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Política, não Economia, é o que
interessa ao Clube dos Prefeitos

  DANIEL LIMA - 28/06/2017

Uma coisa é uma coisa. Outra coisa é outra coisa. Mas uma coisa poderia se associar à outra coisa. Até porque sem a outra coisa uma coisa não será a mesma coisa. E se não vai ser a mesma coisa, mesma coisa no sentido de mudança, o que teremos será a mesma coisa no sentido literal de mesma coisa, que vem a ser sinônimo de mesmice. Estamos entendidos?

Sei que os leitores vão se embaralhar com as frases que abrem este artigo. Foi proposital. Queria mesmo encafifá-los. De vez em quando é interessante gerar um turbilhão de palavras que podem conduzir à conclusão preguiçosa ou apressada de que é melhor passar por cima do texto e esquecer o significado. 

Sugeriria aos leitores que não se comportem assim. Estou escrevendo sobre o Clube dos Prefeitos que o prefeito dos prefeitos da região, Orlando Morando, deixou claro que não o reconhece com essa nomenclatura. 

Foi essa objeção enfatizada em todas as respostas à Entrevista Especial desta revista digital. Orlando Morando mudou de atitude. Nos tempos de deputado estadual (e as provas estão neste acervo) jamais manifestou ojeriza à marca “Clube dos Prefeitos”. Respondeu a duas entrevistas a este jornalista sem se opor à expressão. Mas, deixemos isso para lá. O que interessa é explicar uma coisa e outra coisa. 

Explicando as coisas 

Uma coisa é o Clube dos Prefeitos inaugurar como vai inaugurar se não me engano nesta quarta-feira a chamada Casa do Grande ABC em Brasília. Mais precisamente um escritório de 90 metros quadrados com a missão de fazer lobby junto às autoridades ministeriais e parlamentares de uma Capital Federal que adora permanecer nas manchetes policiais, disfarçadas de manchetes políticas. 

Outra coisa é o Clube dos Prefeitos ignorar completamente a imperiosidade de contratar uma consultoria especializada em competitividade nacional e internacional para preparar projeto de potencialização da economia regional. 

Nota-se, portanto, que o Clube dos Prefeitos tem preferência exclusiva pela política. A economia fica em segundo plano. Ou seja: o Clube dos Prefeitos prefere uma OPP e uma OPE. Opção Preferencial pela Política. Desprezo à Opção Preferencial pela Economia. 

O tucano Orlando Morando ainda conta com o tempo a seu favor como titular do Clube dos Prefeitos. Pode, como no caso do Novo Polo, da Volkswagen, dar uma guinada programática e incluir a toque de caixa a Economia na grade de preocupações à frente da entidade, já que ao que tudo indica o fará como prefeito de São Bernardo depois que a luz daquela montadora iluminou seu caminho. Morando tem o mérito da sensibilidade política e econômica ao pegar carona no projeto da multinacional costurada com os sindicalistas da CUT (Central Única dos Trabalhadores). 

Será que Morando vai entender que há um erro estratégico crasso na concepção da Casa do Grande ABC, o qual poderá ser minimizado com a criação de algum instrumento consistente para fortalecer um projeto de revigoramento do desenvolvimento econômico da região?

Decepções do passado 

Sobre a Casa do Grande ABC, ainda é muito cedo para maiores incursões. Algo garantidamente certo é que o escritório vai tratar -- como disse o próprio prefeito dos prefeitos – de assegurar migalhas do orçamento federal, deslocando aportes públicos à região. Depois do decepcionante fluxo financeiro prometido pelos governos petistas, atropelados pelo desencaixe fiscal seguido de recessão, é melhor colocar as barbas de molho. Quanto menos triunfalistas se manifestarem nos anúncios de investimentos, melhor para a credibilidade dos tucanos e assemelhados, majoritários nas prefeituras da região. 

Quem conhece minimamente o tamanho da encrenca deixada pelos petistas, com déficit fiscal ascendente e receitas encolhidas, sabe que as possibilidades de obter dinheiro do governo federal não favorecem entusiasmo incontido. 

Não sou contrário a um escritório de representação em Brasília, mas há ponderações que devem ser explicitadas mais uma vez e sempre que o assunto vier à baila. Representação política sem o corresponde plano estratégico de desenvolvimento econômico será sempre e sempre o abastardamento das relações entre a Província e a Capital Federal. 

Vamos nos satisfazer com migalhas porque não disporemos de projetos que gerem produtividade e competitividade como endereço a despertar a atenção de investidores. 

Os apoiadores da ideia da Casa do Grande ABC, que não é nova – muito pelo contrário – omitem que o lobby a ser implantado em Brasília é, quando muito, apenas um lado de uma moeda que não vai se manter em pé caso não tenha a correspondente proposição no campo do planejamento. 

Resultado previsível 

A politização do Clube dos Prefeitos, em detrimento da economia, deverá gerar alguns resultados serão colocados no altar de grandes conquistas por gente interessada em lustrar o ego de candidaturas próximas. 

Entretanto, quando no médio prazo se colocarem as cartas na mesa para investigar até que ponto a iniciativa contou com a correspondente contrapartida de resultados para a coletividade, a decepção estará consumada e constatada. Como o balanço dos dinheiros dos governos federais petistas na região. Prometeram mundos e mundos e o que sobraram foram obras inacabadas e frustrações acumuladas. 

Esse veredito não é um jogo de palavras e muito menos cartomancia. É experiência. Alguém acredita que uma casa pode ser construída a partir do teto? Pois a Casa do Grande ABC é exatamente isso – prestidigitação escancarada que visa sobretudo organizar uma agenda de conquistas tópicas, epidérmicas, que não alterarão em nada o ritmo de empobrecimento da região. Ou melhor, vão agravá-lo por se insistir em desprezar evidências de perda de competitividade econômica. 

Quedas sucessivas 

Uma baixíssima competitividade econômica, diga-se de passagem. Como mostrei, entre tantas e tantas análises, em setembro do ano passado sob o título “PT consegue façanha de recuar economia da região à Era FHC”. Antecipamos naquele trabalho o quando deveremos perder de PIB dos Municípios de 2015, que só será divulgado no final desta temporada. Durante os primeiros cinco anos do governo Dilma Rousseff, o Valor Adicionado da região sofreu queda de 23,90%. Imaginem os leitores quando emergirem os dados de 2015 e 2016 do PIB (Produto Interno Bruto). 

Se os tucanos pretendem construir um enredo econômico diferente do que os petistas durante o governo Dilma Rousseff, em contraponto aos anos dourados de Lula da Silva e seus fabulosos programas consumistas, devem olhar com maior atenção para a economia. Até porque, convenhamos, políticos locais que confiam nos políticos de Brasília não poderão choramingar o leite derramado. 

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