Economia

Novo Osasco Plaza
em São Bernardo?

  DA REDAÇÃO - 05/08/1999

A pá de cal que faltava para o sepultamento definitivo do sonho de ressurreição do Best Shopping pode ter sido jogada pela Secretaria Municipal de Obras de São Bernardo. Há cerca de dois anos em progressiva decadência, o Best foi lacrado devido à falta de alvará que atenda às normas de segurança contra incêndio. Mas o fato é só um detalhe, pois dificilmente o centro de compras encontrará forças para reabrir as portas. Concebido há 12 anos como shopping de proprietários, modelo pouco producente e oposto ao dos Estados Unidos, o Best parece ter esgotado as alternativas de sobrevivência. 

O alvará de funcionamento só pode ser concedido com a garantia do Corpo de Bombeiros de que os sistemas básicos de prevenção e combate a incêndio estão em condições adequadas. "A Prefeitura vem dando prazos desde 1993 e nada foi resolvido. Não quero ser responsabilizado em caso de acidente. Fiz a lacração com dor no coração, mas havia até risco de explosão, como no Osasco Plaza Shopping. Qualquer vazamento poderia ser fatal se um interruptor fosse acionado. Havia botijões de gás expostos e até combustível estocado próximo do gerador de energia, usado ininterruptamente porque a energia elétrica está cortada há algum tempo" -- justifica o secretário de Obras, Luiz Roberto Beber.   

Embora o fechamento possa ser entendido como transitório pelos menos pessimistas, a derradeira pá de cal fica caracterizada pelos antecedentes que têm norteado os últimos meses do empreendimento, que vivia às moscas. Alternava tentativas de venda ou locação com sonhos de reerguimento por meio de projetos que quase sempre esbarraram em alta inadimplência e modelo administrativo fracassado por sustentar-se em lojistas proprietários.

A venda de espaços do empreendimento eliminou a figura mais racional de administração capaz de ordenar eventuais interesses de todos e até problemas de determinados empreendedores. "Quase todos os shoppings de proprietários estão mal das pernas. As  administrações precisam ser independentes e extremamente profissionais" -- alertava há mais de um ano à LIVRE MERCADO o então presidente da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers), Henrique Falzoni, hoje substituído por Paulo de Barros Stewart. Diretor da Enplanta Engenharia, que também administra o Shopping Metrópole de São Bernardo, Falzoni entende que o poder de aglutinação dos não-proprietários é muito maior, com o que concorda o diretor administrativo do Best, José Gonçalves Teté, um dos principais donos de espaços no centro de lojas. "Sempre houve muita resistência na hora de cada um entrar com sua parte. Com uma administração profissional seria diferente. Tentamos várias opções, mas não deu. A alternativa é vender, embora a lacração por alegada falta de segurança não se justifique. Está tudo em ordem" -- afirmava Teté no final de julho.

Com 227 módulos de 25 metros quadrados, além de estacionamento, áreas de circulação e espaços que já foram ocupados por feiras de malhas e duas salas de cinema, o Best parece mesmo fadado a negociações. Apesar do alegado crédito de aproximadamente R$ 2 milhões referente a taxas condominiais e aluguéis em atraso, há dívida superior a R$ 700 mil com energia elétrica, água e esgoto, IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), encargos trabalhistas e fornecedores. Atolado em dívidas e ultimamente com apenas uma dezena de lojistas na ativa, fica difícil imaginar que o Best volte a ganhar confiabilidade e obtenha recursos para providenciar pagamentos e reformas necessárias para se reerguer com solidez.    

Golden, próxima vítima? -- Inaugurado há uma década, o vizinho Golden Shopping, na Avenida Kennedy, incorpora algumas características do Best, mas faz de tudo para não ser a próxima vítima. Também com espaços de proprietários, o Golden não escapou da recessão e tem mais de 30% de lojas fechadas. Sonha com salas de cinema, planeja reformas, faz promoções, encampa competições esportivas, procura parcerias -- como a recém-acertada com as Lojas do Gugu --  e muda a administração. Não consegue, entretanto, decolar após uma aterrissagem forçada pelo momento econômico, pelo crescimento da concorrência e por obstáculos administrativos. Talvez a parceria com grupo forte, capaz de absorver os espaços de proprietários e injetar investimentos, possa significar a luz no fim do túnel. 

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