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Goiás viola código genético
do Santo André e vence jogo

  DANIEL LIMA - 05/03/2020

O Santo André está eliminado da Copa do Brasil após três rodadas. O sonho mais que exacerbado de repetir o título de 2004 e que se consumou em manchetes apressadas está fora de cogitação. Tudo porque o Goiás, que venceu de dois a zero ontem à noite no Estádio Bruno Daniel, desvendou e violou na plenitude de um jogo inteiro o código genético do time de Paulo Roberto Santos.

O Santo André caiu na arapuca de um adversário que abriu mão da tradição e do melhor retrospecto histórico no futebol brasileiro ao jogar com humildade. O desmonte das armadilhas arquitetadas pelo Santo André explica o resultado. Mas não retira o Santo André de uma zona muito especial – a de equipe que, levando-se em conta investimentos e resultados, é a melhor do futebol paulista desta temporada.

Somente para quem está no conforto de uma cabine de transmissão e analisa um jogo de futebol apenas como fonte de entretenimento o confronto de ontem à noite não teve nada de especial. Não é todo dia que um adversário, no caso o Goiás, coloca a nocaute tudo o que o adversário tem de melhor. O Santo André sucumbiu diante de um planejado oponente que vem de má fase na competição estadual e considerava a passagem à quarta etapa da Copa do Brasil a salvação da lavoura.

Neutralizando ativos

O Santo André das triangulações rápidas pelas laterais, pelo meio, dos lançamentos em profundidade, das infiltrações em diagonal, da blitz defensiva, da marcação severa, da intensidade sem limites, esse Santo André que faz a melhor campanha na Série A1 do Campeonato Paulista existiu apenas em parte ontem à noite. Havia um adversário no campo. Um adversário que estudou minuciosamente o Santo André deste ano. E que o amordaçou nas porções mais incisivas.

Tanto é verdade que triangulações e outras combinações por aproximação praticamente sumiram com o forte bloqueio defensivo do Goiás. As bolas longas para infiltração em diagonal ou em linha reta dos dois atacantes de velocidade do Santo André (Branquinho e Baggio) rarearam. A mobilidade do meio de campo, que sempre encontra espaços ante adversários menos aplicados, encontrou obstáculos de meio-campistas dedicados. As viradas de jogo, com laterais avançando e cruzando na área, ou meio-campistas avançando e abrindo às penetrações de laterais, pouco se viu. Tudo isso compôs um enredo de estrangulamento ofensivo do Santo André.

Restava ao Santo André jogar por algum contragolpe lotérico ou programado. Por isso, Paulo Roberto Santos dedicou atenção total ao sistema defensivo quando percebeu que os caminhos ofensivos estavam interrompidos. Quando o primeiro tempo terminou o jogo espelhava as inquietações defensivas dos dois times: poucas finalizações e um zero a zero a ser rompido.

Gol modificador

E o gol de cabeça de Rafael Vaz (ex-Flamengo), aos 15 minutos, após cobrança de escanteio, rompeu o lacre numérico do jogo. Era tudo o que pretendia o técnico Ney Franco, do Goiás. Agora o time passaria a jogar à feição do adversário nos jogos mais complicados: explorando os contra-ataques. Não deu outra.

O segundo gol demorou a sair, praticamente quando já não havia mais o que fazer, em cobrança de penalidade máxima. O primeiro gol retirou o Santo André da zona de conforto tático, de quem está pronto para dar o bote diante de um adversário supostamente incomodado com o placar, e foi ao ataque desordenadamente. As substituições de Paulo Roberto Santos coalharam o ataque de atacantes centrais. A ordem era cruzar na área.

Não se pode afirmar que o Santo André foi vítima da inesperada campanha até agora na temporada. Não existe consideração possível que explique a derrota além da lógica de que o time atingiu o limite individual e tático e, nessas condições, adversários mais robustos, de investimentos incomparáveis e de comissões técnicas que analisam detidamente o próximo jogo, enquadraram o Santo André no tamanho que de fato é. Ou seja: o time de Paulo Roberto Santos jogou tudo o que pode jogar desde que o adversário o considere um risco.

E o Goiás encarou o confronto sob esse prisma. Não viu o Santo André como um time recém-saído da Segunda Divisão de São Paulo. Encarou-se como se fosse o time vice-campeão paulista de 2010, vice-campeão brasileiro da Série B de 2008 e campeão da Copa do Brasil de 2004. Com respeito e máxima atenção.

Sinais de complicações

Alguns jogos anteriores deram sinais de que o código genético do Santo André estaria ruindo. O São Paulo perdeu no Estádio Bruno Daniel mas dominou o segundo tempo inteiro, sem correr maiores riscos. O Corinthians massacrou territorialmente o jogo na Arena Itaquera, mesmo sem impactos de finalizações, mas não resistiu à chuvarada que tornou o jogo loteria.

Um jogo inteiro monitorado por dados estatísticos e análises de campo é façanha do Goiás. Nada surpreendente, porque a mineração de dados virou febre no futebol. Um arsenal tecnológico que, combinada com senso de observação de técnico competente, pode colocar tudo a perder ou pode minimizar os efeitos de times bem organizados, mas sem individualidades capazes de brilhar a qualquer momento.

O Santo André é uma força coletiva cujos jogadores somados são melhores que os mesmos jogadores individualmente. Isso significa que, ao reforçarem os times para os quais baterão asas assim que o campeonato terminar, a reprodução de desempenho não seria automática. Vai depender do que encontrarão.

Fevereiro e março

Resta saber, agora, como vão se comportar os próximos adversários do Santo André na Série A1 do Campeonato Paulista. A vaga às quartas de final está praticamente garantida, mas não se pode descuidar porque o Novorizontino se aproxima e o Oeste, próximo adversário, luta para fugir do rebaixamento. Sem contar que o time de Paulo Roberto Santos perdeu os dois zagueiros titulares para o jogo deste final de semana.

O Santo André de um fevereiro carnavalesco, o maior da história do clube, não pode deixar de levar em conta as águas de março que prenunciam complicações.

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