Imprensa

Nove meses de cinco anos que
transformariam o Diário (29)

  DANIEL LIMA - 10/03/2020

Continuamos avançando na reprodução (agora pública) das edições da newsletter Capital Digital Online. Quem acompanha esta série sabe que o material jornalístico que estamos repassando integrou o plano de ação que apliquei durante nove meses no Diário do Grande ABC, entre 21 de julho de 2004 a 21 de abril de 2005. 

Capital Digital Online integrava o projeto de reestruturação editorial do veículo de comunicação mais tradicional da região. São insumos indispensáveis a quem se dispuser reconstruir a memória jornalística do Grande ABC. Lembro aos leitores que, além de diretor de Redação do Diário do Grande ABC, seguia à frente da revista LivreMercado, que criei em março de 1990. Acompanhem a edição de 31 de janeiro de 2005. 

 Edição número 38 

Percorridos 10% do trajeto,

o que temos na Redação?

 DANIEL LIMA  

Embora com algum atraso, não podemos deixar de registrar que já percorremos 10% do trajeto de 60 meses da primeira fase de restruturação da Redação do Diário do Grande ABC. Completamos seis meses no último dia 21 e estamos, finalmente, começando a perceber que não estamos enxugando gelo. 

Embora ainda existam pontos a serem duramente criticados, e tropeços que se repetem, no conjunto da obra a equipe de Redação começa a perceber que, finalmente, o jornal tem um norte, e esse norte está compactado no conceito de regionalidade. Há seis meses consecutivos que nossa principal manchete de primeira página -- e a maioria das demais -- está voltada para o Grande ABC. Um recorde absoluto na história do jornal que, muitas vezes, assumiu postura típica do gataborralheirismo que tanto condeno. 

Atingir temporalmente 10% da jornada com resultados em média superiores a esse índice é apenas o começo de trajetória que se pretende muito longa e fértil. Temos problemas crônicos na Redação, os quais estão sendo tratados diretamente com secretários e editores, agentes de multiplicação dos conceitos. Mas acredito que reunimos condições de superar todas as adversidades e chegar ao ponto que imaginamos. Desde que, evidentemente, a rotatividade de recursos humanos não seja estratégia burra de parametrização de custos em vez de ferramental de oxigenação do produto. 

Mais do que imaginam todos os colaboradores, estou absolutamente atento ao que ocorre na Redação. Minhas análises são individuais e coletivas. Não vejo cada profissional como algo desgarrado dos demais. Nem todo o conjunto desvinculado do individual. Somos resultados de nossas circunstâncias individuais e grupais. Parece óbvio, mas convém repetir: o jornal que levamos ao público depende individualmente de cada um de nós, mas também conjuntamente de todos nós. 

Sugiro àqueles que eventualmente ainda não entenderam nossos propósitos que leiam atentamente o Planejamento Estratégico Editorial. Ali estão consolidados os nossos objetivos, com a visão de quem vive o jornalismo do Grande ABC há muito tempo e que, embora regionalista por natureza e por necessidade, acompanha avidamente todas as nuances da globalização porque sabe que não há regionalidade que resista à ignorância da mundialização financeira, econômica, social e cultural. 

Qualquer dia desses vou fazer uma breve listagem de todos os pontos em que avançamos na Redação do Diário do Grande ABC. Coisas impressionantemente ignoradas por gente que passou por aqui e, por deficiência ou negligência, foi incapaz de perceber e, portanto, combater. 

Avançamos muito nesses seis meses, mas temos muito mais a avançar. Ainda não me conformo com erros primários, mas me consolo quando percebo que a bateria de imperfeições já não é tão abusadamente carnavalesca. 

Percorridos 10% do trajeto, o que temos na Redação? Temos a sinalização de um futuro melhor. Querem melhor incentivo a novos avanços?

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