Política
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Um time de prefeitos para você
escolher quem se salva ou não

  DANIEL LIMA - 10/07/2020

Montei um time de prefeitos de virtudes e deficiências para o leitor fazer um balanço e escolher quem deve continuar no cargo no ano que vem e quem deve ser substituído, dando-se, portanto, oportunidade a novas experiências.

Não sou hipócrita. Pensei em todos os atuais titulares dos paços municipais para preparar o que chamaria de manual de votação, considerando que cidadão de verdade que vai às urnas deve impor valores aos candidatos. Sobretudo aos que pretendem renovar mandatos. Ou a quem já esteve como chefe de Executivo.

Quando digo que montei um time inteiro não estou usando nada com viés metafórico. São mesmo 11 enunciados que, observados sob ótica crítica, analítica, poderiam parametrizar o que temos nos últimos quatro anos e o que poderemos ter nos próximos quatro anos.

Vejam as tipologias de prefeitos com que contamos e que devem ser consideradas nesta jornada eleitoral que se aproxima: 

 Prefeito Varejista.

 Prefeito Generalista.

 Prefeito Estruturalista.

 Prefeito Reformista.

 Prefeito Ilusionista.

 Prefeito Comodista.

 Prefeito Confrontista.

 Prefeito Negacionista.

 Prefeito Preservacionista.

 Prefeito Municipalista.

 Prefeito Regionalista.

Os 11 quesitos listados não são excludentes entre si. Muito pelo contrário: quanto mais o leitor identificar compatibilidades, mais estará caracterizada a maturidade do voto. Vamos a breve arbitramento dos conceitos. 

 Prefeito Varejista.

Não pensem que esse é um conceito negativo. Prefeito Varejista é um fazedor de obras, sobremodo de pequenas obras, dispensando inclusive planejamento que aporte sistemicidade entre um asfalto aqui, um parque popular ali, uma ponte acolá, uma capinagem mais adiante. Prefeito Varejista tem Síndrome de Faxineira. Detesta ver a cidade fora de ordem plástica, por assim dizer. É preciso que esteja limpa, arejada, arrumada visualmente. Sabe que isso é do agrado da população em geral. Cidade suja, poeirenta, esburacada, é péssimo cartão de visita para quem chega e cartão vermelho para quem comanda.

 Prefeito Generalista.

Nada de sentar com especialistas, ouvir atentamente o que dizem os astros do planejamento que também pode significar racionalidade de investimentos. Prefeito Generalista é o faz-tudo que a demanda mais apressada impele. Está sempre preso a forças de pressão. Dispensa reflexões. Coloca tudo no mesmo pacote de prioridades. E quando isso é a marca registrada, não existe prioridade alguma.

 Prefeito Estruturalista.

Esse não deixa para o improviso um milímetro sequer de investimento elevado. Sabe que recursos financeiros são finitos e que, se desperdiçados, vão estender preocupações ao futuro do Município. Rodear-se de profissionais de atividades cuidadosamente hierarquizadas torna o Prefeito Estruturalista candidato sério à aprovação do eleitorado presente e do eleitorado futuro.

 Prefeito Reformista.

Essa categoria excede às expectativas. Está um degrau acima do Prefeito Estruturalista. O que os diferencia é que o Prefeito Reformista carrega o entusiasmo e o respeito ao planejamento, mas vai muito além do que especialistas de olhares e visões específicas sugerem. Prefeito Reformista tem visão multidimensional do território. Surpreende pela ousadia fundamentada, pelo resgate do passado maltratado e mal-organizado tendo no horizonte a inovação que contempla a materialidade de obras e a sensibilidade social como condimentos complementares;

 Prefeito Ilusionista.

Quando se apela com frequência e entusiasmo a medidas supostamente retumbantes, mas inconsistentes a qualquer verificação independente, chega-se ao estágio de Prefeito Ilusionista. Joga-se com informações do passado, do presente e do futuro como alquimia diabólica cujo objetivo tem parentesco com aquela comida típica em que se camufla o principal, em desafio ao comensal. A diferença é que na gastronomia existe mesmo o escondinho que vale a pena buscar, porque aparecerá. Já o Prefeito Ilusionista é prestidigitador verbal sem a correspondente ação material.

 Prefeito Comodista.

Quando se deixa para o destino e também para uma oportunidade bastante clara, escancarada, a possibilidade de agir e, portanto, honrar os votos recebidos, tem-se o diagnóstico cruel: o Prefeito Comodista está ocupando o Paço Municipal. Não tem como errar. O preguiçoso se satisfaz com o piloto automático. Coloca tudo nas mãos de terceiros e reza para que nada que movimente os instrumentos de observação sofra qualquer sacolejada.  Prefeito Comodista não sabe o que é agir. E pensa muito antes de reagir. É um estorvo.

 Prefeito Confrontista.

Quem não tem foco definido à frente de uma gestão pública está a meio caminho da dispersão. E dispersão é a matriz de confrontos inúteis porque não acrescentam praticamente nada como suprimento transformador de um Município. Prefeito Confrontista sonha com manchetes de jornais a qualquer custo. Prefeito Confrontista tanto pode ser esperto quanto paspalhão. O diversionismo pode ser uma arma voltada à dispersão de terceiros, mas também pode ser um tiro no pé da dispersão própria.

 Prefeito Negacionista.

Quando a oposição deliberada ou a crítica ajustada não conciliam o mesmo caminho interpretativo, eis que entra em cena o Prefeito Negacionista. Desmentir terceiros, colocar em dúvida informações e dados consolidados, dar nova roupagem a frustrações administrativas, tudo isso faz parte do roteiro de esfacelamento do Prefeito Negacionista. Quando se pretende tornar a gestão fortaleza de virtudes, mesmo com evidências em contrário inquestionáveis, chega-se ao estágio mais deprimente do Prefeito Negacionista.

 Prefeito Preservacionista.

O inconformismo com o passado de bens culturais que viraram sucata ou caminham num sentido completamente distinto do que recomendam normas civilizatórias é uma parte do enredo que identifica a atuação do Prefeito Preservacionista.  Entretanto, dissociar intervenções físicas de ações voltadas à comunidade para restaurar a tração de programas igualmente emuladores da identidade social que se esvai, é um erro crasso que tornará as medidas preservacionistas vagão desconectado da locomotiva.

 Prefeito Municipalista.

Quem governa olhando exclusivamente para o próprio território municipal provavelmente pode se dar muito bem nas urnas porque o imediatismo e o temporário são a marca cultural da política regional. Prefeito Municipalista não é redundância. É o retrato de alguém preso à cartografia restrita num território metropolitano. É o pragmatismo político levado às últimas consequências. É o tapar dos olhos ao entorno, como se o entorno não integrasse a própria essência da vida no Município.

 Prefeito Regionalista.

Chega-se ao estágio de Prefeito Regionalista quem tem desprezo ou minimiza a prática da política pela política, ou seja, alguém que esteja a anos-luz do enquadramento consensual conservador de que prefeito é prefeito de cidade, apenas de cidade. Na história do Grande ABC, não custa lembrar, houve apenas um Prefeito Regionalista de verdade, à prova de qualquer sabatina: Celso Daniel enxergou durante quase todo o tempo uma Santo André que o elegeu três vezes, mas também um Grande ABC que, sabia, influenciaria sempre os resultados locais.

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