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Nove meses de cinco anos que
transformariam o Diário (41)

  DANIEL LIMA - 13/07/2020

Juntamos três edições da newsletter Capital Digital Online. As duas primeiras de 19 de abril de 2005. A terceira do dia seguinte. Estávamos chegando ao ponto final dos nove meses à frente do Diário do Grande ABC. Só faltaria a edição do dia 21 de abril. Que reportaria o workshop realizado dois dias antes. Aquele encontro entre as lideranças da Redação do jornal se tornaria histórico ao deixar um legado de informações. O Diário do Grande ABC vivia uma encruzilhada, como disse um dos jornalistas durante aquele encontro.

 Edição 58 – terça-feira, 19 de abril de 2005 

Caros acionistas, diretores e colaboradores: 

Estamos providenciando cópias do CD da gravação do workshop que o Conselho de Redação realizou durante três horas e meia hoje em Santo André. Foi um encontro histórico da Redação, presenciado por apenas três representantes de outros setores, nenhum dos quais da diretoria e de acionistas. Remeteremos até amanhã cópias dessa jornada de trabalho para todos os participantes do encontro e também para membros da diretoria e do quadro de acionistas. Um bom programa para quem participou é ouvir a gravação no feriado prolongado que se aproxima. Principalmente para quem estará de folga e vai viajar. Os contratempos da diretoria e dos acionistas serão igualmente superados com o uso do material. 

O Conselho de Redação do Diário do Grande ABC produziu documento histórico, do qual todos devem se orgulhar. Como disse ao final da reunião, nossos filhos deverão ser presenteados com o material que é prova indestrutível de comprometimento com a empresa, com os fundamentos de um jornalismo maduro e, principalmente, com a comunidade regional.

 Edição 59 – terça-feira, 19 de abril de 2005 

Pergunta: Qual foi a grande transformação na relação entre o jornal e a comunidade? 

A criação do Conselho Editorial é o amálgama entre a Redação do Diário do Grande ABC e representantes da comunidade. Ainda estamos tateando nessa aproximação se o sentido da frase for o contato físico, porque o batalhão de leitores contemplados nessa instância informal é relativamente numeroso. Entretanto, se avaliarmos sob outro aspecto, mais permeável aos tempos modernos, de proximidade virtual, por meio do ferramental da internet, então demos passos mais que vigorosos. 

Parto do princípio filosófico provavelmente revolucionário no jornalismo brasileiro, reconhecidamente autocrático, de que a função jornalística é responsabilidade pública. Por mais que o empreendimento chamado mídia seja concebido como ramal emblematicamente capitalista, e como tal deve ser gerenciado como negócio, a divisão relativa a insumos editoriais reúne todas as nuances de compromisso com a sociedade com a qual nos comunicamos. Se observado esse princípio, chegaremos à conclusão de que, na medida em que se tornar referencial de respeito e de representatividade da comunidade a que serve, o jornal será cada vez mais viável como empreendimento. 

Trocando em miúdos, diria que produzir informação jornalística tem semelhança com outras atividades. O processo é metodologicamente o mesmo. Mudam-se apenas as nomenclaturas, as denominações, mas o enfoque é o mesmo: é fundamental colocar no mercado impressas em papel as informações que alimentarão o desejo dos consumidores. 

A grande diferença entre produzir comunicação e outra coisa qualquer está nos efeitos sociais. Uma comunidade mal-informada ou informada longe da profundidade necessária para entender e reagir às circunstâncias e às conjunturas, será uma comunidade capenga. Os efeitos são duradouros, reprodutivos, espalham-se como metástase. 

Ora, se isso é tão verdadeiro quanto óbvio, por que então abdicarmos de enriquecer nossas páginas com talentos geralmente escondidos em guetos corporativos dessa mesma comunidade? 

Grande parte do Conselho Editorial do Diário do Grande ABC é composto por profissionais que raramente ocupavam as páginas desse mesmo jornal. Ainda não estão ocupando na medida esperada, mas as portas estão abertas para várias alternativas de expressão de conhecimentos. Cansamos de acompanhar os mesmos e manjados personagens do cotidiano do Grande ABC, geralmente pouco consistentes na função de intérpretes da comunidade. Mais que isso: como esses personagens contavam com lugar cativo na agenda de reportagem, decidimos acrescentar mais de uma centena de identidades alternativas e suplementares. 

A bem da verdade, é vício da mídia nacional centrar baterias sobre determinado número de fontes de informação. São sempre os mesmos. Há grupo de incluídos da mídia que parece dotado de suprema sabedoria. É claro que não estamos generalizando. Existem profissionais indispensáveis na interlocução entre a mídia e a comunidade, mas, na maioria dos casos, deixam-se alternativas de lado. 

O Conselho Editorial veio para ampliar possibilidades de relacionamento com a reportagem. Sem contar que já está demonstrando senso extraordinário de participação, envolvendo-se diretamente em debates com legisladores locais na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal, além de introduzirem-se nas páginas do jornal com artigos e ensaios de calibres variados. 

A diversidade temática do Conselho Editorial é ingrediente especial desse caldeirão de interatividade. Contamos com especialistas das mais distintas áreas, prontos a serem acionados, prontos a se acionarem também. As rodadas de pesquisas que promovemos são uma forma de avaliarmos individualmente esses colaboradores. Como é pouco provável que teremos oportunidade de reuni-los todos num único evento, a virtualidade da internet de alguma forma nos coloca frente a frente. 

Contar com a interatividade do Conselho Editorial em questões-chave para o Grande ABC é também uma forma de evitarmos que antigas e desgastadas percepções de grupos que se encastelaram na mídia sobreponham-se, eventualmente, a novas configurações interpretativas de fatos. 

A amplitude técnico-intelectual dos conselheiros editoriais são algemas que mantêm presos os delinquentes sociais. Entenda-se como delinquentes sociais os sonegadores de ideias, os trapaceadores estatísticos, os arrombadores de imagens. Essa cadeia de criminalidades a que toda a mídia está vulnerável tem agora corredores mais estreitos e mais sensíveis à profilaxia ética e moral. 

Não falta quem lance mão da numerologia do Conselho Editorial e faça correlação com os 101 Dálmatas. Se o sentido for o sentimento de fidelidade, de lealdade, de determinação, acertou-se na mosca. O número é obra do acaso. Até o último minuto do segundo tempo da confirmação de nomes relacionados, trabalhávamos com duas possibilidades: a de que não chegaríamos ao centésimo participante e a de que conseguiríamos atingir a marca. Não é que a ultrapassamos? 

O Conselho Editorial do Diário do Grande ABC é único no mercado jornalístico nacional. Não se tem notícia de algo semelhante no campo internacional. Há conselhos de jornalistas, de jornalistas e diretores de empresas de comunicação e também de leitores conforme a base social de assinantes. Conselho de especialistas, independentemente de classes econômicas e sociais, só o Conselho Editorial do Diário do Grande ABC. 

A conversão de tantos saberes em direção a uma linha editorial regionalizada dentro de uma metrópole aponta o caminho das pedras de aperfeiçoamento constante de nossa linha de produção editorial. A sabedoria individual dos conselheiros editoriais se junta à perspicácia, a técnica e à dinâmica de comunicação como associação perfeita.

 Edição 60 – quarta-feira, 20 de abril de 2005 

Os segredos de um jornal que

põe a qualidade acima de tudo*

 Hugo Alconada Mon

La Nación Cidade do Panamá 

Aos 53 anos e mais de uma década depois de encarnar a quarta geração de sua família à frente do New York Times, o dono e diretor do jornal, Arthur Ochs Sulzberger Jr. - que passou pela Cidade do Panamá para participar da reunião da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) -, mostra cifras contundentes: o diário aumentou sua circulação e anuncia lucros líquidos de mais de US$ 300 milhões por ano, tem o site informativo mais visitado do planeta, adquiriu a totalidade do pacote acionário do International Herald Tribune e do Boston Globe e desembarcou na televisão, entre outras coisas. 

Seu segredo reside nas incríveis somas que ele reinveste em seu diário - instituição, como prefere chamá-lo - e no jornalismo de qualidade, com o qual enfrenta o presidente George W. Bush sem perder a possibilidade de almoçar e discutir cara a cara com o estrategista da Casa Branca, Karl Rove, ou de chamar a secretária de Estado, Condoleezza Rice, por seu apelido, Condie. A missão que Sulzberger impõe a seus jornalistas é fornecer aos leitores a informação de que precisam para se mover num mundo cujas fronteiras se diluem diariamente. 

Você acredita que a liberdade de imprensa enfrenta hoje riscos maiores do que há 30 anos, quando Watergate ampliou o horizonte jornalístico? 

Não, não creio. Este é um problema que nunca acabará. Em alguns lugares a situação melhora, em outros, se complica. Mas posso medir a situação geral pelo New York Times. A situação na Rússia é hoje, por exemplo, muitíssimo melhor do que jamais foi sob o comunismo e na China se pode ter acesso ao Times ou ao International Herald Tribune pela internet. Também na América Latina há mais liberdade de imprensa, embora sem dúvida varie. Agora mesmo, a Argentina está sofrendo sob a atual liderança. Cuba, é claro, não melhorou em 40 anos e nos Estados Unidos temos nossos problemas com o governo. Mas insisto: sempre houve problemas maiores ou menores. A pressão sobre o jornalismo vai e vem e, logo, a situação melhora. Mas nunca será perfeita. 

O jornalismo americano move-se com tanta liberdade para cobrir assuntos cotidianos quanto há cinco anos, antes do 11 de Setembro? 

Existem mais problemas e as coisas estão piores do que há cinco anos. Há mais jornalistas de meios impressos processados pelo que difundem. 

Como você lida com as pressões diárias da Casa Branca? Eles se queixam, o ameaçam? Na Argentina, um ministro pode lhe telefonar às 8 horas, em sua casa, para se queixar por uma nota. 

Não, esse tipo de conduta seguramente não existe na Casa Branca! Eles podem ligar e pedir-lhe que avalie a possibilidade de não publicar uma nota. Isso, sim, acontece. Tive esse tipo de conversa com Condie Rice antes de ela assumir como secretária de Estado e sei que Bill Keller (o editor-executivo do Times) também recebe esse tipo de telefonema. Nós os escutamos? Sim. Alguma vez detivemos alguma nota e não a publicamos? Sim. Nosso trabalho não é pôr em perigo a segurança dos EUA. E quase sempre podemos servir aos leitores sem pôr em risco a vida de nossos soldados. Tem sido assim desde a 2.ª Guerra Mundial ou mesmo desde a 1.ª. Há informações que não publicaremos, como tampouco fizemos antes, durante a tomada de reféns em nossa embaixada no Irã, a crise dos mísseis ou a invasão da Baía dos Porcos, em Cuba. 

Mas vocês tomaram essa mesma decisão a respeito de reportagens de investigação sobre, por exemplo, corrupção pública? 

Sempre que vamos publicar uma notícia, fazemos contato com a pessoa sobre a qual estamos escrevendo e lhe pedimos sua opinião. Essa é uma de nossas obrigações: obter seus comentários antes de publicar algo. Se vemos que a nota não está pronta para ser publicada, não o fazemos. Mas sempre, é claro, nossa premissa é publicar as notícias. Sempre. E muitas vezes, apesar das reclamações da pessoa investigada, nossa resposta é: Obrigado por falar conosco. Você vai ler a notícia em nossa edição de amanhã. 

Você só mencionou pressões do governo ou de particulares. Mas o que ocorre com anunciantes? 

Se o presidente de uma companhia me liga e diz que está tendo problemas com um de nossos jornalistas, passo essa chamada a Bill Keller, porque ele deve sabê-lo. Mas nossa decisão é que sob nenhum conceito, recebamos ou não dinheiro dessa empresa, deixaremos de publicar a notícia por causa dessa queixa. Às vezes, nossos grandes clientes de publicidade deixam de publicar anúncios conosco por dois, três ou quatro anos. Tudo bem! Essas são as consequências de nosso trabalho. Nos sentimos muito tranquilos desse modo. Estamos no ramo do jornalismo e, no fim do dia, nosso compromisso continua sendo com os leitores. E, como você sabe, pode-se mentir para eles de muitas maneiras, como deixando de lhes dizer coisas que se sabe e deveriam ser publicadas. Porém, com o tempo, mentir ou calar faz que eles, os leitores, nos abandonem. E, se isso acontece, ninguém fica satisfeito. Nem os jornalistas nem nossos anunciantes. Nosso compromisso é com os leitores e às vezes por isso temos problemas financeiros. 

É muito frequente seus anunciantes retirarem as contas? 

Não. Normalmente eles ficam furiosos, mas logo se recompõem e seguimos em frente. 

O que você pode dizer sobre as pressões internas? Jornalistas que não respeitam códigos de ética, editores que exigem demais? Lembro-lhe de Jason Blair, o redator que inventou notícias. 

Claramente, o escândalo de Blair teve um impacto gigantesco no Times. E mudamos como resultado disso. Agora somos uma instituição mais aberta, temos processos melhores de verificação jornalística para nos assegurar de que o jornalista está agindo corretamente. 

O que vocês fizeram para recuperar a confiança dos leitores e dos próprios jornalistas no Times? 

Para começar, admitimos o que havíamos feito de errado. Mobilizamos uma equipe de nossos melhores jornalistas para investigar todas as matérias que Blair havia escrito. Descobrimos problemas múltiplos e os publicamos em nosso diário. No entanto, ainda assim, lembramos aos 1.200 jornalistas e fotógrafos que trabalham no New York Times ao redor do mundo: somos humanos e vamos cometer erros. Nossos leitores sabem que não somos uma instituição que negue cometer erros ou se esconda. Descobrimos onde estava o erro e o resolvemos. Por isso, somos melhores hoje do que ontem. 

Você costuma se referir ao jornalismo de qualidade e à necessidade de investir grandes quantias no jornalismo, porque isso traz retorno no longo prazo. Você mantém essa premissa?

Sim, é claro! Vou lhe dar um exemplo: como todos os periódicos dos EUA, a publicidade que chega hoje ao Times é bastante fraca, se comparada à dos anos 90. Gostaríamos de manter nossas margens de lucro. Mas a maneira de consegui-lo é reinvestindo na qualidade. No último ano refizemos as seções de Cultura, Viagens, Crítica Literária, Imóveis e mais outras duas e reequipamos o sistema de computação dos redatores para lhes dar melhor acesso. Tudo isso consumiu um grande investimento, enquanto cortávamos gastos. Neste ano faremos algo similar. Criaremos uma seção, que sairá às quintas-feiras, e reforçaremos a de Negócios, que sai de segunda a sábado. Esses são investimentos que dão retorno: o índice de leitura sobe e a publicidade nessas seções aumenta. 

Deixe-me ser honesto. Ou você é o mais inteligente de todos ou o mais estúpido. Você está remando contra a corrente majoritária nos EUA na América Latina? 

(Sorri) Não sou astuto nem imbecil. Só faço o que sempre fizemos no New York Times. Meu bisavô comprou o diário em 1896. Era o mais débil da dúzia de periódicos então publicados em Nova York. Perdia dinheiro. Mas ele investiu na qualidade do diário. Desde o primeiro dia, introduziu uma revista semanal, que saía aos sábados, criou uma seção literária, acrescentou qualidade aos conteúdos e o New York Times passou à frente. Meu pai, que também assumiu o Times durante um período de declínio, decidiu, com seu editor-executivo, Abe Rosenthal, acrescentar novas seções todos os dias. E conseguiu reverter a tendência quase de imediato. 

Mas há limite para fazer jornalismo a fundo perdido? Há um ponto em que o lado corporativo, seu diretor-financeiro, diz basta? 

Sim. Mas nosso diretor-financeiro sabe como o New York Times funciona. Ele viu o que fizemos nos anos 60, nos 70. Era parte de nossa equipe quando montamos a edição nacional, num momento muito difícil. E a edição nacional nos salvou: desencadeou um crescimento fenomenal na circulação e nos anúncios. Somos o único periódico dos EUA cuja circulação cresceu em 10 dos últimos 12 anos. Por quê? Porque investimos em jornalismo. Não estou sugerindo que outros periódicos não o façam. Há alguns muito bons nos EUA, como The Washington Post e Los Angeles Times, que conhecem essa lição e a aplicam. 

O que acontece com a internet e os bloggers? São a nova fase do jornalismo? 

Dar uma opinião é diferente de fazer jornalismo. Tenho minhas opiniões, você também. Mas precisamos de fatos, dados, análises. E isso não é barato. Compilar e difundir dados é custoso. Ler os diários, assistir à TV e dizer: Bom, isto é o que penso acerca de tudo isso. Isso não é jornalismo, é mera opinião. Há lugar para opinar. É algo bom, mas não é jornalismo.  

Você acredita que eles são bem-sucedidos ou têm mais credibilidade porque opinam, por sua subjetividade?

Não creio que gozem de maior credibilidade que os jornalistas. O jornalismo consiste em buscar dados, fatos, em compilar e difundir informação, para que os leitores elaborem suas opiniões. Muitos bloggers e pessoas que se dizem jornalistas na TV simplesmente jogam para suas audiências. Não as desafiam: simplesmente dizem o que suas audiências querem ouvir. Isso não é jornalismo e, portanto, não é o negócio no qual queremos estar. 

Os meios de comunicação foram suficientemente incisivos enquanto a Casa Branca promovia a segunda Guerra do Golfo? 

Penso que, como muitos americanos e outros ao redor do mundo, queríamos acreditar que havia armas de destruição em massa no Iraque. E, quando se viu que não era o caso, publicamos um grande editorial dizendo: revisamos nossa cobertura e acreditamos que, nisso, nos equivocamos. Mas, lembre-se: cometemos erros, somos humanos. Nossa obrigação é ser responsáveis perante nossos leitores e reconhecer nossos erros. Fizemos isso. Lembro ainda que o New York Times é criticado em metade das vezes por ser um fantoche do governo Bush e, na outra metade, por se opor à Casa Branca. A divisão nos EUA é tão profunda hoje como nos anos 60, durante a depressão ou durante algumas manifestações contra o governo de Theodore Roosevelt. Este é um dos períodos em que estamos divididos na história americana. Mas vamos nos unir. 

Como é a relação com o presidente após o Times ter dito, na campanha, que ele não era o candidato certo para esses tempos? 

Bom, acostumaram-se a isso? Almocei há pouco tempo com Karl Rove, com dois editores jornalísticos e dois de editoriais. O governo sabe que temos uma posição que se reflete em nossa página editorial, mas também conhece nosso compromisso de que esse ponto de vista jamais aparecerá em nossos textos jornalísticos. Se aparece, está errado e devemos corrigi-lo. Esse é nosso compromisso. 

Também foi assim antes, com Clinton, Bush pai, Reagan...

Você continua acreditando que Bush não é o presidente adequado para os Estados Unidos? 

(Sorri, constrangido) Os cidadãos americanos responderam a essa pergunta. E ele foi reeleito com o apoio do eleitorado. Isso é o que importa. 

Você acha possível fazer jornalismo de qualidade na América Latina, na Argentina, com as restrições econômicas conhecidas? 

É possível fazer jornalismo de qualidade em qualquer ponto do planeta. Cada nação enfrenta seus problemas e deve-se produzir mudanças legais naqueles países onde não há liberdade de imprensa. Devo dizer que o presidente Bush e eu compartilhamos vários pontos de vista. Ambos, por exemplo, herdamos de nossos pais e também pensamos que a liberdade é e deve ser a condição natural do ser humano. E isso deve ser alcançado. Compartilhamos essa visão, embora não os meios para realizá-la. A Argentina merece um jornalismo livre e se beneficiará com essa liberdade de imprensa. A economia argentina se beneficiará com essa imprensa livre, porque o jornalismo é central e essencial para a democracia. A democracia leva a melhores governos. E os governos melhoram porque o jornalismo livre marca os problemas e força uma solução.

Isso acontecerá na Argentina, em Cuba, na Arábia Saudita. É natural que seja assim. Talvez hoje Kirchner não permita muita liberdade de imprensa. Isso não está muito longe de não deixar os bancos ou as empresas em paz e não está muito longe, por outro lado, de não respeitar a liberdade dos indivíduos. Num mundo em que os capitais fluem através das fronteiras com enorme flexibilidade, cada um deve decidir se quer investir no futuro de uma determinada sociedade, seja a argentina, a americana ou a coreana. O desafio para os governos é responder se estão suficientemente abertos para que as pessoas possam dizer: Sim, este governo joga conforme as regras. Aqui é onde quero investir meu dinheiro.’?  

* Entrevista publicada na edição de 20 de abril, quarta-feira, no jornal Estado de São Paulo.

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