Economia

São Caetano é o caso mais grave
de desindustrialização pós-FHC

  DANIEL LIMA - 20/12/2019

A desindustrialização do Grande ABC segue a se acentuar neste século. Com os novos números do PIB dos Municípios Brasileiros, relativos a 2017, consolida-se a liderança do ranking regional de perdas em São Caetano. Mas o conjunto dos sete municípios da região não encontra salvação: o que sofremos de prejuízo na geração de riqueza setorial nos últimos 15 anos, desde o final do mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, representa a soma do PIB Industrial de Diadema e Rio Grande da Serra. Ou mais da metade de tudo que Santo André produz na indústria de transformação.

Quando se coloca como base de comparação o último ano do segundo mandado de Fernando Henrique Cardoso, ou seja, 2002, e mesmo assim o comportamento da indústria do Grande ABC é negativo, sinaliza-se estado de atenção máxima.

Menos participação relativa

Os oito anos de FHC foram nefastos para a economia regional. Perdemos (revelamos seguidamente os resultados à frente da revista LivreMercado) nada menos que um terço do valor adicionado industrial. E agora, 15 anos depois, a média de perda da região registra 29,10% em termos de participação relativa e de 11,10% em participação absoluta.

Participação relativa é quanto se compara o PIB Industrial com o PIB Geral do Grande ABC. Em 2002, o PIB Industrial do Grande ABC representava 32,55% do PIB Geral. Em 2017, caiu para 23,08%.

Já participação absoluta é quando se deflacionam os números do PIB Industrial de 2002, comparando-os com o PIB Industrial de 2017. O PIB Industrial do Grande ABC em 2002 era de R$ 12.776.017 bilhões nominais, ou seja, sem inflação projetado a dezembro de 2017, quando registrou de fato R$ 27.373.619 bilhões. Aplicando-se a inflação do período, o PIB Industrial do Grande ABC deveria registrar R$ 30.794.033 bilhões. Ou seja, caiu 11, 10%.

Quarteto derrotado

Santo André, São Caetano, São Bernardo e Diadema são casos gravíssimos de perda da musculatura industrial do Grande ABC nos últimos 15 anos. No caso de São Caetano, a situação é particularmente mais complicada; ante inflação de 141,03% entre janeiro de 2003 e dezembro de 2017, o Município teve o PIB Industrial acrescido em apenas 38,45%. Ou seja, muito abaixo da correção monetária. Isso é desindustrialização inexorável.

Em valores nominais, o PIB Industrial de São Caetano registrava R$ 2.098.054 bilhões no ano-base de 2002 e passou para R$ 2.904.912 bilhões em 2017. Em valores atualizados, perda de R$ 2.152.027 bilhões. Uma queda de 42,55%.

A queda do PIB Industrial em São Bernardo também foi elevada, mas menos intensa que a de São Caetano. Foram exatamente 25,11% os valores do rebaixamento. O que era R$ 5.089.675 bilhões em 2002 seria R$ 12.267.643 bilhões em 2017 se o desempenho do setor seguisse a inflação. Como não passou de R$ 9.186.786 bilhões, chega-se a 25,11% de quebra.

Mauá petroquímica sobe

Beneficiada pelo aumento da produção do Polo Petroquímico no período, atividade que representa mais de 30% da arrecadação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), Santo André perdeu menos nos 15 anos agora apurados: queda de 6,40% quando se pegam as duas pontas da pesquisa. Em 2002 o PIB Industrial de Santo André era de R$ 2.303.332 bilhões. Com a inflação do período, deveria ser R$ 5.551.721 bilhões em 2017. Chegou perto disso na vida real: R$ 5.196.162 bilhões.

Mauá, que também conta com o reforço de PIB Industrial do Polo Petroquímico, teve desempenho bem melhor que Santo André. Isso quer dizer que o Município depende mais da atividade químico-petroquímica do que Santo André. No período de 15 anos, o PIB Industrial de Mauá praticamente dobrou: 98,03%. Em 2002 eram R$ 1.446.858 bilhões. Aplicando-se a inflação do IPCA, Mauá não perderia força industrial se registrasse ao final de 2017 o total de R$ 3.038.836 bilhões. Chegou a R$ 6.017.985 bilhões. Os 15 anos marcaram uma grande reviravolta no PIB Industrial de Mauá, que passou a ser o segundo colocado no ranking regional. Atrás apenas de São Bernardo.

Demais municípios

Diadema também não escapa da derrocada do PIB Industrial. O crescimento nominal de 102,71% não resistiu à inflação de 141,03%. O PIB Industrial de Diadema em 2002 registrou R$ 1.598.592 bilhão. Aplicando-se o IPCA, deveria chegar em 2017 a R$ 3.853.086 bilhões. Mas só alcançou R$ 3.240.519 bilhões. Resultado? Perda de 15,90%.

A melhora do PIB Industrial em Ribeirão Pires e em Rio Grande da Serra não faz diferença alguma no conjunto regional. Ribeirão Pires cresceu em termos nominais 228,78% e Rio Grande da Serra 331,25% no período. Portanto, bem acima da inflação.

Os valores monetários da atividade nos dois municípios são praticamente irrisórios na região: O PIB Industrial de Ribeirão Pires em 2017 era de R$ 659.196 milhões, enquanto o de Rio Grande da Serra apontava R$ 168.059 milhões. Na soma, R$ R$ 827.255 milhões de um total regional de R$ 27.373.619 bilhões. Exatamente 3,02%. Ganhamos onde poderíamos perder. Desde que ganhássemos em parte onde perdemos.

A participação relativa do PIB Industrial dos Municípios na região segue a seguinte escala, considerando-se os números de 2002 e 2017:

1. São Bernardo contava com 39,83% em 2002 e passou para 33,56% em 2017. Perda de 6,27 pontos percentuais.

2. Santo André contava com 18,03% em 2002 e passou para 18,98% em 2017. Ganho de 0,95 ponto percentual.

3. Diadema contava com 12,51% em 2002 e passou para 11,84% em 2017. Perda de 0,67 ponto percentual.

4. São Caetano contava com 16,42% em 2002 e passou para 10,61% em 2017. Perda de 5,81 pontos percentuais.

5. Mauá contava com 11,32% em 2002 e passou para 21,98% em 2017. Ganho de 10,66 pontos percentuais.

6. Ribeirão Pires contava com 1,57% em 2002 e passou para 2,41% em 2017. Ganho de 0,84 ponto percentual.

7. Rio Grande da Serra contava com 0,030% em 2002 e passou para 0,061% em 2017. Ganho de 0, 031 ponto percentual.

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