Imprensa

Nove meses de cinco anos que
transformariam o Diário (32)

  DANIEL LIMA - 22/05/2020

Nesta nova edição que reproduz o boletim eletrônico Capital Social Online, utilizado por este jornalista como ferramenta pedagógica à frente da Redação do Diário do Grande ABC, acelero os passos rumo ao encerramento da série com três edições.

Já se passaram mais de 15 anos desde o envio desse material aos diretores, acionistas e colaboradores do Diário do Grande ABC. A reprodução é inédita. Menos de dois meses em relação ao primeiro dos boletins que se seguem, estava fora do jornal. Mas ainda há muita bola a rolar nas próximas edições. O número 61 marcará o fim da trilha. 

 Edição 46 – segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005 

Leitura é a base de tudo.

Quem não leu, já perdeu!

 DANIEL LIMA  

É inegável que temos alguns problemas na Redação, cujas resoluções não podem mais ser postergadas. Outros problemas, menos graves, podem ser administrados. A sapiência está em saber distinguir o emergencial do suportável, sempre tendo em vista o que chamaria de cronologia ancorada no Planejamento Estratégico Editorial. 

Vivemos situações complicadíssimas. Ouço atentamente os responsáveis pela secretaria e também pelas editorias, os quais participam diariamente de reuniões de pauta com este profissional. Reuniões de pauta que, aliás, tratam sistematicamente de questões conceituais. Editores e secretários são disseminadores da nova cultura do jornal. Qualidade, qualidade e qualidade -- eis nossas três prioridades. E, todos sabem, ainda estamos muito longe do necessário. 

Temos profissionais que não conseguem compreender que há novos tempos na Redação. Talvez até compreendam, mas não conseguem reagir. Provavelmente não se empenham e não se empenharam como deveriam nesse ofício ao longo dos anos. Ser bom jornalista é processo histórico que começa, segue e se consolida principalmente com uma ação: leitura voraz, meticulosa, detalhista, crítica, avaliativa. Quem não lê fora do ambiente de trabalho durante pelo menos duas horas diárias pode esquecer que não será jamais bom jornalista. Será um depositário de informações, sem qualificações para ancorar as matérias -- sim, ancorar as matérias, que é o grande mote da informação qualificada. 

Os finais de semana são experiência corriqueira de duplicidade de minha carga de leitura. Chego a acumular 12 horas de avidez. E olha que tenho tempo ainda para muita coisa. Quem não tem foco está perdido. E só se tem foco com conhecimento. E conhecimento não se compra. É extrato divinamente resultante de esforço individual. Nenhuma tecnologia é capaz de substituir o aprendizado proporcionado pela leitura.

 Edição 47 – segunda-feira, 07 de março de 2005 

Teoria da Produtividade Editorial

segue em frente na revista do Grupo

 DANIEL LIMA 

Há três meses estamos desenvolvendo o que chamo de Teoria da Produtividade Editorial. Estamos aplicando a metodologia na revista Livre Mercado, do Grupo Diário. Escrevi recentemente extenso arrazoado sobre o assunto. Estamos saindo da teoria para a prática, para acabar com simplismos metodológicos de aferição de produção da equipe de jornalistas. Uma coisa horrorosa sob qualquer ponto de vista. 

Seria chover no molhado, pelo menos para quem entende do assunto, o quanto é risível a introdução de mecanismos de aferição da atividade individual dos jornalistas sem levar em conta série de aspectos que só quem é do ramo pode efetivamente encaminhar. A Teoria da Produtividade Editorial é um caminho nesse sentido, porque não mede produção no jornalismo sem associá-la com produtividade. Como se sabe, produção é uma coisa, produtividade é outra. 

Reconheço o interesse de profissionais da casa em lutar pela melhoria dos indicadores de eficiência da empresa. Nada mais salutar, nada mais engajador. Entretanto, há minúcias que saltam do campo exclusivamente técnico. Jornalismo é função que nenhum mágico de gerenciamento corporativo conseguirá enquadrar na medição convencional. 

O que fizemos na revista Livre Mercado -- e podemos provar com números, com informações, com detalhamento conceitual -- no campo editorial é uma revolução que, quem sabe, um dia, seja replicada no próprio Diário do Grande ABC.  

Um dia poderemos ter o diagnóstico perfeito de toda matéria que foi publicada no jornal, do nascedouro da pauta à impressão final. E medir um monte de indicadores relativos a isso. Inclusive vetores subjetivos, de qualidade do texto, obra exclusiva de jornalistas que entendam do riscado. 

 Edição 48 – terça-feira, 15 de março de 2005 

A edição de hoje e a

edição de um ano atrás

 DANIEL LIMA 

A partir de hoje teremos dois referenciais a serem diagnosticados diariamente nas reuniões de pauta, que começam sempre às 17h30 e se estendem, quando necessário, até às 19h. Além da avaliação crítica da edição do dia, com apontamentos de erros e acertos que nos levam a preparar o terreno de melhoria da edição do dia seguinte, faremos confronto entre essa mesma edição e a correspondente do ano anterior.  Ou seja: confrontaremos a edição de hoje, terça-feira, dia 15 de março, com a edição de terça-feira, 16 de março, do ano passado. 

Por que resolvemos adotar mais essa iniciativa? Não se trata de simplesmente comparar o que considero ruim, o jornal de um ano atrás, com o que avalio como em constante evolução, o jornal de hoje. O confronto que adotaremos vai mostrar não só o quanto a publicação está evoluindo e, também, o quanto ainda tem a perseguir em matéria de qualificação para chegar ao extremo do primeiro estágio do Planejamento Estratégico Editorial em situação muito mais confortável. 

Os conselheiros editoriais que nos têm visitado diariamente, em ponte preciosíssima de interlocução com a comunidade do Grande ABC, nos fazem amplos elogios. A mudança editorial do jornal -- afirmam eles -- é explicitamente clara. Entretanto, cá entre nós, ainda está longe de tudo que almejamos. Temos muitos obstáculos a superar. E nada melhor do que estabelecer disputas saudáveis como essa que estamos expondo para tornar o jornal de amanhã constante desafio de vitória sobre o jornal de ontem e de um ano atrás. 

Ao contrário do que alguns devem imaginar, o que pretendo com tudo isso é muito mais que estabelecer divisor de águas entre o passado e o presente. É, principalmente, fincar estacas de comprometimento regional da nossa publicação com o futuro. 

O primeiro caderno de um ano atrás tinha oito páginas convencionais, contra 10 do de hoje. A manchete principal foi regional. Como agora. A soma de textos do primeiro caderno totalizava uma página de matérias locais em março do ano passado, contra quatro da edição de hoje. Explico o significado conceitual de "páginas convencionais": são espaços que não levam em conta centimetragens de peças publicitárias. Muitas vezes, 10 páginas não passam, de fato, de seis páginas, quando se somam apenas os espaços editoriais. Outras vezes, oito páginas não passam de quatro páginas. 

O caderno Setecidades de um ano atrás contava com seis páginas convencionais. O de hoje conta também com seis páginas. 

O caderno de Esportes contava com quatro páginas há um ano. A edição de hoje também conta com quatro páginas. 

A Economia e a Internacional de um ano atrás contavam com seis páginas, das quais duas produzidas pela Redação. A Economia e a Internacional de hoje contam com seis páginas, das quais três produzidas pela Redação. A diferença poderia ser maior, porque a página de Informática saiu na edição do ano passado e não foi publicada hoje. 

Uma explicação se faz necessária, quando se afirma "páginas produzidas pela Redação". Isso significa que os demais materiais vieram de agências. Entretanto, as agências enviam noticiário em estado muitas vezes bruto. A Redação tem de se empenhar para tornar o material aproveitável jornalisticamente.  

Completando, Cultura & Lazer saiu com seis páginas nas duas edições comparativas, com volume superior de produção local na edição de hoje. 

Conclusão preliminar, sem entrar no principal eixo do Planejamento Estratégico Editorial: estamos produzindo muito mais material regional. Não tenho dúvidas de que, em situação de normalidade, o confronto será frequentemente favorável ao que temos hoje. E assim tem de ser. Esperamos estar vencendo essa disputa também no ano que vem, quando compararmos com este ano. Mas, insisto: não é apenas o volume que deve balizar nosso dia-a-dia. Queremos mais qualidade. Mesmo que com menos volume comparativo.  E disso trataremos em reunião específica, para consubstanciar a evolução da equipe. É evoluir ou evoluir.

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