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“Gata”: muita emoção no
capítulo final. Pode chorar!

  DANIEL LIMA - 28/02/2019

Ainda restava uma cadeira vazia na mesa retangular daquela hotel-fazenda em que se reuniram a Cinderela São Paulo e as gatas borralheiras dos sete municípios do Grande ABC.

Durante quase todo o tempo havia uma outra cadeira à espera de convidado. Até que chegou o Estado de São Paulo. Quem ocuparia a cabeceira principal da mesa, frente a frente com a cidade de São Paulo?

É isso que os leitores vão saber hoje, quando se desenrola o último capítulo de Complexo de Gata Borralheira, livro que lancei em abril de 2002 num Teatro Municipal de Santo André lotadíssimo.

Naquela noite foi prestada uma homenagem póstuma ao prefeito Celso Daniel, assassinado dois meses antes. O lançamento do livro seguiu ritual que começou no palco. Complexo foi protagonizado por atores e atrizes em leitura dramática. Foi um espetáculo emocionante. 

Escrevi essa que é a maior obra de minha carreira (outros quatro livros contam com estilos completamente diferentes) em apenas duas semanas, ao sabor ou ao dissabor dos acontecimentos que abalaram a política nacional. Complexo não tratou uma linha sequer do crime. Preferi o caminho da regionalidade como âncora dos diálogos. 

A dimensão criminal que se desdobrou só veio depois, quando o governo do Estado intercedeu para deslocar a verdade de crime de ocasião para a fantasia de crime político que, massacrantemente veiculada pela mídia, fez da mentira verdade. Mas esse é um assunto para outro livro, que um dia, quem sabe, decida escrever. 

Insisto em perguntar aos leitores: quem estava para chegar e ocuparia o assento principal daquela mesa em que se debateram os grandes problemas da região, tendo como pano de fundo a Região Metropolitana de São Paulo e o domínio da Capital? 

Quem por algum motivo já se emocionou com o Grande ABC, seja como região seja como a individualidade dos municípios que o compõem, provavelmente não resistirá ao último capítulo de Gata Borralheira. 

Mesmo 17 anos depois e na condição de autor da obra, o que por pressuposto retira qualquer nesga de surpresa, não resisti à leitura que precedeu a essa edição. Muita lembrança daqueles dias tormentosos de janeiro veio à mente. É impossível, portanto, passar pelo último capítulo sem se dar conta de tudo o que aconteceu e os reflexos que ainda hoje impactam a região. Ou alguém em sã consciência seria capaz de sugerir que a fluência intelectual de Celso Daniel poderia ser descartada assim, sem efeitos colaterais? 

Leiam, portanto: 

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