Imprensa

Demonização de redes sociais é
artimanha da mídia tradicional

  DANIEL LIMA - 20/03/2019

Uns poucos totalitários disfarçados de diplomáticos precisam entender que este jornalista não lhes é presa fácil. Sou, para ser sincero, osso duro de roer. Esses totalitários não estão diante de um aluno idiotizado e pressionado pelos companheiros de classe que aceitam o jogo subliminarmente sujo ou explicitamente imundo de que é preciso harmonizar o pensamento de acordo com conveniências e contextos.

Fiz-me jornalista por necessidade, vocação e inconformismo. Exatamente nessa ordem. E dessa ordem não arredarei pé. Que cantem em outra freguesia, portanto.

Ainda não nasceu quem me coloque de joelhos no campo profissional. Nem, inclusive, um meritíssimo ignorante.

No campo pessoal, para me colocar de joelho é preciso que se me apresente alguma imagem a quem devoto fé. De outra forma talvez só com uma arma na cabeça.

Elasticidade positiva 

Acho ótimo que o conceito de jornalismo tenha se expandido e que contemple inclusive o que chamaria de jornalismo voluntário, encontrado a todo instante nas redes sociais.

Os riscos são inerentes aos novos tempos, que sempre chegam. Mesmo que, em algumas situações, como caricatura ou metamorfose do passado que se pretende, como presente, intocavelmente puro.

É um direito de a cidadania manifestar-se nas redes sociais. Só não se pode achar que a emissão de críticas tem o aval tácito que o jornalismo profissional exige, mas nem por isso está imune a contravenções. Tampouco que o jornalismo profissional seja ancoradouro indevassável a versões incorrigíveis.

Mente-se em demasia nas redes sociais, como se mente muito no jornalismo profissional. A diferença entre uma mentira e outra é que invariavelmente a mentira no jornalismo profissional é mais rebuscada, camuflada, tem a cara, o corpo e a alma de suposta verdade. São mentiras inteiras, mas também meias-verdades.

Simplório e sofisticado

Nas redes sociais a mentira é mais simplória, mais atrevida na ingenuidade de acreditar que se está lidando com espelhos. Ou seja: a mídia tradicional conta com arquitetura delitiva mais sofisticada; a mídia social é mais artesanal na engenharia de catequização.

A mentira e a meia verdade do jornalismo profissional nem sempre são capturadas, e até se tornam bandeiras de campanhas de marketing.

A mentira em estado bruto das redes sociais, porque mentira gelatinosa raramente se vê, porque, afinal, se trata de jornalismo voluntário, é uma mentira mais facilmente detectável e estimuladora do conceito geral de que tudo ao redor é igualmente mentiroso.

Diferentemente de muita gente que é jornalista profissional e que escreve para publicações profissionais, sobretudo as mais tradicionais, não estou preocupado com a invasão dos bárbaros amadores das redes sociais.

Esse negócio de fake news, portanto, não é propriedade exclusiva dos militantes das mídias sociais, como se convencionou relacionar. A mídia tradicional também está repleta de fake news.

Entendendo fake news

A diferença básica entre fake news de redes sociais e fake news do jornalismo profissional é que, na maioria dos casos, as mentiras inteiras ou as meias verdades são manipulações mais apuradas quando há gente do ramo metendo a mão na cumbuca da malandragem.

Além disso, a mentira inteira ou a meia-verdade das mídias profissionais contam com o aval da tradição que, acriticamente, protege os malfeitores.

A mídia impressa tradicional pretende-se exclusiva na propriedade da informação qualificada em detrimento das redes sociais. Joga, por isso, o tempo todo em nome dessa tradição produzida contraditoriamente no período, longo período, em que reinou soberana com espertezas e negociatas. 

Ou seja, e para deixar evidente: fake news não são novidade alguma no mundo da comunicação. Vem do passado cristalizadamente impresso.

Vigilância permanente

As redes sociais, por mais que sejam despreparadas no conjunto da obra sem ordem e hierarquia, e abomináveis em alguns endereços organizados por milícias ideológicas e partidárias, significam contraponto de vigilância permanente.

Quero dizer com isso que jornais e revistas impressos, e seus filhotes digitais que carregam as mesmas marcas, não estão mais sozinhos, leves e soltos para tentar vender supostas verdades que, em muitos casos, não passam de manipulação que sustentam interesses específicos, quando não escusos.

A generalizada demonização das redes sociais que se pretende impingir à sociedade é um discurso mais alarmista, intimidatório, inquietante, do que sustentável. As mídias tradicionais sabem que não é mais possível transformar em imagem monolítica determinado protagonista da vida pública.

Há um vendaval de interpretações e de fatos que se opõe ao unilateralismo arrasador de outros tempos menos tecnológicos, mas nem por isso menos perniciosos.

Acabou impunidade 

Os gângsteres do jornalismo profissional que ainda existem já não ficam impunes como antigamente, porque, também contraditoriamente, muitos de seus atos são rigorosamente semelhantes às ações dos malfeitores de mídias sociais. 

Até porque, muitos bandidos midiáticos do jornalismo convencional migraram para o mundo digital levando mochilas de impropriedades éticas e morais que sequem a vicejar nos espaços de origem.

Fosse este jornalista conservador e autoprotetor como a maioria o é, estaria aqui a desclassificar completamente as mídias sociais. Não atribuiria às redes sociais, portanto, qualquer porção de contribuição positiva à sociedade.

Bobagem: por mais que entenda que há uma escala monumental de besteiras no mundo digital produzida por jornalistas voluntários, sempre é possível encontrar pérolas que acossam a credibilidade dos meios tradicionais.

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