Economia

Tucanos e petistas fracassam
na região; E agora, Bolsonaro?

  DANIEL LIMA - 23/10/2018

Não é preciso ler centenas de matérias econômicas publicadas por LivreMercado e CapitalSocial ao longo das duas últimas décadas para entender os motivos que conduzem Jair Bolsonaro a uma vitória retumbante nesta região. Seremos apenas uma extensão dos resultados nacionais que sairão das urnas eletrônicas no começo da noite de domingo. 

A região de sete municípios, 2,76 milhões de habitantes e 1,5 milhão de eleitores tem excesso de bagagem no compartimento de desencanto com os governos federais. A regionalidade das duas publicações que criei para colocar esse território num patamar diferenciado de jornalismo no Pais pode aparecer a qualquer momento para explicar o que se passa. E é o que fazemos com a coletânea de matérias que reproduziremos abaixo. 

Antes, uma correção: os textos completos das 14 matérias que se seguem estão no site desta revista digital. O que apresentamos em seguida é uma porta aberta mais que suficiente para se compreender o tamanho dos estragos que os governos Fernando Henrique Cardoso e Dilma Rousseff provocaram na região. Nem mesmo o intervalo consumista do governo Lula da Silva, de crescimento sem sustentação, limpou a barra petista na região. O PT chegou ao ponto de torna-se pior que FHC. E olhem que FHC causou prejuízos enormes à região. 

Enfraquecimento econômico 

Quem procura explicações ao sucesso eleitoral de Jair Bolsonaro no Brasil encontra respostas mais que compulsórias na região: somos um território em franca decomposição econômica e não encontramos antídoto para congelar as perdas e reagir entre outras razões também porque o governo do Estado e os prefeitos da região não colaboram. 

Vivemos sob o signo da mesmice improdutiva no campo econômico. O Clube dos Prefeitos criado por Celso Daniel foi completamente desmantelado na gestão de Orlando Morando, titular do Paço de São Bernardo. Estamos há muito tempo à deriva. E em se plantando mediocridades locais, estadual e federal, não poderia dar outra coisa senão o capitão reformado. 

Em ordem cronológica, apresentamos aos leitores de CapitalSocial um produto que nenhuma mídia dispõe, porque não entende do riscado econômico regional. “Regionalismo sem partidarismo”, mote desta publicação, não é palavra de ordem ou marketing. É o desafio permanente de manter a realidade da região atentamente sob investigação em forma de análises. 

Partidarismo, não 

Essa espécie de recuperação da memória editorial de CapitalSocial (e também da antecessora LivreMercado, revista impressa que criei em março de 1990 e que circulou até dezembro de 2008) também tem formato elucidativo que serve para calar a boca dos desinformados ou maledicentes: jamais o partidarismo político vai impregnar nossas páginas e obscurecer nossas análises. 

Da mesma maneira que torcemos pela vitória de Lula da Silva em 2002 o fazemos agora em relação a Jair Bolsonaro. Tudo por questão de sobrevivência espiritual: precisamos sustentar a expectativa de que a região finalmente vai acordar. Não existe pecado nisso. Tampouco na torcida por tantos candidatos às prefeituras da região, que mobilizaram nosso otimismo. 

Lamentavelmente, a quase totalidade só nos causou desgosto, porque não tem compreensão do significado de integração regional. Optam sempre por um municipalista rastaquera.

Acompanhem na sequência a crônica de um caos não anunciado, ou seja, uma sequência de análises que começou com o entusiasmo da eleição de Lula da Silva para a presidência da República e terminou com o estrondoso fracasso de sua sucessora, Dilma Rousseff. 

Lulacá, urgente! 

 DANIEL LIMA e ANDRE MARCEL DE LIMA - 15/11/2002 

O ex-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva vai herdar de Fernando Henrique Cardoso um Grande ABC automotivo cruelmente atropelado pela abertura econômica. Nenhuma outra região brasileira passou pela experiência sadomasoquista de trocar o céu pelo inferno num passe de mágica econômico. A decisão de substituir o autarquismo pelo escancaramento do mercado nacional não tem adeptos em nenhum país de Primeiro Mundo. O paraíso econômico construído a partir de Juscelino Kubitschek e que colocou o Grande ABC a salvo de grandes impactos econômicos virou pesadelo especialmente nos anos Fernando Henrique Cardoso. A associação destrutiva de abertura econômica e moeda sobrevalorizada em relação ao dólar, que perdurou até o início de 1999, juntou-se à guerra fiscal, à elevada taxa de juros e à descentralização automotiva para golpear a região. Saldo do período FHC: o PIB (Produto Interno Bruto) do Grande ABC perdeu 34% de musculatura. De JK a FHC, o que a região viveu e que Lula da Silva vai herdar é uma experiência insidiosa, na qual o Estado-Todo-Poderoso pintou e bordou imprevidências. Na chegada das grandes montadoras de veículos e das indústrias satélites, o Estado não teve competência para articular políticas públicas que disciplinassem correntes migratórias e medidas estratégicas de concorrência cooperativa entre as autopeças — espírito de complementaridade próprio dos clusters, como no caso da Toyota no Japão. Quatro décadas depois de JK, ao decidir abrir o mercado para a concorrência internacional, o mesmo Estado simplesmente lavou as mãos sobre os efeitos econômicos e sociais que a medida provocaria. O Grande ABC ficou ao deus-dará e não teve, internamente, massa crítica institucional para reagir à altura e à velocidade das mudanças que o atingiram em cheio. 

Estamos perdendo mobilidade social

 DANIEL LIMA - 10/12/2002 

Quem ganha pelo menos R$ 4 mil de salário com carteira assinada no Grande ABC? Se você se inclui nessa faixa, considere-se privilegiado. Mas tome cuidado, porque pode ser espécie de mico-leão dourado, isto é, corre o risco de extinção. De cada 100 trabalhadores registrados em empresas sediadas na região, apenas 5,57 estão na lista dos assalariados cujos contracheques registram, em valores brutos, pelo menos R$ 4.001 de salário, isto é, acima de 20 salários mínimos. De janeiro de 1995 a dezembro do ano passado, esse universo de privilegiados encolheu assustadoramente no Grande ABC: eram 60.977, ou 11,85% da massa de trabalhadores, e passaram para 29.124, ou 5,57%. O que dava para encher duas vezes o Pacaembu foi reduzido a dois estádios Bruno Daniel. 

Sindicalismo vs. FHC

 DANIEL LIMA - 31/03/2005 

Por mais dados que possam ser lançados, aparentemente é difícil responder à seguinte equação: quem foi o agente mais nocivo à desindustrialização do Grande ABC, o sindicalismo liderado inicialmente por Lula da Silva, agora presidente da República, ou a abertura econômica, sublimada pelo inigualável Fernando Henrique Cardoso? (...) dividindo a trajetória da economia do Grande ABC em duas etapas, entre 1976 e 1989, período que abarca o movimento sindicalista mais bravio, e entre 1990 e 2004, de abertura econômica, nota-se certa semelhança do comportamento do repasse do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), importante medidor da temperatura econômica do Estado. O repasse do ICMS está estruturalmente relacionado ao Valor Adicionado, espécie de PIB (Produto Interno Bruto). Entre um pouco antes do movimento sindical (1976) até os estertores das estripulias nas fábricas (1989), contando com o aval do mercado fechado, o Grande ABC perdeu 27,21% de participação no ICMS. 

Governo FHC proletariza 

classe média da região

 DANIEL LIMA - 09/06/2006 

O Grande ABC crescentemente classe média no embalo de três décadas da indústria automotiva mergulhou na maior crise socioeconômica de sua história a partir da segunda metade dos anos 1990, até tornar-se reduto prevalecentemente proletário. Foi por água abaixo sem choro nem vela a decantada mobilidade social, traduzida como a possibilidade prática de miserável virar pobre, de pobre virar classe média-baixa, de classe média-baixa virar classe média-média, de classe média-média virar rico e de rico virar milionário. Os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso, entregues à abertura econômica combinada com série de descuidos, tornaram os sete municípios do Grande ABC maiores vítimas da precarização do mercado de trabalho no Brasil. O rebaixamento de salários é um dos mais contundentes rescaldos da transposição apressada do nacional-desenvolvimentismo para a globalização, casa de marimbondos em que o Brasil se meteu nos anos 1990. O Grande ABC combinou quebra de valores salariais com monumentais perdas de empregos industriais, alma e coração de sustentação da classe média. 

Lulacá! (Decididamente?)

 DANIEL LIMA - 21/11/2006 

A reeleição do petista Luiz Inácio Lula da Silva pode até não ser a melhor notícia para a economia do Grande ABC neste final de temporada, mas, levando em conta o contexto que o confirma no poder central, deve ser recebida com satisfação. Os quatro primeiros anos de Lulacá foram mais prospectivos que os dois mandatos seguidos de Fernando Henrique Cardoso. A comparação chega a ser desproposital e ofensiva porque FHC despejou mísseis que atingiram em cheio o coração industrial da região. (...). Foram anos de chumbo de moeda valorizada, juros elevadíssimos, escancaramento alfandegário na indústria automotiva e descentralização geográfica de montadoras de veículos incentivada com dinheiro barato. Tudo isso provocou rombos estratosféricos na estrutura socioeconômica da região. Foram destruídos 81.327 empregos industriais com carteira assinada. Já um terço do Valor Adicionado, espécie de PIB (Produto Interno Bruto), foi dissolvido e deixou rastro de desemprego, subemprego e informalidade, além de comprometedores índices de criminalidade. 

Lula recupera dois terços de

empregos destruídos por FHC

 DANIEL LIMA - 26/01/2011 

Os números são exclusivos e não podem faltar a estudiosos ou curiosos que pretendam entender o que aconteceu nas duas últimas décadas: o Grande ABC recuperou durante o governo Lula da Silva dois terços dos empregos industriais com carteira assinada que o governo Fernando Henrique Cardoso destruiu nos oito anos anteriores. (...). Com FHC e a política suicida de abertura indiscriminada do setor automotivo, juros elevadíssimos e guerra fiscal, entre outras artilharias pesadas que atingiram em cheio o coração econômico do Grande ABC, perdemos exatamente 81.327 empregos com carteira assinada na indústria de transformação. (...) Com Lula da Silva a incentivar o consumo e a financiar a perder de vista a compra de automóveis, nosso carro-chefe industrial, o Grande ABC recuperou 54.149 postos de trabalho. Resultado da ópera de 16 anos: uma perda líquida de 27.178 trabalhadores industriais, ou 9,82% do efetivo em 16 anos. Contávamos em 1994 com 276.650 empregos industriais com carteira assinada. Ao final de 2010 registrou-se o total de 249.472. 

Grande ABC se aproxima do Brasil

entre pobres e miseráveis pós-Real

 DANIEL LIMA - 13/05/2011 

Com velocidade de crescimento do potencial de consumo 70% abaixo da média nacional no período de 1995 a 2011, o Grande ABC só poderia mesmo ver a larga diferença de pobres e miseráveis da população estreitar-se em relação à população brasileira. Que resultado mais desastroso que esse, levando-se em conta que aqui é o berço do capitalismo verde e amarelo e também multinacional, enquanto o País como um todo se perdeu nas brumas do tempo com excessos de estatismo improdutivo, de coronelismos políticos irrefreáveis e de atavismo social? Aproximar-se do Retrato do Brasil também entre os pobres e os miseráveis, se já não bastasse entre as classes médias, não é um resultado a festejar. Ainda mais que, por mais que tenha melhorado nos últimos 10 anos com modestos índices de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), o País está muito distante do Primeiro Mundo e não se liberta de desigualdades sociais quase insanáveis. (...). Possivelmente esses números não explicitem a dimensão do que foi o desastre do governo Fernando Henrique Cardoso para a indústria regional, tampouco a recuperação nos anos Lula da Silva. Imaginem então que durante FHC perdemos 27 fábricas do tamanho da Bridgestone/Firestone de Santo André. E com Lula conseguimos erguer 18 fábricas. Não é pouca coisa. Quem acreditar que tudo isso é obra do acaso, de fluxos e contra-fluxos macroeconômicos, certamente desconhece as especificidades da economia do Grande ABC. 

Indústria da Província perde mais 

espaço durante o governo petista

 DANIEL LIMA - 06/01/2015 

O aumento da carga tributária municipal imposto pelo prefeito Luiz Marinho, de São Bernardo, não é uma obra do acaso e tampouco um ato isolado nas duas últimas décadas na região. É a confissão tácita de uma incompetência generalizada dos gestores públicos da Província do Grande ABC em lidar com o desafio continuado de que cada vez mais o setor industrial será mais decisivo ao equilíbrio econômico e social da região. Acabamos de levantar novos dados que asseguram uma constatação inquietante: quatro dos cinco mais importantes municípios locais registraram em 2012 (conforme os últimos dados do IBGE) perda industrial durante a década de controle petista no governo federal. Mais ainda: o último ano da gestão do tucano Fernando Henrique Cardoso, período de duras provações da região, é invejável perto de 2012, quando o PIB Geral da Província caiu 5,61% e o PIB Industrial encolheu 15,82%. (..). Os anos dourados de consumismo do presidente Lula da Silva foram esticados até a chegada de Dilma Rousseff ao poder. Entre 2003 e 2010, quando o Brasil cresceu acima das expectativas, o PIB Industrial da Província reagiu espetacularmente movido pela vaca leiteira da indústria automotiva. Mas os dois primeiros anos do primeiro mandato da também petista Dilma Rousseff reverteram o quadro. 

Consumismo de Lula leva Dilma a 

superar estragos de FHC na região

 DANIEL LIMA - 11/09/2015 

A produção de riqueza na Província do Grande ABC, medida pelo Valor Adicionado, espécie de PIB (Produto Interno Bruto) sem impostos, ficou praticamente congelada desde o lançamento do Plano Real, que completou 20 anos em 2014. Entretanto, os quatro anos do primeiro mandato de Dilma Rousseff, entre 2011 e 2014, se notabilizaram por ser piores que os oito anos de Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 2002. Entre os dois governos, salvou-se em números Lula da Silva, com crescimento avantajado, principalmente porque anabolizado por recursos gerados pela comercialização de commodities. Mas a farra de gastos de Lula da Silva atingiu Dilma Rousseff em cheio. (...). Nos quatro anos de Dilma Rousseff a Província do Grande ABC perdeu 2,80% de Valor Adicionado em média ao ano. Um resultado negativamente superior ao registrado durante os oito anos de Fernando Henrique Cardoso, quando se perdeu em média por ano 2,2%. Com Lula da Silva e a febre consumista, combinada com novas camadas de desindustrialização de um País que perdeu a corrida pela competitividade internacional, houve crescimento anual de 6,59% na Província. Nada mais que um anabolizante de efeito precário. Quando se traça linha do tempo entre a base de janeiro de 1995 e dezembro de 2014 à mensuração do Valor Adicionado da região, o resultado é discretíssimo: houve crescimento de 15,21% -- desprezível média anual de 0, 76%. Muito menos que, no mesmo período, registraram as três principais sedes de metrópoles do Interior do Estado: Campinas avançou 72,37%, o que significa 3,62% ao ano (nove vezes mais que a Província); São José dos Campos cresceu 60,87%, o que resulta em 3,04% ao ano (7,5 vezes mais que a região); e Sorocaba, que cresceu 178,63%, ou 11,19% ao ano (9,3 vezes mais que a região). 

Grande Campinas dá surra no 

PIB da Província na Era PT

 DANIEL LIMA - 12/05/2017 

O PIB (Produto Interno Bruto) da Província do Grande ABC sofreu continuados reveses durante 12 dos 14 anos já apurados do governo federal petista, que vai do período de janeiro de 2003 a dezembro de 2014, segundo dados mais atualizados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) metabolizados por este jornalista. Quando forem revelados os danos de 2015 e 2016 o estrondo será maior ainda. A indústria automotiva fortemente indutora da economia regional sofreu duras perdas. No período de 12 anos o PIB da Grande Campinas cresceu assustadoramente muito mais. O que era superioridades de apenas 3,54% passou a ser vantagem de 23,64%. Estamos comendo poeira e arrotando peru. (...). As diferenças territoriais e demográficas ajudam a explicar, apenas em parte. Tanto que nos anos 1990, quando a Grande Campinas também era maior que o conjunto dos municípios da região em território e em população, estávamos na dianteira. Isso quer dizer que estamos perdendo um jogo porque não fomos capazes de nos preparar para o futuro. (...). Em 2003, quando Lula da Silva assumiu a presidência da República, o PIB nominal da Grande Campinas então com 19 municípios registrava em valores nominais (sem considerar a inflação) o total de R$ 36.095.92 bilhões. A Província do Grande ABC registrava R$ 34.817,50 bilhões. Uma diferença de 3,54%. Em 2014, a distância aumentou: a Grande Campinas saltou para R$ 157.410,859 bilhões, enquanto a Província chegou a R$ 120.190.949 bilhões. Em valores monetários, uma diferença de R$ 37.219.910 bilhões. Esse valor corresponde à quase totalidade da soma dos PIBs de Diadema, Mauá e São Caetano, respectivamente e em números redondos de R$ 13,9 bilhões, R$ 11,3 bilhões e R$ 16,1 bilhões. Em janeiro de 2002 a Grande Campinas contava com vantagem correspondente a 30% do PIB de Diadema.    

PT deixa emprego industrial 

da Província abaixo de FHC

 DANIEL LIMA - 11/01/2017 

Quem imaginou que a Província do Grande ABC havia chegado ao fundo do poço do valiosíssimo emprego industrial com carteira assinada no último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2002, deu com a cara do otimismo na porta da realidade cruel. Mesmo ao faltar dezembro para ser contabilizado (os dados serão divulgados até o dia 25 deste mês pelo IBGE), a região rebaixou além daquele nível o estoque de assalariados no setor mais disseminador de riqueza. Trocando em miúdos: após 14 anos, a região registra exército ainda mais debilitado de trabalhadores industriais quando se compara o resultado atual com o final do governo tucano. O balanço negativo deve ser debitado ao vermelho do Partido dos Trabalhadores. Dilma Rousseff tem tudo a ver com isso. Nem poderia ser diferente. Ela foi um desastre – também -- na condução da política econômica do País. Consideramos o ano de 2016 como inteiramente petista, apesar do afastamento da presidente em maio. É que os efeitos do desastre econômico não se dissiparam. Mais que isso: houve até alguma melhora desde então. Os estragos anualizados quando Dilma Rousseff foi tirada do cargo projetavam números bem piores no mercado de trabalho. Já chega ao total de 62.066 os trabalhadores com carteira assinada demitidos durante os últimos cinco anos petistas na Presidência da República. O resultado transformou em pó os 60.247 empregos industriais gerados nos oito anos de Lula da Silva e no primeiro ano do primeiro mandato de Dilma Rousseff. Isso quer dizer que são 1.819 postos de trabalho do setor o déficit em relação ao estoque deixado por Fernando Henrique Cardoso.   

Viramos uma fábrica de pobres 

e miseráveis. E de poucos ricos

 DANIEL LIMA - 12/04/2018 

Sei que a expressão mobilidade social não é de compreensão plena, por mais que prevaleça gente qualificada como consumidora desta revista digital. Por isso não custa explicar, de forma didática, que mobilidade social é o miserável que vira pobre, o pobre que vira classe média-baixa, o classe média-baixa que vira classe média-média, o classe média-média que vira classe média-alta e o classe média-alta que vira rico. Isto posto, vou explicar o título desta matéria: a região perdeu fôlego no aquecimento das turbinas de geração de riqueza que se traduza no avanço das camadas mais altas do estrato socioeconômico e no rebaixamento dos quadros de excluídos sociais. (...). Temos apenas 3,2% dos domicílios de classe rica na região, correspondentes a 29.984 famílias entre quase um milhão (exatamente 937.436 mil) de residências. Numa classificação geral do G-22, grupo dos 20 maiores municípios do Estado de São Paulo (menos a Capital), completado por Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra para que a região fique representada na totalidade dos municípios, não passaríamos do 13º lugar. Ou seja: entre 23 participantes (a região participaria do ranking como uma megacidade, além das sete formais) ocuparíamos a parte de baixo da tabela. 

PT entrega PIB Industrial 

da região abaixo de FHC

 DANIEL LIMA - 17/07/2018 

O PIB dos Municípios Brasileiros de 2016 vai ser divulgado oficialmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) somente no fim do ano, mas já se tem o resultado dos 13 anos de poder do Partido dos Trabalhadores quando se trata do PIB da Indústria da região, entre janeiro de 2003 e dezembro de 2015. Em 2016, Michel Temer já tomava conta do poder federal, após assumir em maio do ano anterior por conta de derrapadas fiscais da presidente Dilma Rousseff ou, segundo versão petista, do golpe do impeachment. No geral, a indústria de transformação da região perdeu 7,64% em comparação ao último ano do governo Fernando Henrique Cardoso. São Bernardo perdeu: 15,41%. É a Doença Holandesa Automotiva a maltratar a economia do Município em combinação com um sindicalismo de resultados exclusivamente corporativos. (...) O resultado geral da região no PIB Industrial e particularmente de São Bernardo é catastrófico. Os oito anos do tucano Fernando Henrique Cardoso à frente do País significaram, particularmente para a região, uma das razões históricas da derrocada da economia regional. As outras foram o sindicalismo (e continua a ser, notadamente em São Bernardo) e a descentralização industrial incentivada pelo governo do Estado em apoio à guerra fiscal. Neste século, o trecho sul do Rodoanel Mario Covas se converteu em algoz da economia regional.  

PIB per capita mostra quanto 

perdemos para a vizinhança

 DANIEL LIMA - 20/07/2018 

Nossa vizinhança mais preocupante não é a Capital do Estado. A cidade de São Paulo, Cinderela do pesadelo do Complexo de Gata Borralheira que vivemos, pode ser uma aliada às pretensões econômicas e sociais. Até porque, é melhor ser parceira do que adversária. O gigantismo da Capital não permite confrontos. Deveria estimular compartilhamentos. Celso Daniel pensava assim. Também penso. O que deveria nos incomodar muito, mas muito mesmo, mas parece que não incomodará jamais, porque a dualidade de comportamento de Gata Borralheira assim determina, são as vizinhas à Oeste e à Leste desta Província, precisamente Osasco, Barueri e Guarulhos. O comportamento do PIB per capita dessas duas regiões desde que Lula da Silva deixou a presidência da República, em dezembro de 2010, até dezembro de 2015, último ano do governo Dilma Rousseff, é emblemático. Este é mais um ângulo de análises dando conta do que viramos após a saída de Lula da Silva do Palácio do Planalto. E muito antes de o ex-metalúrgico ganhar uma sala reservada em Curitiba, em abril deste ano. Se fracassamos no PIB Geral e no PIB Industrial, não seria diferente no PIB per capita, medidor mais preciso e importante quando se leva em consideração a aplicabilidade desse indicador contestado em todos os cantos do mundo, embora nenhum especialista encontrasse até agora substituto que convença o mundo econômico e financeiro. PIB per capita é a divisão do PIB Geral pelo número de habitantes de um determinado endereço. É a prova dos nove da riqueza gerada por produtos e serviços sem distorções demográficas. De vez em quando me meto aqui a fazer o jogo do PIB per capita porque assim fechamos ou ampliamos novo ciclo de informações e análises. Vamos, portanto, ao que mais interessa nesse momento, e que justifica o título logo acima. O PIB per capital da vizinhança da região sofreu baixas mais que suportáveis após o encerramento dos oito anos de mandatos de Lula da Silva e antes que 2016 com nova quebra do PIB Nacional se manifestasse. Barueri perdeu 8,98%, Osasco 8,68% e Guarulhos 3,96%. Agora, comparem com as perdas da região: São Caetano 26,62%, São Bernardo 33,08%, Santo André 30,32%, Diadema 13,79%, Mauá 12,70% e Rio Grande da Serra 9,97%. Escapou Ribeirão Pires, cujo PIB per capital cresceu 4,00% em cinco anos. Uma exceção sem peso regional, porque o PIB Geral de Ribeirão Pires não chega a 3% do total dos sete municípios. 

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