Economia

G-22: Santo André e Diadema
entre piores do ano em emprego

  DANIEL LIMA - 01/02/2021

O balanço do emprego formal do G-22 (o Clube dos 20 Maiores Municípios do Estado) na temporada de 2020 é pouco favorável ao Grande ABC de sete municípios. Diadema, Santo André e São Bernardo estão entre os seis resultados individuais mais graves entre os 22 participantes (Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra entram como convidados para completar a região, porque não têm expressão econômica individual).  

Se o cálculo fosse feito à moda do prefeito Paulinho Serra e sua assessoria de marketing, o tiro sairia pela culatra porque Santo André seria o pior endereço do Grande ABC e o quinto do G-22. Mas o critério de números relativos é o mais ajuizado e real para dimensionar o tamanho do impacto. Ou seja: nesse caso, padrão de CapitalSocial, Santo André ocupa o devido lugar, atrás de Diadema, embora tenha contabilizada mais demissões.  

O princípio ético de CapitalSocial implica na lógica de que números absolutos de saldos positivos ou saldos negativos não levam em conta o tamanho da economia de cada Município. Números relativos confrontam os resultados obtidos em relação ao estoque de trabalhadores.  

Métrica adequada  

Essa é a métrica correta assim como, no caso do vírus chinês, a conta que leva em conta o total de óbitos em relação ao número de habitantes é a que não cria um ambiente corrosivo à verdade dos fatos.  

No conjunto, o Grande ABC perdeu 11.763 postos de trabalho no ano pandêmico de 2020. Os demais integrantes do G-22 (ou seja, os 15 complementares) somaram 22.812 demissões líquidas – diferença entre contratações e rompimento de contratos. Quem comparar quantidades para chegar à conclusão de que Grande ABC está melhor que o G-15 dentro do G-22 caminha para um engano. O ranking abaixo deixa isso claro.  

A melhor maneira de aferir o ranking do comportamento do emprego formal é quantificar o resultado bruto, de números absolutos, com o estoque de trabalhadores. No caso dos dados dos últimos 12 meses, confronta-se a variação relativa no período. É nessa engenharia comportamental do emprego com carteira assinada que Diadema e Santo André estão entre os piores endereços desse Clube dos Maiores Municípios Paulistas. São Bernardo vem logo a seguir como representante da região.  

Estoque cai 1,60%  

Quando a temporada de 2020 começou em primeiro de janeiro o Grande ABC contava com 736,374 trabalhadores com carteira assinada em todos os setores da economia. Quando terminou, com 11.763 baixas, o saldo líquido passou para 724.611. Uma queda de 1,60% do estoque.  

Num gráfico da edição digital de quinta-feira passada o jornal Diário Regional mostrou a situação do emprego formal no Grande ABC na década de 2010-2019, completando com os dados da temporada passada, que abre uma nova década. Entre 2010 e 2019 o Grande ABC registrou saldo positivo de 15.901 postos de trabalho formais.  

Nas quatro primeiras temporadas da década (2010-2013), a região só contabilizou saldos positivos, mas caiu drasticamente nos quatro anos seguintes sob efeitos do governo Dilma Rousseff e a herança de gastos excessivos do presidente Lula da Silva.  

Somente em 2018, quando a economia nacional voltou a respirar, com PIB positivo de 1,1%, o emprego no Grande ABC reagiu. Foram dois anos seguidos de saldos discretos.  Mas as 11.753 baixas da temporada passada reduziram fortemente o saldo do emprego formal a partir de 2010. Agora são apenas 4.148.  

Tenebrosos anos 1990 

Nos anos 1990, sobretudo no período de Fernando Henrique Cardoso, o emprego industrial do Grande ABC sofreu em números redondos 85 mil baixas.  No saldo negativo superior a 11 mil postos de trabalho no ano passado, 6.949 se registraram no setor de transformação industrial. A reportagem do Diário Regional lembra que são 10 temporadas seguidas em que a indústria demite mais do que contrata.  

Voltando aos empregos em geral na temporada passada, em números absolutos Santo André foi quem mais acusou perdas com o rebaixamento de 4.081 postos de trabalho. Como o estoque de empregos em Santo André em dezembro de 2019 era maior que em Diadema, onde as demissões em 2020 registraram 2.625 trabalhadores, os resultados relativos são diferentes. As baixas de Santo André foram 2,09% em relação ao estoque, enquanto em Diadema foram 3,15%.  

Apenas a diminuta Rio Grande da Serra, cujo PIB Geral não chega a 0,3% do PIB do Grande ABC, salvou-se da derrocada do Coronavírus. O saldo positivo de 27 contratações (1,04% do estoque) não representa quase nada ante os números negativos dos demais municípios. São Caetano ficou em segundo lugar com vulnerabilidade de 0,53% do estoque, Mauá registrou 0,92%, Ribeirão Pires 1,22% e São Bernardo 1,54%.   

Programas federais  

Um dos vetores que ajudaram a economia do Grande ABC a resistir ao vírus chinês (outros serão analisados nos próximos dias) foi o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEM), que permitiu a suspensão de contratos ou a redução de jornada e salários mediante compensação paga pelo governo, conforme lembrou a reportagem do Diário Regional.  

Foram, segundo o Ministério do Trabalho, 466,2 mil acordos fechados na região durante a vigência do BEM, em benefício a 242,6 mil trabalhadores. O programa foi encerrado em dezembro, mas garante blindagem de seis meses aos trabalhadores, por conta de reciprocidades definidas pelo governo federal. Agora as empresas pagam salários integrais aos trabalhadores.   

Veja o ranking de vulnerabilidade do emprego formal no G-22 na temporada de 2020: 

1. Barueri, com variação positiva de 3,50%.  

2. Sumaré, com variação positiva de 1,43%.  

3. Sorocaba, com variação positiva de 0,27%. 

4. Ribeirão Preto com variação negativa de 0,01. 

5. Guarulhos com variação negativa a de 0,26%. 

6. Mogi das Cruzes com variação negativa de 0,36%. 

7. São Caetano com variação negativa de 0,53%. 

8. Jundiaí com variação negativa de 0,56%. 

9. Piracicaba com variação negativa de 0,59%.  

10. Osasco com variação negativa de 0,64%. 

11. Rio Preto com variação negativa de 0,69%. 

12. Mauá com variação negativa de 0,92%. 

13. Rio Grande da Serra com variação negativa de 1,04%.  

14. Ribeirão Pires com variação negativa de 1,22%. 

15. Paulínia com variação negativa de 1,28%. 

16. Campinas com variação negativa de 1,50%. 

17. São Bernardo com variação negativa de 1,54%.  

18. Santo André com variação negativa de 2,09%.  

19. São José dos Campos com variação negativa de 2,60%. 

20. Diadema com variação negativa de 3,15% 

21. Santos com variação negativa de 3,28%.  

22. Taubaté com variação negativa de 4,64%. 

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