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Regionalidade
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Plano Estratégico Regional:
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  DANIEL LIMA - 15/08/2017

O prefeito dos prefeitos do Clube dos Prefeitos, Celso Daniel, vivia e liderava todo o processo. O governador do Estado, Mário Covas, estava vivo e corria em raia própria, de dar suporte complementar à iniciativa do petista. Não havia a polarização política destes tempos burros e autofágicos de bandidos sociais canonizados de acordo com a lente ideológica de quem os observa. Outros personagens da vida regional e estadual também integraram-se ao que poderia ser chamado de primeiro Plano Estratégico Regional. Os remendos que vieram depois tentaram salvar a pátria da regionalidade em frangalhos.  

O Plano Estratégico Regional do então Grande ABC, hoje Província dos Sete Anões, alinhou série de iniciativa – exatamente 31 macropropostas – que ganharam destaque na Imprensa. À frente da revista LivreMercado, este jornalista produziu Reportagem de Capa histórica: “O Voo da Esperança”. É tudo isso que vamos resgatar numa série de análises. O que mudou na região desde aquele julho de 1997? É isso que mostraremos.  

A essência dessa nova ação jornalística passa longe de reminiscências de datas redondas. O que pretendemos mesmo é colocar frente a frente o passado e o presente na tentativa de alterar a percepção sobre o futuro regional. Vivemos tempos institucionalmente sombrios e economicamente inquietantes, embora não falte a banda podre do triunfalismo e das maquiagens a vender farrapos de ilusão. 

Voltando ao passado 

Talvez a melhor maneira de apresentar aos leitores o ambiente regional de 20 anos atrás e contrapor a situação que vivemos seja reproduzir os principais trechos da Reportagem de Capa que assinei na revista LivreMercado naquela edição de agosto de 1997. Esta é a primeira edição de uma série que não tem data específica para ser encerrada. 

O resgate de um material histórico que LivreMercado tratou como nenhum outro veículo da região se mostrará aos leitores mais exigentes uma grande oportunidade a comparações que confirmarão o estágio de anomia regional. E aos leitores mais descuidados, oferecemos oportunidade a reflexões e, quem sabe, a mudanças de comportamento social. 

Aos mandachuvas e mandachuvinhas da política, que ocupam cargos municipais nos sete municípios da região, o que sugerimos com esta série de análises que prestem muita atenção ao que pode ser adaptado nestes tempos de dispersão, embromação e ineficiência do Clube dos Prefeitos. Aliás, situação que vem do passado. O modelo regionalista de Celso Daniel, mesmo com deficiências que abordaremos nesta série, foi jogado às traças do esquecimento por uma razão muito simples: exige muito trabalho, dedicação, determinação, organização, planejamento e tudo o mais que pode ser sintetizado numa única expressão, tão rara na Província dos Sete Anões nestes tempos e também ao longo deste século: comprometimento social. 

Leiam agora os trechos principais da Reportagem de Capa de agosto de 1997. Nos próximos tempos apresentaremos todas as propostas do Planejamento Estratégico Regional que não saiu do papel.  

 Para entender o que acontece com a região depois do foguetório da definição dos 31 pontos prioritários do plano estratégico da Câmara do Grande ABC, inédita integração das comunidades empresarial, social e sindical, além de administrações públicas municipais e estadual, talvez a melhor sugestão seja a linguagem figurada. Supondo que o Grande ABC seja um avião já cansado de guerra, só restavam duas saídas: ou se deixava vencer pela fadiga do material, em forma de deserções industriais, vazio institucional e ausência de alternativas econômicas que agreguem valor, ou mobilizava passageiros, tripulantes e mecânicos para a troca da fuselagem desgastada, recondicionamento dos motores e elaboração de um plano de voo que o levasse a zonas de não-turbulência. A Câmara Regional representa a segunda hipótese. Mas isso não significa que os mais de 2,3 milhões de passageiros devam desapertar os cintos. A nova viagem está apenas começando e, a bem da verdade, o roteiro que aponta 31 embarques é apenas rascunho que tanto pode ser aperfeiçoado como virar sucata. Tudo depende do que vai acontecer de agora em diante com as novas reuniões.

Mais Voo da Esperança 

 Na fase preliminar, que culminou com a aprovação das 31 propostas em concorridos encontros no auditório da Universidade Metodista de São Paulo, em São Bernardo, não houve maiores embates. Mas nada impede que daqui para frente se coloquem divergências conceituais à mesa de debates. A não ser, evidentemente, que o objetivo máximo desses encontros, que já se realizam há quatro meses e que envolvem mais de 300 participantes, muitos dos quais voluntários, seja a obtenção de um Acordo do Grande ABC que contemple unanimidades burras, dessas que harmonizam todas as divergências sem, entretanto, garantir soluções.

Mais Voo da Esperança 

 (...) Jamais em toda história as administrações públicas dos sete Municípios se deram as mãos com tamanha intensidade. Mesmo com um prefeito recalcitrante como Luiz Tortorello, ausente nos dois dias de debates na Umesp mas representado pelo secretário de Finanças, o que se viu foi o entusiasmo de participação do Consórcio Intermunicipal liderado por Celso Daniel, prefeito de Santo André e sem exagero o grande condutor político regional. Também a sociedade civil se fez presente com entidades sociais, empresariais e sindicais. É verdade que predominaram na formulação provisória dos temas-eixos da Carta do Grande ABC que deverá estar pronta até setembro os agentes públicos, isto é, funcionários das Prefeituras, com disponibilidade de tempo remunerado e que acabaram dando o toque prevalecente de social em boa parte do grupo de propostas. Esse perfil deu certo tom de romantismo em vários dos pontos privilegiados no documento aprovado na Metodista, mas não lhe retirou a seriedade.

Mais Voo da Esperança 

 Além disso, o governo do Estado e agora legalmente comandante da aeronave mais uma vez deu aval e colaboração. O próprio governador Mário Covas abriu o cerimonial na Umesp e cunhou uma expressão típica dos técnicos de futebol — “ganhar ou ganhar” — para sintetizar o que pensa sobre o futuro do Grande ABC. (...) Há superficialidades e exageros que exigem evidentes aprofundamentos e correções de rumo. Mas isso era esperado. Resta saber até que ponto predominará o pragmatismo que uma região em processo de esvaziamento recomenda ou prevalecerá o romantismo ideológico ou corporativo, espécie de reverso do qual a TAM, empresa do mundo real do transporte aéreo, não quer nem ouvir menção.

Mais Voo da Esperança 

 (...) Redigidas e aprovadas de forma resumida mas suficientemente elástica para permitir, nessa fase de novos debates, a plataforma de ações detalhadas, as propostas mostram que o Grande ABC já não está mais à deriva. Mesmo considerando que a quase totalidade das sugestões não representa novidade alguma. Mas, e isso deve ser reconhecido, estão alinhavadas num documento que pela representatividade de quem o formulou, e principalmente de quem o aprovou, serve de bússola para os procedimentos que recolocariam a região na rota do desenvolvimento econômico sustentado, a partir de decolagem monitorada daqui em diante.

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