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM/MS). Em primeiro lugar, discutimos o papel da prevenção social dentro de uma abordagem de políticas efetivas de segurança pública. Neste ponto, elaboramos o que seja este último conceito e os sete elementos fundamentais geralmente presentes nas experiências nacionais e internacionais que lograram êxito na redução de crimes violentos, em período relativamente curto de tempo. (...) Dentre esses fatores, um pilar crucial consiste na prevenção social focalizada para as populações vulneráveis. Para ilustrar a interação entre o desenvolvimento humano e as mortes violentas, apresentamos alguns indicadores socioeconômicos selecionados (calculados com base em dados do Censo Demográfico de 2010), a fim de compor uma fotografia para cada um dos 309 municípios listados, quando trouxemos um conjunto de gráficos que correlacionam essas medidas – escreveram os especialistas do Ipea. 

Contagem de pontos 

Retomo a narrativa para explicar que esses indicadores socioeconômicos foram esmiuçados por mim à definição do ranking regional de qualidade de vida. Na verdade, são 11 indicadores que compuseram o trabalho do Ipea, além de taxas de homicídios complementadas por mortes violentas. 

Neste texto, vou deixar de lado o que os pesquisadores do Ipea trataram como políticas de segurança pública efetiva, que consiste num conjunto de princípios, programas e ações de natureza intersetorial que garantem baixas taxas de crime e de sensação de insegurança e medo. Os chamados sete elementos para a segurança efetiva, conforme o Ipea, vão ficar para outra edição como espécie de métrica à identificação do que se passa na região. 

Vamos diretamente, então, aos resultados que construíram o ranking regional. Resultados dos seis quesitos e 11 indicadores. São Caetano ficou em primeiro lugar em todos, o que lhe garantiu o total máximo de 143 pontos na classificação geral. Muito acima da segunda colocada, Santo André, que somou 72,5 pontos. São Bernardo quase perdeu o terceiro lugar para Ribeirão Pires: fez 49,0 pontos contra 46,0. Diadema e Mauá disputaram pau a pau para fugir da última posição: Diadema fez 22,0 pontos e Mauá 19,5%. 

Metodologia aplicada 

O leitor provavelmente perguntará qual foi a metodologia que utilizei para chegar a esses números. Simples, muito simples: atribui a cada primeiro lugar 13 pontos, a cada segundo lugar oito pontos, a cada terceiro lugar cinco pontos, a cada quarto lugar três pontos, a cada quinto lugar dois pontos e a cada sexto lugar um ponto. Algo análogo à contagem da Fórmula-1. E semelhante à contagem que as delegações que participam dos Jogos Abertos do Interior preferem em contraposição ao número de medalhas. 

Os seis quesitos socioeconômicos listados pelo Ipea abrangem as áreas de Educação, Pobreza, Trabalho, Habitação, Gravidez na Adolescência e Vulnerabilidade Juvenil. 

Melhor em Educação 

Na área de Educação, São Caetano ficou muito à frente da segunda colocada São Bernardo. O quesito foi dividido em dois indicadores. No primeiro, de taxa de atendimento escolar da população de zero a três anos, São Caetano registrou 56,9%, contra 35,3% de São Bernardo, segunda colocada. Seguiram Santo André com 30,7%, Ribeirão Pires com 29,4%, Mauá com 23,1% e Diadema com 22,5%. No outro indicador, que taxa de atendimento escolar da população de 15 a 17 anos, São Caetano registrou 93,8%, contra 90,6% de Santo André, 89,1% de São Bernardo, 86,7% de Mauá, 86,4% de Ribeirão Pires e 85,6% de Diadema. Nesse quesito, somando-se os pontos nos dois indicadores, São Caetano contabilizou 26, São Bernardo 13, Santo André 11, Mauá e Ribeirão Pires cinco pontos e Diadema dois.

Melhor em pobreza

No quesito Pobreza, que se divide em três compartimentos, a supremacia de São Caetano também foi estonteante. No indicador renda per capita dos 20% mais pobres, São Caetano liderou com R$ 546, 00. Seguem-se: Santo André R$ 374, 0, São Bernardo R$ 333,3, Ribeirão Pires R$ 314,3, Diadema e Mauá R$ 266,7. No indicador de crianças pobres, São Caetano apresentou a menor taxa, de apenas 0,9%. Os demais: Ribeirão Pires 6,4%, São Bernardo 7,1%, Santo André 7,5%, Diadema 9,7% e Mauá 9,8%. O terceiro indicador, de crianças vulneráveis à pobreza, São Caetano apresentou o menor índice, de 7,5%, contra 23,7% de Santo André e Ribeirão Pires, 23,9% de São Bernardo, 30,2% de Diadema e 30,4% de Mauá. Com três primeiros lugares, São Caetano somou 39 pontos nos três indicadores, contra 17,5% de Santo André, 17,5% de Ribeirão Pires, 13 de São Bernardo, e 4,5 pontos de Mauá e de Diadema. 

Melhor em Trabalho

O quesito Trabalho envolveu dois indicadores. Na taxa de desocupação de 15 a 17 anos, o índice mais baixo é de São Caetano com 29,0%. Seguem-se: Ribeirão Pires 30,8%, Santo André 34,8%, São Bernardo 35,4%, Diadema 38,0% e Mauá com 42,6%. Na taxa de desocupação de 18 a 24 anos, São Caetano volta a apresentar o melhor resultado, com 13,2%. Seguem-se: Santo André com 14,2%, São Bernardo com 15,2%, Diadema com 16,8%, Ribeirão Pires com 18,1% e Mauá com 21,1%. São Caetano contabilizou os 26 pontos possíveis nos dois indicadores, contra 13 de Santo André, 10 de Ribeirão Pires, oito de São Bernardo, cinco de Diadema e dois de Mauá. 

Melhor em Habitação

O quesito Habitação se desdobrou em dois indicadores. Na população com dois ou mais moradores por dormitório, São Caetano apresentou a menor participação, com 20,1%. Seguem-se: Santo André com 25,6%, São Bernardo com 27,5% Ribeirão Pires com 29,4%, Mauá com 37,5% e Diadema com 39,4%%. No quesito de pessoas com abastecimento de água e esgotamento sanitário inadequado, mais uma vez São Caetano supera as demais em eficiência, com índice zero. Os demais: Santo André e Diadema com 0,2%, Mauá com 0,4%, São Bernardo com 0,7% e Ribeirão Pires com 1,1%. Na soma dos dois quesitos, São Caetano fez os possíveis 26 pontos, contra 14,5 de Santo André, 7,5 pontos de Diadema, 7,0 de São Bernardo, 5,0 de Mauá e 4,0 de Ribeirão Pires. 

Melhor em Gravidez 

No quesito gravidez na adolescência, São Caetano passou por cima dos demais com apenas 0,7%. Bem abaixo, três vezes menos, que os 2,1% de Diadema, última colocada. Em segundo ficaram Santo André e Ribeirão Pires com 1,6%. São Bernardo veio em seguida com 1,9% e Mauá com 2,0%. 

Melhor em Vulnerabilidade

Completando o ciclo, no quesito relativo à vulnerabilidade juvenil, o indicador de percentual de pessoas de 15 a 26 anos que não estudam e nem trabalham e são vulneráveis à pobreza, São Caetano conta com apenas 1,2%. Quase quatro vezes menos que Santo André, a segunda colocada, com 4,2%. São Bernardo vem em seguida com 5,0%, Ribeirão Pires com 6,4%, Diadema com 6,9% e Mauá com 7,3%.

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