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Caso Celso Daniel
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Novo livro cumpre tarefa
de respeitar os leitores

  DANIEL LIMA - 21/07/2017

Vou cumprir o compromisso público de analisar o novo livro lançado na praça sobre o caso Celso Daniel. O jornalista e professor universitário Eduardo Luiz Correia, que atuou durante seis anos na Administração do então prefeito de Santo André, produziu material digno da responsabilidade e da seriedade de quem tem compromisso com a informação inviolável a transgressões éticas. 

Por mais que tenha ficado em cima do muro na tomada de decisão sobre o crime colocado na bifurcação entre um caso político-administrativo e um caso comum, Eduardo Luiz Correia mostrou que é possível, mesmo com esse vácuo, comportar-se com dignidade profissional. Nada a ver, portanto, com o outro livro do caso Celso Daniel, esmiuçado neste espaço em série que está longe de terminar. 

O que vou escrever sobre “Celso Daniel – o jornalismo investigativo em crise” não passará provavelmente desta edição. Não há o que contestar na narrativa de Eduardo Luiz Correia – e contestar era o espírito que me levou a comprar a obra. Jornalista é assim mesmo -- está sempre engatilhado a olhar tudo com ceticismo, até mesmo para poder comemorar o reverso da expectativa com a certeza de que não fora ludibriado. 

Farta exposição 

Eduardo Luiz Correia se dedicou a colher e a exibir tudo o que se publicou sobre o assassinato do prefeito de Santo André. Senão tudo, quase tudo. Embora tenha anunciado centralidade no noticiário da Folha de S. Paulo, o jornalista que já foi colaborador da revista LivreMercado também frequentou outros endereços midiáticos para a exposição das versões. 

Inclusive a revista LivreMercado, cujo conteúdo do caso Celso Daniel foi integralmente produzido por este jornalista e, segundo terceiros nada suspeitos, sé a melhor cobertura da Imprensa brasileira. Nada mais lógico porque (e aí entra em campo um ponto sobre o qual discordo de Eduardo Luiz Correia) fui o único profissional de Imprensa a mergulhar fundo nas investigações de terceiros e a conceber uma narrativa personalizada ao tomar posicionamento de acordo como as sólidas investigações policiais. 

O intenso trabalho de pesquisa de Eduardo Luiz Correia precisa ser respeitado e valorizado, razões pelas quais recomendo a compra de exemplar. A essência do livro não é convencer a torcida organizada pró-morte encomendada de Celso Daniel de que se tratou de crime comum numa metrópole ensandecida. Também, tampouco, a obra se propõe a fazer com que os raríssimos defensores de assassinato cometido por gente que nada tem a ver com administração pública demovam as barreiras dos opositores a essa tese. 

Resgate de informações 

Trocando em miúdos, “Celso Daniel – O jornalismo investigativo em crise” é ótima oportunidade ao resgate de um histórico repleto de nuances que transformaram um caso corriqueiro naquele começo de século em que São Paulo estava coalhada de sequestradores em suposto crime em que uma avalanche de interrogações estimularia teorias conspiratórias. 

Não li toda a obra de mais de 300 páginas de Eduardo Luiz Correia. Nem será preciso. Da aridez de páginas e páginas em que o academicismo preparou um arcabouço filosófico e sociológico de crimes em que prevalece a multiplicidade de interpretações, às páginas recorrentes ao assassinato propriamente dito, há uma linha condutora no sentido de que prevalecerá sempre uma narrativa minuciosa, detalhista mas jamais desafiadora à destruição de um enredo nebuloso, porque assim o quis o Ministério Público Estadual. 

A força-tarefa do MP nomeada pelo governo do Estado, tucano, para retirar o assassinato da conflagrada área de Segurança Pública, atirando-o no colo de transgressões administrativas do Partido dos Trabalhadores, cumpriu rigorosamente o papel que lhe foi destinada. 

Talvez o principal desafio aos leitores de “Celso Daniel – o jornalismo investigativo em crise” seja o labirinto em que se meterão. A obra poderia ter alcançado configuração editorial diferente, mesmo ao se manter integralmente salomônica. Seria algo com que sonho quando surgir a oportunidade de transformar todo o conhecimento que tenho sobre o caso Celso Daniel em formato de livro. 

Ajustamento temático 

Que configuração seria essa? Um enquadramento temático dos pontos mais relevantes. Como estou fazendo nesta revista digital ao abordar (abordar é força de expressão, porque o que tenho feito é um metralhamento completo) o livro de Silvio Navarro, o jornalista que fez uma colagem de alguns pontos do que se publicou durante o período sobre o incidente no Três Tombos e suas derivações interpretativas e, com competência estilística, fez da realidade sucessão de ficções. 

Pelo que apresentou na obra da Editora Insular, Eduardo Luiz Correia talvez seja o único jornalista brasileiro cujo acervo de informações registradas pela mídia se rivalize com a que dispõe este profissional. Meus arquivos impressos do caso Celso Daniel são um manancial espetacular à produção de uma obra completamente diferente da de Luiz Eduardo Correia e infinitamente mais qualificada do ponto de vista factual que o livro de Silvio Navarro. 

Ali estão as contradições, principalmente dos integrantes da força-tarefa do Ministério Público de Santo André. Eles apareceram em cena com uma constatação que não resistiu aos fatos. Um Celso Daniel canonizado inicialmente como exemplar de pureza e de honestidade aos poucos ganhou a roupagem de quadrilheiro.  Tudo consolidado tardiamente em reportagens dos principais jornais paulistas – Estadão e Folha de S. Paulo. Além, claro, do Diário do Grande ABC, durante algum tempo estimulador da versão de crime administrativo, então chamado de crime político pelo Ministério Público. 

Bode expiatório 

Foi uma pena que o caso Celso Daniel não tenha dado ao bode expiatório Sergio Gomes da Silva a oportunidade de obter da chamada Grande Imprensa o derramamento de espaço livre concedido frequentemente aos integrantes da força-tarefa do Ministério Público Estadual. 

A campanha sórdida para a fixação do crime na bitola de desdobramentos da administração petista de Santo André mostrou outra face da cobertura jornalística que Eduardo Luiz Correia capturou com leveza e discrição demais quando se confrontam os estragos provocados a um inocente criminalizado indevidamente pelo Ministério Público. Ou seja: a Imprensa de maneira geral fracassou completamente na missão de contribuir para o esclarecimento do crime porque preferiu dar toda a corda e credibilidade aos promotores criminais que erraram múltiplas vezes, em contraponto às correções da Policia Civil do Estado e dos investigadores da Polícia Federal. 

Ainda recentemente (no caso, há dois anos) escrevi um artigo que resume com clareza e fundamentação o quando se venderam de bobagens ao longo dos anos para transformar Sérgio Gomes da Silva, morto em setembro do ano passado vitima de um câncer, em vilão preferencial da morte do prefeito de Santo André. 

Qualquer informação fora desse enquadramento é ilusão de ótica ou desserviço editorial. Por isso, mesmo que somente num determinado trecho do livro Eduardo Luiz Correia mostre-se sutilmente aliado deste jornalista, o novo livro sobre o assassinato de Celso Daniel é importante instrumento de combate às heresias editoriais produzidas sob o signo do sensacionalismo de farrapos informativos. 

Como assim?  O simples fato de que oferece as duas faces da moeda de informações, ao contrário da unilateralidade generalizadamente viciada as invencionices do Ministério Público é uma dádiva democrática em matéria de respeito aos leitores, também conhecidos como sociedade. 

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