Economia

Prefeitos veem região perder
9.909 empregos em 32 meses

  DANIEL LIMA - 01/10/2019

O número aí de cima se refere ao setor industrial do Grande ABC. O emprego na indústria de transformação é o mais bem remunerado e também transformador de uma sociedade que não tem no setor de serviços nada que possa ser catalogado como ponte para o futuro, porque é de baixíssimo valor agregado. Os trabalhadores de serviços recebem 30% abaixo da média dos trabalhadores industriais na região.

Por conta disso e de muito mais o emprego industrial deveria ser preocupação dos prefeitos do Grande ABC desde sempre. Os novos prefeitos do Grande ABC, que tomaram posse em primeiro de janeiro de 2017, já contabilizam uma sangria de 9.909 carteiras assinadas destruídas.

Nenhum dos prefeitos pode dizer e garantir que há planos específicos para o desenvolvimento industrial. Longe isso. Eles penduraram esperanças e propaganda em medidas paliativas. O Clube dos Prefeitos, que supostamente reuniria o grupo de chefes do Executivo, só perda tempo com quinquilharias temáticas.

Cantando de galo

Vários desses prefeitos cantam de galo, mas apenas mentem ou estão mal-informados. A crise industrial na região prossegue e se agravou na esteira da crise Argentina, para onde exportamos muito da produção automotiva, que é nossa Doença Holandesa.

São Caetano está na liderança do caos. Quase metade do déficit do emprego industrial dos últimos 32 meses já contabilizados pelo Ministério do Trabalho e Emprego tem origem em São Caetano. Mas isso parece não incomodar quem vive de manchetes de jornais. Os acadêmicos da USCS (Universidade de São Caetano) gastam tempo e dinheiro dos contribuídos propondo uma falácia: a construção de um aeroporto regional no Grande ABC.

Se apenas propusessem a obra até que não seria de todo danoso. Mas eles se excedem nas estripulias teóricas. Garantem que a obra, que não cabe em lugar algum da região e tampouco nos planos de investidores ajuizados, gerará adicional do PIB do Grande ABC de, em média, 1,60% a cada novo ano.

Trata-se de besteira múltipla, portanto. Mas não ria antes dos próximos e esclarecedores parágrafos: O PIB do Grande ABC neste século cresceu em média 0,25% ao ano. Guarulhos, com o Aeroporto Internacional de Cumbica, e, portanto, muito maior do Aeroportozinho que se pretende na região, cresceu 1,4% em média ao ano neste século. E não foi por conta exclusiva do Aeroporto Internacional. Se um Cumbica não faz tanta diferença assim, apesar de importantíssimo, imaginem então um Aeroportozinho no Grande ABC.

Perdendo participação

Quem imaginou que a indústria do Grande ABC não voltaria a perder fôlego com os novos prefeitos acredita em Papai Noel e na suposta influência do calendário gregoriano. Salvo algum surto de crescimento exponencial do setor automotivo, sempre mascarador da realidade mais ampla, seguiremos desfiladeiro abaixo.

Nos 32 meses já contabilizados, a participação da indústria de transformação no quadro geral de empregos da região que abarca as demais atividades econômicas (comércio, serviços, administração pública, construção civil) caiu de 26,08% para 24,57%. Parece pouco, mas não é. Basta conferir o tempo exíguo. Foram 6,15% de perda de participação relativa.

Em números relativos, que é o que mais importante, quem mais perdeu e perdeu demais é São Caetano. Foram 26,90% de baixa no estoque registrado em dezembro de 2016, último mês de mandato dos prefeitos que perderam as disputas municipais ou cumpriram dois mandatos seguidos).

São Caetano contava com 20.106 trabalhadores industriais com carteira assinada. Em agosto último registrou 15.844. Perda líquida de 4.261 postos de trabalho no período. Nada semelhante na região. É isso que os acadêmicos da USCS deveriam investigar para dar resposta à sociedade.

São Bernardo em segundo

São Bernardo ocupa o terceiro em perdas de carteiras assinadas do setor industrial nos 32 meses, abatida pelos rescaldos da recessão nacional e, principalmente, pelo setor automotivo do qual depende exageradamente.

A queda do estoque de São Bernardo atingiu 4,04% no período. São Bernardo contava com 74.939 trabalhadores do setor e em agosto último não passavam de 72.030. Perda de 2.909 postos de trabalho. Um número imenso para quem perdeu demais nos anos anteriores à chegada do prefeito Orlando Morando.

Santo André do prefeito Paulinho Serra também não escapou da degola. Foram 3,06% de baixa no estoque de dezembro de 2016. Santo André contava com 25.264 empregos formais industriais e caiu para 24.513. Perda líquida de 751 postos de trabalho.

Diadema fortemente influenciada pelas montadoras de São Bernardo também colecionou derrota no período, com queda de 4,28% no estoque de dezembro de 2016. Portanto, um pouco acima dos números de São Bernardo e de Santo André. Eram 41.312 trabalhadores e em agosto passaram a ser 39.618. Perda líquida de 1.694 postos de trabalho.

Também Mauá do Polo Petroquímico de Capuava entra na lista regional de perda líquida de emprego industrial no período da pesquisa. Foram 653 baixas, ou 3,22%. Eram 20.957 trabalhadores. Em agosto viraram 20.304.

Rio Grande da Serra também não resistiu à perda líquida no setor e registou queda de 0,60% no estoque. Eram 1.606 postos de trabalho e ficaram 1.515. Rebaixamento de 0,60%.

Somente Ribeirão Pires escapou da degola:  aumentou em 6,88% a base de carteiras assinadas, com acréscimo de 451 carteiras assinadas adicionais no período. Eram 6.552 em dezembro de 2016. Chegou-se a 7.003 em agosto último.

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