Imprensa

História do melhor jornalismo
regional do País. Leiam! (163)

  DANIEL LIMA - 03/04/2019

Façamos de conta que o leitor seja um perdido na noite do Grande ABC. Que nunca aportou por aqui. E que ouviu dizer que se existiu algo neste território que revolucionou o jornalismo brasileiro, pairando muito acima do gataboralheirismo regional, foi a revista LivreMercado. Criei e comandei a publicação durante duas décadas. Hoje apresentamos mais três provas provadas do quanto LivreMercado, antecessora de CapitalSocial, estava adiante no tempo. As matérias são da edição de dezembro de 1998. Portanto, há mais de 20 anos. Leiam: 

Primeira matéria 

 Cuidado com o que vem por aí! O festival de dissimulação que sempre cerca pesquisas socioeconômicas, principalmente quando está em jogo a reputação de governantes e aliados, pode ganhar mais um capítulo este mês, quando a Fundação Seade (Sistema Estadual de Análises de Dados), braço estatístico do governo do Estado, anunciar os resultados de histórico levantamento estadual, com detalhamento numérico do Grande ABC. O risco que se corre não é apenas de dissimulação, mas também de manipulação interpretativa por parte de agentes políticos interessadíssimos em tentar provar o impossível: que a região e o Estado não sofreram profundos derramamentos econômicos nas duas últimas décadas. O grave é que, se a recém-criada Agência de Desenvolvimento Regional trabalhar sobre bases equivocadas, vai para o ralo qualquer tentativa de reerguer o Grande ABC.

05/12/1998 - Cuidado! Querem mudar a realidade

Segunda matéria 

 O Grande ABC está em estado de atenção, com tendência de chegar a situação de perigo, sobre quatro temas dos mais importantes que preocupam a comunidade. A conclusão é baseada em nova pesquisa de LivreMercado, desta vez com um grupo de leitores vip. A constituição da Agência de Desenvolvimento Econômico, a integração regional e os custos trabalhistas do Grande ABC receberam avaliação cautelosa da maior parte dos pesquisados. Já os resultados eleitorais de outubro foram um desastre para a região. Traduzindo a conclusão do trabalho para linguagem de trânsito: os leitores optaram majoritariamente pelo amarelo de atenção, mas também tiveram queda preferencial pelo vermelho de perigo. A escolha do verde de satisfação dominou pequena parte dos leitores. 

05/12/1998 - Leitores sinalizam amarelo de atenção

Terceira matéria 

 Duas más notícias sobre a criminalidade no Grande ABC. Primeiro: a taxa anualizada de homicídios na região, seguindo padrões estatísticos da ONU (Organização das Nações Unidas), é praticamente o dobro da média nacional, já que enquanto no Brasil se cometem anualmente 24 assassinatos por 100 mil habitantes (37 mil em todo o território), no Grande ABC a média é de 43 por 100 mil. A segunda é a realidade de homicídios em Diadema. Com a taxa de 104 mortes por 100 mil habitantes, o Município de 313 mil moradores, segundo o Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) de 1996, supera largamente até mesmo a só arquitetonicamente maravilhosa Rio de Janeiro, com 74 homicídios, e está muito acima da média da paulicéia desvairada da Capital, com 44 por 100 mil. 

05/12/1998 - Diadema supera o Rio de Janeiro

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