Imprensa

30ANOS: Vera Cruz segue
à espera de investimentos

  DANIEL LIMA - 27/10/2020

Na edição de agosto de 2000 a revista de papel LivreMercado voltava a mostrar o que se passava com o projeto ambicioso reservado para os estúdios Vera Cruz, em São Bernardo. A jornalista Malu Marcoccia mostrava o andar de tartaruga. Contava-se com a expectativa de muitos investimentos da iniciativa privada e do governo do Estado.  

LivreMercado mostrava, mais uma vez, que a informação e a análise não poderiam ser episódicas, desgrudadas no tempo. O acompanhamento sistemático era fundamental à compreensão da dinâmica regional, mesmo que essa dinâmica fosse apenas força de expressão, porque a movimentação era lenta, mais que em câmara-lenta. 

Esta é a centésima-sexagésima-segunda edição da série 30ANOS do melhor jornalismo regional do País, de LivreMercado e de CapitalSocial.  

Vera Cruz ainda

está na ficção 

 MALU MARCOCCIA - 05/08/2000 

Há exatos dois anos o Grande ABC, São Bernardo em particular, sentiu um alívio coletivo quando o governo do Estado, no âmbito da mobilização da Câmara Regional, formou fileiras no resgate dos antigos estúdios cinematográficos da Cia. Vera Cruz. Daquele final de agosto de 1998, entretanto, pouca coisa saltou do contrato assinado que rebatizou a Hollywood brasileira de Projeto Nova Vera Cruz.  

As obras estão outra vez paralisadas e o motivo é o mesmo: o governo do Estado voltou a interromper as parcelas mensais de um total de R$ 5 milhões que empenhou como sua cota-parte nos R$ 17,6 milhões de investimentos previstos para transformar o espaço num polo produtor de cultura e entretenimento.  

Há promessa renovada de que os repasses voltariam neste semestre, mas a incerteza desanima um parceiro fundamental à empreitada, a iniciativa privada, que também puxa o freio-de-mão quando se trata de participar com investimentos diretos ou como patrocinadora cultural. O governo federal aprovou, inclusive, R$ 12 milhões como recurso incentivado no Imposto de Renda pela Lei Rouanet. Só a Volkswagen do Brasil anunciou até agora adesão mais generosa, de R$ 500 mil para o Centro Cultural, primeiro dos três estúdios que deveria estar pronto há um ano.  

Coordenador de audiovisual da TV Cultura e da Nova Vera Cruz, Ivan Ísola colocou todo seu entusiasmo pelo cinema em um projeto que busca tirar definitivamente do limbo a sétima arte no Brasil e jogar a favor do relançamento da economia do Grande ABC.  

Ísola planeja ter a iniciativa privada sobretudo como sócia no complexo, que, além de arte pura, vai gerar negócios na forma de produções para TV e cinema, comerciais publicitários, serviços de efeitos especiais em laboratórios, uma cidade cenográfica e um parque temático, entre outros. Seus planos baseiam-se em Babelsberg, estúdio alemão com cerca de 50 mil metros quadrados operado por empresários particulares e Poder Público de Potsdam, onde está instalado, cuja parceria abraça desde captação de verba até negociação de direitos autorais e distribuição comercial de produções.  

Ísola imagina repetir o mesmo vasto campo de negócios nos 43 mil metros quadrados de área da Vera Cruz e seus dois estúdios de 2.720 metros quadrados cada. A aposta leva em conta a supermídia visual-digital criada com as tecnologias modernas. Imagem e som podem chegar hoje em tempo real ou na forma de arquivo em milhares de locais -- de residências a minúsculos aparelhos celulares, passando por telonas de salas multiplexes.

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