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Morando melhor que Doria?
Gataborralheirismo explica?

  DANIEL LIMA - 10/10/2017

Quem acredita que Orlando Morando conta com avaliação positiva superior a de João Doria? Uma das possíveis respostas é que talvez a diferença metodológica, que não consigo enxergar, explique Morando com 36,3% de ótimo/bom dos entrevistados em São Bernardo e João Doria com apenas 32% na Capital.

Seriam menos exigentes os moradores de São Bernardo, onde o PT resiste bravamente, ou estariam mesmo mais satisfeitos com o novo prefeito do que os habitantes da Capital com Doria?  A polarização de direitistas e esquerdistas na região é muito mais concentrada no eleitorado de São Bernardo do que na vizinha Cinderela. Então, por que esses resultados?

Até que alguém esclareça a situação, se houver explicação, acho que não existe diferença no que há de mais objetivo na pergunta que procura identificar a satisfação dos eleitores. Para se obter dos entrevistados respostas que qualifiquem os atuais prefeitos de São Bernardo e de São Paulo as opções são as mesmas: ótimo, bom, regular, ruim e péssimo. Não passa disso, exceto àqueles que não sabem ou preferem não responder.

Se é essa a matriz de um dos quesitos das entrevistas que tomaram o pulso dos eleitores de São Bernardo e da Capital, então por que Orlando Morando conta seis pontos percentuais a mais que João Doria quando entram em campo as alternativas “ótimo/bom”?

Margem embaralhadora

Está certo que a margem de erro pode embaralhar tudo.  São três pontos e meio para cima ou para baixo em São Bernardo e dois pontos percentuais para cima e para baixo na Capital.  Tudo bem, mas o peso da mídia se fixa nos números divulgados. Margem de erro não entra nas contas.

Não sei como os marqueteiros de Orlando Morando (ou seja, ele e seus assessores loucos para tomar espaço no noticiário) não foram às redes sociais para anunciar que o tucano da Província bate o tucano da Capital em prestígio. Gataborralheira supera a Cinderela, eis a definição desse placar.

O bom relacionamento entre Morando e Doria deve explicar tudo. Não convém ao tucano local confrontar o tucano mais graduado. Há um futuro de objetivos em mente. Fosse um petista a comandar a Capital, provavelmente Morando estaria nadando de braçadas nestes tempos em que os políticos querem marcar presença para minimizar os danos colaterais da Lava Jato. 

Relativamente bem

Orlando Morando vai relativamente bem na pesquisa do Instituto Paraná, mas o resultado não é nada assombroso. É um sucesso discretíssimo. Quando se faz o balanço numérico das cinco alternativas disponíveis aos entrevistados, Morando fica com saldo de 5,4 pontos percentuais entre quem considera sua administração “ótima/boa” e quem a vê como “ruim/péssima” – 36,3% a 30,7%.

João Doria, o queridinho da mídia conservadora, o prefeito que ainda não prefeitou porque quer ser presidente da República, tem números semelhantes: contabiliza 32% de “ótimo/bom” e 26% de “ruim/péssimo”. Ou seja, seis pontos percentuais de saldo.

O que coloca Morando à frente de João Doria no critério de “ótimo/bom” é um contingente menor de entrevistados que considera sua gestão regular, num total de 27%, enquanto João Doria é visto assim por 40%. Trocando em miúdos: o universo de quem prefere ficar em cima do muro é maior na Capital do que em São Bernardo em 13 pontos percentuais.

Marketing demais

Especulando sobre os acontecimentos dos últimos tempos é possível encontrar uma explicação que supostamente se ajustaria ao desempenho inferior de João Doria.  O tucano da Capital exagerou na dose de um marketing que faz escola na região e no País como um todo e teria, com isso, ultrapassado a linha da sensibilidade social.

Os eleitores da Capital passaram a ver Doria pouco interessado em dirigir a Prefeitura, já que se tem empenhado tanto em viajar a todos os cantos do País atrás de votos e acordos para tomar o lugar do governador Geraldo Alckmin na corrida presidencial, ou, então, cacifar-se em outra agremiação.

Guardadas as devidas proporções do arsenal tecnológico utilizado para manter contato direto com a sociedade, porque João Doria é imbatível, Orlando Morando sustenta comunicação nas redes sociais que, como Doria, exige também muito preparo físico e determinação que a juventude assegura.

Colhendo prestígio

E, diferentemente de João Doria, cuja pretensão à presidência ou ao governo do Estado é, segundo o Datafolha, reprovada pela população paulistana, Orlando Morando colhe prestígio com a plantação fértil de versão pouco provável -- a de que seria candidato tucano ao governo do Estado. Situações semelhantes são contradição para quem desconhece as entranhas da Província, vítima do Complexo de Gata Borralheira.

Os moradores de São Bernardo que se alinham ao tucano curtem a perspectiva de candidatura ao governo do Estado com sabor especulativo muito especial. E mesmo os opositores do tucano devem reduzir a carga de restrições por conta dessa perspectiva. Não há Província no mundo que condenará um político local por pretender chegar ao posto máximo do Executivo estadual, descartando, portanto, o posto de prefeito.

Demais são derrotados

Como estariam outros três prefeitos da região cujas populações foram ouvidas pelo Instituto Paraná? Nenhum passou pelo desafio de contar com mais “ótimo/bom” do que “péssimo/ruim”, resultado que ganha ares de intriga porque torna Orlando Morando exceção à regra. Paulinho Serra, de Santo André, contabilizou 30,4% de “ótimo/bom” contra 39,9% de “ruim/péssimo”, resultado que o deixa com déficit de 9,5 pontos percentuais.

Nada diferente de José Auricchio, em São Caetano, com 30,4% de “ótimo/bom” e 39,3% de “ruim/péssimo”. Nada menos que 8,9 pontos percentuais.

Já Lauro Michels, de Diadema, colecionou o pior resultado: obteve 23,6% de “ótimo/bom” contra 33,2% de “ruim/péssimo” – 9,6 pontos percentuais negativos.

Entre a primeira pesquisa que o Instituto Paraná realizou em abril e a segunda em setembro último, quem mais acusou as dores de reprovação dos eleitores é o titular do Paço de Santo André: Paulinho Serra viu crescer de 26,6% para 39,9% o contingente de entrevistados que consideram a Administração “ruim/péssima” -- queda de 13,3 pontos percentuais. Bem mais que os 6,0 pontos percentuais de rebaixamento de José Auricchio, de 33,3% para 39,3% e os 5,7 pontos percentuais de Orlando Morando, de 25,0% para 30,7%. Somente Lauro Michels, de Diadema, obteve resultado positivo: tinha 38,7% de “ruim/péssimo” em abril e passou para 33,2% em setembro -- 5,50 pontos percentuais a menos.

Já no critério de “ótimo/bom”, também considerando a pesquisa de abril e a pesquisa de setembro com os quatro prefeitos da região, todos sofrem perdas. José Auricchio saiu de 36,4% para 30,4%, com quebra de 6,0 pontos percentuais, Paulinho Serra de 40,4% para 30,4%, com queda de 9,5 pontos percentuais, Orlando Morando de 42,1% para 36,3%, com queda de 5,6 pontos percentuais e, completando, Lauro Michels de Diadema com 25,0% em abril e 23,6% em setembro, com queda de 2,6 pontos percentuais. O critério de “regular” não segurou a barra dos prefeitos. Ou segurou, mas não o suficiente para neutralizar a contabilidade.

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