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Metamorfose Econômica
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Metamorfose econômica (36)

  DANIEL LIMA - 05/11/2009

Foram 11 páginas inteiras de análise do setor automotivo do Grande ABC naquela edição de agosto de 1998 da revista LivreMercado (não a “Deus me livre” destes tempos).

Voltei do Paço Municipal de São Bernardo convicto de duas coisas: primeira, obtivera de fonte graduada um documento histórico. Segundo, não sabia até que ponto a concorrência detinha algo semelhante.

Por concorrência, entenda-se que o jornalismo do Grande ABC àquela altura dos acontecimentos estava relacionado somente ao Diário do Grande ABC. Concorrência no bom sentido, diga-se de passagem. Não vivíamos, como agora, uma explosão de veículos impressos e eletrônicos, o que torna o jornalismo senão melhor, ao menos mais democrático.

Era julho de 1998. Com o documento à mão, não tinha dúvidas de que a Reportagem de Capa de muito impacto estaria garantida.

Quando uso a expressão “muito impacto”, é preciso diferenciar a semântica que conduz ao sensacionalismo e ao feito histórico. Nesse caso, aquele calhamaço era algo histórico, que o bom jornalismo recomendava que se explorasse.

Essa era a característica genética do jornalismo de LivreMercado. Sem medo de cara feia e sem levar em conta conveniências que pudessem esconder verdades que, lá na frente, me lançariam ao fogo da omissão ou às trevas da manipulação.

Não há algo mais destrutivo do que tomar conhecimento de determinadas questões e, olimpicamente, fechar os olhos. Aquela reunião inseria-se no contexto de compromisso profissional que não poderia ser negligenciado.

Não consigo me lembrar do agente que me entregou uma cópia do documento. Nem se lembrasse diria, porque se trata de relacionamento entre padre, ou melhor, de jornalista, e um fiel, ou no caso uma fonte de informação.

O que sei é que sabia o que queria quando sugeri àquele participante do encontro que me presenteasse com o material. Tinha dúvidas se o repórter do Diário do Grande ABC teria feito o mesmo. Talvez até tivesse feito. O que agravaria sua situação, porque, no dia seguinte, o jornal deu tratamento burocrático ao assunto. Não mais que uma nota pequena, relatorial, sem qualquer compromisso com contraditórios, quanto mais com análise.

O futuro do Grande ABC estava em jogo naquela reunião e jamais poderia ser objeto de descarte jornalístico. Até porque o encontro não foi fechado como são os encontros do Clube dos Prefeitos. Acredito até que o vazamento do relatório possivelmente fez parte do show de comprometimento dos atores mais preocupados com os desenlaces que poderiam ocorrer. Se o objetivo era esse, foi plenamente atendido.

Regionalista, fiquei frustrado com o tratamento editorial do Diário do Grande ABC. Nem sei ao certo se foi algo deliberado ou incriminador à inapetência de enxergar o brilho do ouro de um manancial de pautas jornalísticas. Talvez tenha sido deliberado porque o Diário do Grande ABC vivia fase esquizofrênica, de investimentos vultosos na Redação, qualificando-a com profissionais de gabarito, e de hostilidade à divulgação das vicissitudes econômicas e sociais que, à frente de LivreMercado, denunciava sem pestanejar. Naquele tempo, o Fórum da Cidadania estava a plenos pulmões, o Clube dos Prefeitos regenerava-se e a Câmara Regional parecia ser a fortaleza institucional que imantaria o Grande ABC de integracionismo inexpugnável.

Observem os leitores o quanto de idiota este jornalista se mostrava, se idiotia for extensão de autonomia editorial porque, poucos meses antes, a Editora Livre Mercado, que editava LivreMercado, passou para o controle acionário do Diário do Grande ABC. Verdade seja dita e repetida: em nenhum instante das negociações que culminaram com a compra de 60% das ações da Editora Livre Mercado o Diário do Grande ABC pretendeu sugeriu nova linha editorial à publicação. Os Dottos e os Polesis, que dirigiam o Diário, sabiam que não teriam ressonância.

Nos próximos capítulos vou tratar diretamente dessas 11 páginas que ajudaram a analisar as grandes transformações pelas quais passou o Grande ABC nos anos 1990. O título da capa “Quem desativa a bomba sindical” causou certo desconforto aos sindicalistas. A abertura da matéria, nas páginas internas, foi direta e reta. Leiam:

  •  Uma bomba-relógio ameaça agravar o declinante poderio econômico e a ascendente ruptura social do Grande ABC. Representantes de empresas que sustentam a principal atividade econômica da região — a indústria automobilística e as autopeças que as rodeiam — acabam de preparar espécie de dossiê que aponta quadro de gradual trombose no setor. A anomalia atinge quatro áreas que respondem diretamente pela capacidade de competir num mercado que se torna cada vez mais concorrido internamente com novas montadoras que se instalam no País, e internacionalmente, com a globalização em ritmo frenético. Num trabalho inédito da Câmara Regional do Grande ABC, liderado pelo prefeito Maurício Soares, de São Bernardo, coordenador do Grupo de Competitividade do Setor Automotivo, os subgrupos de Relações Trabalhistas, Infraestrutura, Impostos e Desenvolvimento Tecnológico praticamente esmiuçaram os pontos principais de algo que pode ser resumido e simplificado como Custo ABC, embutido em algo igualmente desestimulante para a atividade empresarial, o Custo Brasil.

Notaram os leitores a enxurrada de interpretações que vem por aí? É claro que nos fixamos em larga margem no subgrupo de Relações Trabalhistas, porque o relatório era mesmo explosivo, porque colocava a nocaute antigos mitos regionais. Como a qualidade da mão-de-obra. E muito mais.

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