Economia

G-22: região domina zona de
rebaixamento do PIB per capita

  DANIEL LIMA - 10/07/2019

Este é mais um indicador do G-22 de Competitividade. E, como os anteriores, reúne resultados nada agradáveis ao Grande ABC. No PIB per capita medido no período mais recente de recessão seguida de estagnação (entre janeiro de 2014 a dezembro de 2016) colecionamos uma porção de derrotas.

A síntese é trágica: Diadema, Santo André, São Bernardo e São Caetano – exatamente nessa ordem -- ocupam a zona de rebaixamento, ou seja, as quatro últimas posições entre os 22 municípios sobre os quais há muito tempo lançamos série de avaliações.

Ainda há gente supostamente preparada na praça regional que não caiu na real de que a fonte das principais complicações da região é o setor de transformação industrial. Temos exemplares de acadêmicos que até negam a desindustrialização da região. Tratam a questão como algo circunstancial, não estrutural. E excluem, entre os agentes responsáveis pela hecatombe, o movimento sindical mais ortodoxo da junção PT/CUT em São Bernardo e em Diadema.

Trata-se de avaliação tão grave quanto os tucanos negarem que Fernando Henrique Cardoso ajudou a destruir grande parcela das empresas familiares industriais durante o período em que ocupou o Palácio do Planalto.

Recessão acompanhada

Decidimos criar esse novo indicador do PIB per capita envolvendo os 20 maiores municípios do Estado, exceto a Capital. Acrescentamos Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra para completar o quadro regional. Esse é um indicador temporalmente diferente de outros que subsidiarão as análises.

Optamos pela base dos resultados do PIB per capita de 2013 e estendemos o período de resultados comparativos e hierarquizados até dezembro de 2016. No fim do ano sai o PIB dos Municípios de 2017. Isso significa que vamos atualizar os dados.

Quem tiver esperança de reversão ou redução dos estragos que atingem o PIB per capita dos municípios do Grande ABC deve tirar o cavalo de entusiasmo da chuva de provável nova derrota.

Afinal, o carro-chefe da economia regional, a indústria automotiva, não engatou até agora, em 2019, a quinta marcha de produção e vendas que alimentou a fornalha de recuperação de parte das perdas econômicas locais durante o segundo mandato presidencial de Lula da Silva.

Em última instância, ao estreitar o período de confronto entre os 22 municípios, pretendemos chegar a um ponto em que se definirá a corrida da recuperação do PIB Geral de cada endereço.

Ou seja: até quando o período recente de derrocada do PIB Geral do Grande ABC se estenderá no tempo? E como os demais municípios que integram o G-22 se comportarão em paralelo?

Mais dificuldades

A expectativa natural para os próximos anos é que o Grande ABC terá muito mais dificuldades para superar o declínio acentuado dos 36 meses pesquisados. Se atenuar a curva de perdas já será bastante satisfatório. Mas o melhor mesmo é se preparar para o pior porque sofremos de um mal adquirido ao longo dos tempos de industrialização protegida e sindicalismo poderoso demais: destruímos muitas pontes rumo ao futuro de estabilidade socioeconômica.  

Leitor inteligente e bem informado não deve cair no conto do vigário de que tanto um novo modal de mobilidade quanto um absolutamente improvável aeroporto em São Bernardo atenuariam as dores do parto do desencaixe de crescimento econômico que vem desde o começo dos anos 1990 e que somente ganhou um intervalo de parcial recuperação durante alguns pares de anos do governo de Lula da Silva de gastança sem fim que encalacrou a sucessora Dilma Rousseff.

Quatro positivos

Apenas quatro dos 22 municípios salvaram-se no indicador de PIB per capita entre janeiro de 2014 e dezembro de 2016, ou seja, no intervalo de 36 meses. Paulínia, a primeira colocada do ranking, é um caso à parte. Município de 100 mil habitantes que detém fortíssimo polo químico e petroquímico, Paulínia viu o PIB per capita crescer em termos reais, deflacionados, 52,42% em 36 meses. Não há nada semelhante na quase totalidade dos municípios brasileiros.

Outros três municípios com saldo positivo obtiveram resultados mais compatíveis com o quadro nacional de arrefecimento econômico. Osasco, na Grande São Paulo, ficou em segundo lugar com crescimento de 7,42% no período. Bem acima de Mauá, que avançou 2,36% e de São José dos Campos, com avanço de 0,82%.

O desempenho de Osasco é especial porque beneficia-se (tanto quanto à região a que pertence) do traçado sul do Rodoanel. Os saldos positivos advindos da obra solidificam-se a cada temporada, em oposição aos resultados do Grande ABC, duramente prejudicado pela logística.

Mauá petroquímico

Mauá está entre o quarteto da salvação do PIB per capita entre janeiro de 2014 e dezembro de 2016 porque conta com praticamente dois terços da economia na esteira do Polo Petroquímico de Capuava, proporcionalmente muito menos importante do que o mesmo setor representa para Paulínia. Mauá goza de seletivismo que distorce o resultado final. Outros setores industriais não se salvaram no interior do Município.

São José dos Campos completa o grupo dos afortunados porque contou com certa estabilidade econômica gerada pela indústria aeroespacial definitivamente na cadeia geral do setor agora que a Embraer foi absorvida pela Boeing.

Um segundo pelotão de desempenho razoavelmente satisfatório no ranking do PIB per capita do G-22 é composto por municípios que não chegaram a perder 10% no período de recessão/estagnação. Ribeirão Preto caiu 4,07%, Ribeirão Pires 8,15% e Santos 8,24%.

Mais de 10%

Um terceiro bloco conta com municípios que perderam mais de 10% e menos de 20% em 36 meses. Casos de Jundiaí com 11,08%, Mogi das Cruzes com 14,00%, Guarulhos com 15,20%, São José do Rio Preto com 15,25% e Rio Grande da Serra com 16,67%.

Um quarto bloco de perdedores registrou queda do PIB per capita superior a 20%. Casos de Sorocaba com 20,19%, Campinas com 20,24%, Piracicaba com 20,61%, Barueri com 20,83%, Sumaré com 22,01%, Taubaté com 25,90% e Diadema com 27,96%.

Os três últimos colocados no ranking que afere o comportamento do PIB per capita no período analisado são casos crônicos que exigem ainda maior atenção: Santo André caiu 31,33%, São Bernardo 48,65% e São Caetano 51,96%. O PIB per capita desses municípios é um grito de alerta.

Acompanhe o ranking do G-22 de Competitiva no capítulo que trata do PIB per capita:

1. Paulínia registrava PIB per capita de R$ 122.720 mil e subiu nominalmente 64,78% para R$ 324.935 mil. Avanço real de 52,42%.

2. Osasco registrava PIB per capita de R$ 81.048 e subiu nominalmente 36,09% para R$ 110.299 mil. Avanço real de 7,42%. 

3. Mauá registrava PIB per capita de R$ 24.392 mil e subiu nominalmente 28,96% para R$ 31.456 mil. Avanço real de 2,36%.

4. São José dos Campos registrava PIB per capita de R$ 43.202 mil e subiu nominalmente 2727,02% para R$ 54.876 mil. Avanço real de 0,82%.

5. Ribeirão Preto registrava PIB per capita de R$ 39.542 mil e subiu nominalmente 15,80% para R$ 45.789 mil. Queda real de 4,07%.

6. Ribeirão Pires registrava PIB per capita de R$ 22.344 mil e subiu nominalmente 15,71% para R$ 25.855 mil. Queda real de 8,15%.

7. Santos registrava PIB per capita de R$ 44.730 mil e subiu nominalmente 15,60% para R$ 51.707 mil. Queda real de 8,24%.

8. Jundiaí registrava PIB per capita de R$ 90.093 mil e subiu nominalmente 12,02% para R$ 100.924 mil. Queda real de 11,08%.

9. Mogi das Cruzes registrava PIB per capita de R$ 32.078 e subiu nominalmente 8,33% para R$ 32.078. Queda real de 14,00%.

10. Guarulhos registrava PIB per capita de R$ 37.948 mil e subiu nominalmente 9,35% para R$ R$ 41.497 mil. Queda de 15,20%.

11. Rio Grande da Serra registrava PIB per capita de R$ 11.589 e subiu nominalmente 4,99% para R$ 12.454 mil. Queda real de 16,67%.

12. São José do Rio Preto registrava PIB per capita de R$ 33.979 mil e subiu nominalmente 6,75% para R$ 36.276 mil. Queda de 15,25%.

13. Sorocaba registrava PIB per capita de R$ 48.260 mil e caiu nominalmente 0,53% para R$ 48.519 mil.  Queda real de 20,19%.

14. Campinas registrava PIB per capita de R$ 48.886 mil e subiu nominalmente 4,77% para R$ 51.219 mil. Queda real de 20,24%.

15. Piracicaba registrava PIB per capital de R$ 54.475 mil e subiu nominalmente 4,00% para R$ 56.657 mil. Queda de 20,61%.

16. Barueri registrava PIB per capita de R$ 176.924 bilhões e subiu nominalmente 4,26% para R$ 184.460 bilhões. Atualizado o valor de 2013 chega a R$ 222. 888 bilhões. Queda de 20,83%.

17. Sumaré registrava PIB per capita de R$ 45.927 mil e caiu nominalmente 1,58% para R$ 45.120 mil. Queda real de 22,01%.

18. Taubaté registrava PIB per capita de R$ 51.078 e caiu nominalmente 6,65% para R$ 47.683 mil. Queda real de 25,90%.

19. Diadema registrava PIB per capita de R$ 33.776 mil e caiu nominalmente 1,55% para R$ 33.252 mil. Atualizado o valor de 2013 chega a R$ 42.551 mil. Queda de 27.96%.

20. Santo André registrava PIB per capita de R$ 39.192 mil e caiu nominalmente 4,07% para R$ 37.595 mil. Queda real de 31,33%.

21. São Bernardo registrava PIB per capita de R$ 62.492 mil e caiu nominalmente 15,25% para R$ 52.959. Queda real de 48,65%.

22. São Caetano registrava PIB per capita de R$ 106.327 mil e caiu nominalmente 17,10% para R$ 88.148 mil. Queda real de 51,96%.

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