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Sociedade
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Fragilizada, Província desaba
no repasse de ICMS. Aguardem

  DANIEL LIMA - 20/06/2017

Juro que faço todo esforço do mundo para não retirar do descanso merecido o ombudsman não autorizado que mora em minha cabecinha incansável, mas, por mais que tente, de vez em quando não encontro outra saída senão chamá-lo à labuta. E o farei amanhã.

Tudo porque o Diário do Grande ABC publicou outro dia uma reportagem sem pé nem cabeça sobre repasse do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) na Província do Grande ABC. 

Fez-se comparação entre os primeiros cinco meses de 2014 e os primeiros cinco meses deste ano. Até aí tudo bem. O problema é que os bravos jornalistas da publicação mais tradicional da região esqueceram-se de uma coisinha simples, muito simples: a inflação do período. Ou seja: os números eram nominais, não reais. 

Fosse a reportagem uma qualquer, dessas que passam batidas aos olhos dos leitores, tudo bem, poderia até relevar, mas como ocupou a manchetona da primeira página (visualmente acima da manchetíssima, que é a manchete das manchetes) me sinto na obrigação de entrar em campo. E quanto o ombudsman não autorizado entra em campo, saiam de baixo porque vem chumbo. 

Em resumo, os dados do Diário do Grande ABC estão furadíssimos. Fossem apenas os dados, vai lá. O problema é que quando os números são imprecisos e levam a definições equivocadas, todo o espírito de uma matéria jornalística vai para a cucuia. Esse é o caso da matéria em questão. 

Ao contrário do que afirma o jornal, com a corroboração não se sabe se pouco elucidativa dos entrevistados, a Província do Grande ABC perdeu em valores reais, considerada a inflação, valores monetários de repasse do imposto que já foi carro-chefe das receitas municipais. De uns pares de anos para cá o ICMS é apenas uma parte do bolo de arrecadação das prefeituras locais. Importante, é bom que se diga. Mas não prevalecedoramente acachapante como no passado.

Estou tentando buscar uma imagem metafórica para tentar explicar aos leitores o que significa desconsiderar a inflação do período de uma análise de dados como elemento essencial à argumentação. A matéria do Diário comparou os primeiros cinco meses de 2014, quando começou o processo de recessão no Brasil, e os primeiros cinco meses deste ano, quando a recessão dá sinais de que poderia ter chegado ao fim. Estabiliza-se, portanto, por baixo um jogo para lá de dilapidador da sociedade e das empresas. 

Como são três anos de intervalo, e nesse período houve inflação acumulada, talvez a melhor maneira de dizer aos leitores o que significa deixar para lá o desgaste da moeda seria dizer que os salários foram congelados no período, que os veículos não aumentaram de preço, que o quilo de carne também não foi mexido no placar do supermercado, ou que o preço do litro da gasolina permaneceu intocável. 

Talvez um dos poucos ativos que perderam para a inflação no período são os imóveis, embora não faltem espertalhões oficiais (de entidades de classe) e oficiosos (corretores de maneira geral) que procurem valorizar a mercadoria mais que encalhada. 

Como qualquer comparação que pretenda tomar o pulso da economia de uma cidade ou de uma região deve ser cuidadosamente mais alongada para que sazonalidades não sejam tratadas como verdades absolutas, vou esticar o período de estudos sobre o comportamento do repasse do ICMS para a Província do Grande ABC, embora os três anos e cinco meses contemplados pelo Diário fossem suficientes a esclarecimentos. 

Aguardem, portanto a edição de amanhã. Vou botar os pratos a limpo. Não é por nada não, mas, com todo o respeito aos colegas que produziram a reportagem do Diário do Grande ABC, esse indicador complementar da temperatura econômica não pode ser enfiado freezer adento tendo-se na praça um ombudsman não autorizado pouco interessado em voltar à ativa, mas, desafiado, não tem saída senão pentelhar. A omissão seria um custo editorial muito maior que suposta falta de corporativismo. Como se eu ligasse para isso. 

Vou adiantar uma fresta do que tenho para amanhã, sem adiantar o período da pesquisa: a situação de São Bernardo do prefeito Orlando Morando é muito mais grave do que se imagina. Não será com penduricalhos e quinquilharias programáticas que a Capital Econômica da região vai sair do estado lamentável em que se encontra. E tampouco com factoides -- como mostramos ontem no caso de suposta punição a concessionárias de rodovias.  

Talvez escreva sobre o assunto um dia desses, mas as comparações que já começam a fazer entre Orlando Morando e João Doria, no sentido mordaz, podem ser letais. Tudo indica que, após o alinhamento oportunista como sempre dos tucanos aos peemedebistas, com Doria entre os tomadores de decisão, o prestígio do prefeito paulistano já não é mais o mesmo. Como já não o era ainda o mês passado quando comparado ao começo do ano. 

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