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Veja como encontrei o Diário que
Ronan Pinto comprou em 2004 (25)

  DANIEL LIMA - 04/04/2019

A edição de número 24 da newsletter OmbudsmanDiário, de 2 de julho de 2004, pode ser considerada histórica. Afinal, entre os vários assuntos que abordei como primeiro e único ombudsman da publicação, uma década e meia atrás, estava a repercussão da maior conquista do futebol da região, registrada dois dias antes: a conquista da Copa do Brasil pelo Santo André diante do Flamengo em pleno Maracanã. 

Aquele resultado quebrou uma rotina que mantinha com vigor: a newsletter do dia primeiro de julho não foi distribuída a acionistas, diretores e editores do Diário do Grande ABC porque paguei o preço das comemorações. Aliás, explico essa vagabundagem mais que justa. Vagabundagem em termos, porque, como também explico naquela edição, preparei um texto a toque de caixa para a revista LivreMercado sobre o resultado no Maracanã visto sob outros ângulos, além do esportivo. 

Edição número 24

Suspendemos a edição convencional desta newsletter de ontem por várias razões: comemoramos até de madrugada o título do Santo André, vivemos o último e extenuante prazo de fechamento da edição de julho da revista LivreMercado e, também, passamos duas horas sobre o carro do Corpo de Bombeiros que desfilou com os campeões da Copa do Brasil. A participação nos festejos de madrugada e da tarde-noite de ontem é elemento importantíssimo à coleção de vetores sociológicos para um jornalista que procura estar ligadíssimo às questões do Grande ABC. Juntei, no caso, a fome com a vontade de comer.

Esqueci de dizer que também tive de produzir, a toque de caixa, uma matéria específica sobre a conquista do Santo André para LivreMercado. Foram 15 mil caracteres que tentam explicar porque aconteceu o que aconteceu no Maracanã -- mas sob aspectos não vasculhados pela mídia impressa diária. 

 Primeira página (I)

O jornal vestiu a camisa do Grande ABC com a capa de quinta-feira integralmente dedicada à vitória do Santo André. Nada mais justo. 

 Primeira página (II)

Santo André voltou a ser destaque na edição de hoje. Nada mais justo, também. 

 Copa do Brasil (I)

Não li nada no jornal sobre o mercado de camisas do Santo André durante a disputa dos jogos com o Flamengo e, principalmente, após a conquista do título. Há informações de que os estoques se esgotaram. Não valeriam flagrantes de populares nas ruas com as cores do clube? 

 Copa do Brasil (II)

A edição da conquista do título em suplemento especial preencheu todas as necessidade de informações dos leitores, mas os espaços reservados ao jogo e variáveis no Maracanã poderiam ser mais amplos. 

 Copa do Brasil (III)

Faltou emoção na cobertura do passeio de duas horas dos campeões pelas ruas de Santo André. Vou escrever sobre o assunto no Capital Social Online. Há certos momentos da vida profissional em que a emoção jamais pode faltar. Principalmente quando acompanhada de conteúdo. Santo André é uma cidade traumatizada pela morte do prefeito Celso Daniel e encontrou na vitória do Santo André um momento mágico de recuperação. Posso garantir, porque acompanhei as duas situações. O jornal parece ter medo de assumir posições que não são outra coisa senão jornalismo puro. 

 Copa do Brasil (IV)

O jornal não conseguiu traduzir o que aconteceu ontem no Paço Municipal durante recepção aos campeões. Os leitores não souberam qual foi o tom da recepção da Administração Pública aos heróis do Maracanã. Escrevo sobre o assunto no "bate-pronto" de CapitalSocial Online. Afinal, estamos às vésperas das eleições municipais e a politização da conquista poderia ser um prato interessante. Ou a "despolitização", como foi o caso. O prefeito João Avamileno só deu uma estocada em Luiz Tortorello, como mostra o Clique ABC de hoje. 

 Copa do Brasil (V)

A possibilidade de desmanche do Santo André precisa ser aprofundada com um texto que situe o torcedor sobre as especulações que a imprensa especializada está divulgando. 

 Copa do Brasil (VI)

O jogo do Santo André contra a Portuguesa de Desportos, amanhã na Capital, recoloca a equipe no pesadelo de fugir do rebaixamento por causa da perda de 12 pontos. Esse tom é importantíssimo como apresentação do jogo pelo jornal. Ou seja: a edição de amanhã deverá flutuar entre a conquista de quarta-feira e a ressaca que se poderá manifestar amanhã. 

 Copa do Brasil (VII)

Não vou esquecer que o jornal se omitiu na avaliação da transmissão da TV Globo do jogo decisivo no Maracanã. Como leitor, fiquei frustrado. Como Ombudsman, fiquei indignado. Como jornalista, fiquei atônito. Por falar nisso: a TV Globo, estigmatizada pelo carioquismo, se comportou muito bem durante quase todo o tempo de transmissão. Inclusive Galvão Bueno. Convém aos profissionais do jornal entenderem que não vou transigir nas obrigações que me cabem. Cada linha que escrevo nesta newsletter poderá se transformar em insumo de uma obra específica sobre esse trabalho inédito para o Diário do Grande ABC. 

 Copa do Brasil (VIII)

A nota de Cena Política sobre a preocupação de uso político da conquista do Santo André pela administração petista seria muito mais inovadora e menos especulativa se fosse transmitida a informação sobre o discurso do prefeito João Avamileno ao recepcionar os campeões ontem no Paço Municipal. 

 Saúde em Mauá

Mereceria cabeça da página 5 de Setecidades a matéria "Sucen monta armadilha em Mauá", que trata do caso dos carrapatos na mata próxima à favela do Jardim Primavera, onde moravam as três vítimas da febre maculosa. A informação -- dada a repercussão do caso -- tem muito mais relevância que o destaque dado ao título "Prevenção é o enfoque de carta do Fórum", que trata do 1º Fórum Nacional de Defesa Civil, sediado por Santo André. Sobretudo porque a matéria do Fórum é burocrática. Aliás, como tem sido a marca registrada do jornal em eventos do gênero. 

 Escola de Ciência

A cronologia de obras do Parque das Ciências, projeto assinado por Paulo Mendes da Rocha, mereceria matéria mais consistente do que a notícia da página 5 de Setecidades "Parque terá laboratório em outubro". Há atraso considerável nas obras. 

 Saúde em Santo André

Também excessivamente econômica e rasa a matéria "PA da Vila Luzita reabre após obras", que abre a página 4 de Setecidades. A saúde pública em Santo André foi tão fortemente combatida ao longo dos últimos anos (num acerto apenas parcial, porque a crise no setor é generalizada no País) que teria sido mais correto um texto denso sobre o fato de que o Pronto-Atendimento da Vila Luzita será reaberto amanhã à população, depois de oito meses fechado para reformas. Saúde é assunto prioritário para os leitores. 

 Paranapiacaba

O Festival de Inverno de Paranapiacaba começa a despontar nas manchetes de Cultura & Lazer. Acho que o jornal deveria investir para valer nesse temário com série de matérias curtas sobre os pontos de atratividade daquela vila histórica. 

 Universidade Pública

A manchete do caderno de Setecidades deveria ser a notícia que está subestimada à direita "Ministro diz que UABC sai mesmo com debate em curso", em vez de "MEC vai avaliar todos os alunos de 4ª e 8ª séries". A UFABC (não UABC como o jornal insiste em colocar) é muito mais relevante para o debate regional. Além disso, o enfoque dado à entrevista com o ministro Tarso Genro deveria ser outro. Em vez de enfatizar que "o ministro afirmou ontem que a universidade pública do Grande ABC sairá para o ano que vem, mesmo que até lá o grupo que discute o modelo no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC não tenha encerrado o processo de elaboração de propostas a serem incorporadas ao projeto de lei", a notícia mais importante está na decisão de que as diretrizes são do governo federal. Vejam só esse trecho da matéria: "Ele (ministro) voltou a afirmar que é imprescindível o debate entre os setores da economia local e o meio acadêmico". 

O jornal encontra muitas dificuldades para sistematizar informações mais complexas e, com isso, não consegue, de maneira geral, transformar insumos em textos mais consistentes. Há fragmentação demais. A reunião do Consórcio de Prefeitos com parcos representantes do setor produtivo deveria ter sido registrada na matéria num contexto de crítica ao distanciamento daquela instância com os meios de produção. 

 Indústria regional (I)

O jornal destaca hoje em Economia, página 3, que "Diadema é 5ª em ranking de empregos na indústria". A matéria está baseada em informações da Fiesp, cuja metodologia de aferição do mercado de trabalho industrial deveria ser vasculhada para dar respaldo de credibilidade. Perdeu-se mais uma vez oportunidade de ouro para cruzar indicadores. No caso da indústria, há dados do Ministério do Trabalho e Emprego, publicados inclusive pelo jornal, que poderiam consubstanciar ou não a pesquisa da Fiesp. O jornal, de maneira geral, parece sofrer de amnésia -- não se lembra no dia seguinte do que publicou no dia anterior. Já li uma crítica de filme que tem um personagem vítima dessa disfunção. 

 Indústria regional (II)

Publiquei de forma inédita na newsletter CapitalSocial Online a informação mais importante para a economia do Grande ABC nos últimos tempos, mas o jornal simplesmente ignorou, eventualmente por veleidade, provavelmente por descuido, estupidamente por alienação. Vai esperar que os concorrentes da Capital o façam. Trata-se da recuperação de parte importante a produção industrial da região no primeiro ano de governo Lula da Silva, em contraste com os oito anos de debacle do governo Fernando Henrique Cardoso. Vou escrever sobre o assunto no "Contexto" de domingo. 

 Encontro de metalúrgicos

Burocrática a matéria "Metalúrgicos da CUT discutem rumos do sindicalismo mundial". Creio que a informação, perdida no texto, sobre a possível eleição de Carlos Alberto Grana para comandar a Confederação Nacional dos Metalúrgicos mereceria ênfase que ancorasse o título. Grana é sindicalista vinculadíssimo ao Grande ABC e poderia ser ouvido atentamente sobre o peso histórico dos metalúrgicos da região na entidade. Aumentamos ou perdemos influência na condução dos metalúrgicos, depois das grandes mudanças econômicas que atingiram o setor? Ou seja: como está o sindicalismo de vanguarda no setor metalúrgico que o Grande ABC fez emergir há mais de 20 anos? 

O jornal erra demais em produzir textos insossos quando se tratam de eventos programados. É impressionante a incapacidade de pautar os protagonistas. A formalidade na apresentação do Congresso Nacional dos Metalúrgicos da CUT torna a informação oficialesca. 

 Festival de perdão (I)

O jornal traz na edição desta sexta-feira mais uma benemerência eleitoral, agora à página 3 de Política Grande ABC, sob o título "Santo André facilita para devedores", referindo-se à aprovação de projeto de lei que autoriza parcelamento de tributos municipais como IPTU e ISS. A matéria está bem apurada, saiu do viés estritamente administrativo. 

 Festival de perdão (II)

Na página 5 de Política Grande ABC de quinta-feira o jornal publicou a matéria "Semasa é autorizado a negociar com devedores", que dá nítidos contornos eleitorais à questão do parcelamento de dívidas de contribuintes inadimplentes. 

 Festival de perdão (III)

Não estaria na hora de o jornal fazer um levantamento sobre todas as deliberações tomadas pelos prefeitos da região (com maioria nos Legislativos) para amolecer o jogo junto a contribuintes em atraso com obrigações tributárias? 

 Festival de perdão (IV)

O vereador de Santo André Fernando Gomes é contraditório. Na edição de quinta-feira ele critica a administração petista ao vincular o parcelamento de débitos do Semasa ao calendário eleitoral. Na edição de hoje, no caso dos devedores do IPTU e do ISS, que tem o mesmo formato, o mesmo vereador reivindica participação. "O justo seria que essa proposta fosse assinada pelos 21 vereadores" -- disse o vereador, referindo-se ao IPTU e ISS. 

 Eleições municipais (I)

Está na página 2 de Política Grande ABC de hoje a matéria "Sessão extra salva verba de R$ 630 mil para São Bernardo", que tem fundo estritamente eleitoral. Trata-se da enrolação do governo William Dib em aprovar a autorização de crédito de R$ 630 mil do governo federal para construção de seis creches. O problema todo é que foi Vicentinho Paulo da Silva, deputado federal e adversário de Dib nas eleições de São Bernardo, quem solicitou os recursos. A matéria demorou para enquadrar esse que é o núcleo da morosidade. O tom teria que ser político mesmo, com complementaridade social, ouvindo-se a Secretaria de Saúde, como o jornal ouviu. 

Sinto que a cobertura das eleições em São Bernardo, que de fato já começaram, encontra dificuldades de sair de um certo grau de preocupação dos repórteres e editores. A engrenagem parece enferrujada. 

 Eleições municipais (II)

A matéria "Câmaras: 1,9 mil candidatos na região", de Política Grande ABC de quinta-feira, é providencial para entender a disputa pelos legislativos da região. O enfoque foi perfeito: temos 55 candidatos por cadeira de vereador, o que equivale, segundo a reportagem, à disputa pelos cursos tradicionais de Direito e Engenharia em universidades públicas. Não há leitor, por mais alienado que seja, que não entenderá essa informação. 

 Eleições municipais (III)

Uma boa pauta sobre a redução de vereadores no Grande ABC, que atingiu principalmente São Caetano, é ouvir de especialistas, os próprios vereadores, como ficará o jogo de composições. Os chefes de Executivos terão mais dificuldades ou mais facilidades para alcançar a maioria dos legisladores? São Caetano parece um caso excepcionalmente interessante para essa abordagem. 

 Consórcio superficial

Ficou na superficialidade a matéria "Consórcio terá regras em 45 dias", de Nacional, página 7, relativa à informação de que o Congresso Nacional deverá definir a regulamentação das regras para o funcionamento de entidades como o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. O buraco é muito mais embaixo. A matéria peca porque insiste numa teoria furada de que falta formalizar o Consórcio para que se dê um enorme salto de qualidade, quando a realidade de fragmentação institucional da região e o modelo administrativo do Consórcio de Prefeitos são pontos nevrálgicos -- que não dependem de legislação alguma, mas de competência e menos vaidade. A formalização pode contribuir para mudanças mas não é, por si só, minimamente garantidora de transformações institucionais -- que exigem senso de regionalidade. 

 Prêmio Abrinq

Convém ficar de olho na possibilidade de a Prefeitura de Santo André comemorar a conquista do Prêmio Abrinq. Nada mais justo, convenhamos. João Avamileno teve, como se nota, uma semana de glória, com o Santo André e com a Abrinq. O homem é estrelado mesmo. 

 Prêmio educacional

Poderia ter apresentado uma abertura mais qualificada, mais explicativa, mais convincente, a matéria "Escola de S. Bernardo é finalista em prêmio nacional de educação". A reportagem ocupa uma página inteira, mostra o empenho da jornalista mas não consegue seduzir à leitura porque falta contundência. 

 Franquia confusa

O jornal está cobrindo bem o caso da Le Ru Estética, franquia que deixou clientes e funcionários na mão em Santo André e São Caetano. Convém insistir na busca de esclarecimentos da empresa. Quem sabe ouvindo um dos especialistas na área de franquia para que possa traduzir o imbróglio sob o ponto de vista de direitos dos clientes, principalmente. Qual será a realidade das franquias nessa área específica?

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