Luiz Marinho, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema e que luta na Justiça pela base de Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, entende que os trabalhadores da região são importantes protagonistas de qualquer gestão político-institucional voltada para corrigir a rota sócio-econômica do Grande ABC. Por isso, desde já garantiu postos na Câmara Regional do Grande ABC, uma inédita composição de forças entre o governo do Estado, os Poderes Executivo e Legislativo e o Fórum da Cidadania, representante da sociedade civil organizada. Luiz Marinho não esconde preocupação com o futuro da região, mas não se entrega às dificuldades. Mais que isso: considera os problemas regionais contornáveis e superáveis.
O novo quadro político-administrativo do Grande ABC o agrada. Ele acredita que os novos prefeitos têm muito maior disposição de colocar a mão na massa do que os que deixaram recentemente os respectivos Paços Municipais. Tanto que tem esperanças de transformar em campanha regional o programa que sensibilizou apenas o ex-prefeito de Diadema, José de Filippi Júnior.
Trata-se de espalhar para os sete Municípios a campanha de alfabetização de adultos. Em Diadema, mais de três mil pessoas descobriram o abecedário. “Seria um grande marketing positivo da imagem do Grande ABC” — afirma eufórico o líder sindical. Marinho quer também o fortalecimento do Sindicato dos Comerciários, setor cuja correlação de forças considera em fase de grande crescimento. Ele também defende o regime de concorrência aberta, de livre-mercado, entre os Sindicatos na luta pelo apoio dos trabalhadores da indústria regional, eliminando-se a unicidade sindical e substituindo-a pela pluralidade.
Assim, o Sindicato que dirige tanto poderia ter associados em São Caetano, onde quem está à frente dos trabalhadores é a Força Sindical, como a Força Sindical poderia atuar nos Municípios em que a Central Única dos Trabalhadores, à qual seu Sindicato está vinculado, tem absoluto domínio. “Isso daria mais eficiência ao sindicalismo” — garante.
Se fosse convidado a colaborar na elaboração de estratégia de marketing regional para melhorar a imagem do Grande ABC, de forma a atrair investimentos que signifiquem geração de empregos, e não apenas substituição de mão-de-obra por tecnologia atualizada, que contribuição poderia dar? O que o Sindicato dos Metalúrgicos, o mais importante da região, teria como exemplos práticos de que o capital é bem-vindo aqui?
Luiz Marinho – É preciso considerar que a região reage muito rapidamente ao sabor do comportamento da economia. Se o mercado como um todo cai, a região também cai. Mas se o mercado reage, a região é a primeira a reagir também. É por essa razão que tivemos, na Câmara Setorial Automotiva, uma participação determinante. É inegável que estamos sofrendo vários problemas regionais e é natural também que alguns setores sociais mostrem os pontos negativos que vivenciamos. Entretanto, alguns desses pontos são contraditórios, como é o caso do custo da mão-de-obra, que aqui tem maior peso. O que não levam em conta é que, ao custar mais, o trabalhador tem também seu lado positivo, porque confere à região poder aquisitivo superior em relação a boa parte do País. E isso representa, em última análise, um mercado consumidor de excelência. Aliás, não foi à toa que tivemos tantos investimentos no setor comercial.
De fato o Grande ABC tem vários problemas. O trânsito é um exemplo. Quem sai da Ford no final da tarde e está na Anchieta, principalmente, observa o congestionamento no trevo do Km 18, cuja alça de acesso está incompleta. Os caminhões, parados e improdutivos, estão integrados ao sistema just-in-time das empresas. É claro que isso significa custo que precisa ser resolvido de forma urgente. Por outro lado, como dizia, temos também o lado positivo.
Num dia desses um empresário, que reclama pra burro do custo superior da mão-de-obra da região, me disse que num desses programas de participação dos trabalhadores no nível de produtividade que sua organização mantém, as melhores respostas são dos funcionários do Grande ABC. Ele tem unidades também na Capital, no Interior do Estado e em Manaus, no Amazonas. A tradição de formação da mão-de-obra local e o nível de escolaridade batem as demais unidades.
Enchente é outro problema que entra no custo regional, mas temos conhecimento de que os prefeitos estão decididos a minimizá-lo com apoio do governo estadual. É mais um ponto negativo que temos condições de resolver. Temos, também, mais um ponto positivo. Até o ano passado, era apenas sonho pensar em programa regional de desenvolvimento econômico e de políticas públicas regionais, que são a grande saída para encontrar alternativas de melhoria para o Grande ABC. Agora o interesse dos prefeitos é efetivo.
Bem diferente do que encontramos no ano passado quando o Sindicato, preocupado com o problema do desemprego, da reestruturação produtiva, implementação de novas tecnologias nas fábricas, entre outros assuntos, chegou à conclusão de que era necessário executar um programa de alfabetização de adultos para colocá-los minimamente em condições de ter alguma possibilidade de competir no mercado de trabalho. Fizemos essa proposta para todos os prefeitos da região e somente o de Diadema (José de Filippi Júnior, do PT) topou adotá-lo.
Depois de dois anos, mais de três mil companheiros foram alfabetizados. Empresários, igrejas de vários credos, Sindicatos, todos colaboraram. Até botecos viraram salas de aula. Com essa nova safra de prefeitos, é possível pensar numa etapa regional de alfabetização. Já pensou um programa regional e, em quatro, cinco anos, erradicar o analfabetismo na região? Seria a primeira região do País a apresentar essa característica. Seria um marketing fabuloso.
Quem sabe isso se torne realidade, porque agora temos a Câmara Regional do Grande ABC, na qual o setor sindical aposta todas suas fichas. Essa Câmara está no caminho que já algum tempo temos incentivado, no sentido de perseguir um acordo regional. Entendemos que o programa de alfabetização é obrigatório da Câmara Regional. Como deve ser a elaboração de uma grande pesquisa sobre o Grande ABC, de modo a estabelecer indicadores concretos que nos permitam comparações com outras regiões.
Temos de ter segurança de saber o que estamos falando. Esses indicadores nos garantirão a tomada de decisões para retomarmos o posto que já ocupamos na economia nacional. Somos uma região industrial importante e isso não pode ser abandonado jamais. É bobagem imaginar o contrário. No dia que a indústria for embora de vez, o comércio e os serviços vão atrás. O comércio está fortalecido, já não há mais a debandada de outros tempos rumo a São Paulo. Mas podemos explorar melhor nosso potencial turístico, incentivado pela Represa Billings. Temos imensa possibilidade de gerar empregos nessa área. Precisamos, para isso, estancar as invasões predatórias das áreas de mananciais. A ocupação habitacional precisa obedecer a critérios que salvaguardem o meio ambiente. O Grande ABC terá belo futuro pela frente se soubermos tomar as decisões agora. Uso o plural nessa proposta porque os trabalhadores têm obrigação de batalhar para estar inseridos nessas decisões. Para onde vai a região? Que futuro nós queremos? O que podemos mudar? Acho que temos que ajudar a encontrar o caminho.
Assim como seu antecessor, Guiba Navarro, você apresenta perfil completamente diferente dos demais que ocuparam a presidência do Sindicato, a partir do Lula. A discrição substitui a estridência. Como o trabalhador, que estava acostumado com um padrão de liderança sindical mais personalista, tem recebido essa transformação?
Luiz Marinho – A categoria passa por profunda transformação. Mudou o perfil do dirigente, o perfil da categoria, o perfil do Sindicato, a conjuntura, o País, mudou o mundo. Tínhamos um tipo de atuação na qual, provavelmente, as características minhas e do Guiba, mais minha do que do Guiba, não dessem certo de jeito nenhum naqueles tempos. Nos anos 70 e 80 tínhamos enfrentamentos compulsórios. Muitos diziam que o Meneghelli era carrancudo, não negociava, mas ia negociar com quem? Como o Lula. Iria negociar com quem? Não tinha negociação. Dirigentes sindicais que atuavam no interior das empresas sequer tinham espaço para conversar com trabalhadores. Precisavam se esconder no banheiro. Isso se constituía em enfrentamento para a conquista de democracia dentro das fábricas. Isso ainda não está plenamente consolidado, mas é evidente que avançou muito. O que explica que a característica do dirigente sindical obedece à realidade do momento. O tipo de Sindicato que temos hoje está adequado ao perfil de liderança que o conduz.
Uma das reclamações dos críticos do sindicalismo regional é a baixa sensibilidade com problemas sociais e econômicos que atingem os metalúrgicos desempregados. Acusa-se o Sindicato de representar apenas trabalhadores empregados. O que sua administração tem feito para minimizar essa situação?
Luiz Marinho – Desde 1990, trabalhamos para mudar a imagem do Sindicato. Foi quando o Vicentinho lançou o Sindicato Cidadão, que não se restringia à atuação capital-trabalho, que também se preocupava com a comunidade. Podemos até não fazer tudo o que podemos, mas nosso Sindicato tem dado exemplos de que está preocupado com o trabalhador por inteiro, inclusive com quem está fora do mercado de trabalho. Essa parceria de alfabetização com a Prefeitura de Diadema é um exemplo. Mas temos mais. Fizemos aqui várias atividades relacionadas ao debate sobre a questão da terra. Que tem a ver o Sindicato dos Metalúrgicos com os sem-terra? Muito, porque a resolução do problema do campo vai gerar emprego e vai diminuir sensivelmente a migração às grandes e médias cidades.
Sem contar que muitos ex-metalúrgicos hoje estão no campo e engrossam o movimento dos sem-terra, também em busca de nova colocação produtiva. Também discutimos outros problemas relativos à educação, além da criança e do adolescente. Tudo isso está relacionado de forma direta ou indireta à qualidade de vida do trabalhador, empregado ou não.
As montadoras de veículos, que tantas contribuições econômicas trouxeram à região, devem ou não ser catalogadas também como responsáveis pelo quadro social local. Em resumo: as empresas devem também ter participação social além de suas fronteiras produtivas? Devem se envolver com a administração pública, com a sociedade civil, com projetos comunitários?
Luiz Marinho – Devem e estamos trabalhando nesse sentido. Temos conversado com as montadoras, mostrando que o surgimento da Câmara Regional do Grande ABC precisa contar com seus representantes. Acho não só que devem participar, como são determinantes nos rumos da Câmara. Acredito sim que as montadoras têm responsabilidade social. Muita gente que está morando pendurada em morros veio com a expectativa de trabalhar um dia numa de nossas grandes automobilísticas ou nas autopeças. Essas pessoas estão aqui gerando problemas sociais.
A Volkswagen, ao que me consta, adotou cinco cidades do Nordeste na área educacional, colaborando com o Comunidade Solidária, programa assistencial do governo federal. Acho isso ótimo, importante, mas chamo atenção para a sensibilidade de todas as nossas empresas a olhar para nossa região. Basta um passeio pelos bairros mais afastados para constatar a existência de famílias inteiras passando fome e sem perspectiva, por falta de emprego. Precisamos ficar atentos para a necessidade de adotar mecanismos que promovam a abertura de frentes de trabalho na região, porque temos graves problemas sociais a resolver.
Você concorda com a leitura retrospectiva de que os excessos do movimento sindical contribuíram também para o esvaziamento econômico da região, ou entende que só existe um lado nessa moeda de relações tumultuadas com as empresas ao longo dos anos, o lado da valorização do trabalhador diante de anacronismos e abusos do capital. O Trabalho exagerou ou não?
Luiz Marinho – Quero ser muito transparente nessa conversa, porque a considero importante, um divisor de águas para o futuro. Por isso é preciso ter muita consciência do que se passou na região. O que levou os Sindicatos a promover as ações no Grande ABC? A resposta correta é que foi a forma com que o capital exercia o mando, tudo em sintonia com a ditadura militar. Havia a ditadura política e também a do capital contra o trabalho.
Nenhuma empresa, por melhor que seja o relacionamento atual com o Sindicato, fez concessões porque entendeu o movimento, mas porque houve muito atrito e muita confusão. Acabaram por descobrir, no meio do caminho, que era melhor dialogar. Há empresas, uma minoria, que ainda pensam que estão na época da ditadura. Não posso negar, entretanto, que em casos isolados houve exageros. Muitas vezes o líder local da fábrica abusou, o que pode ser explicado pelo próprio contexto. O que posso garantir, sem dúvida, é que o Sindicato está muito mais amadurecido que a média do empresariado.
Um exemplo pode ser dado pelo que aconteceu na Picolli, autopeças de Ribeirão Pires. A empresa faliu, embora o Sindicato tenha feito todos os esforços ao seu alcance para mantê-la de pé, inclusive facilitando ações comerciais junto a seus clientes e também prorrogando o prazo de contribuição de mensalidades ao Sindicato. Trabalhamos para que os 180 empregos não desaparecessem. Infelizmente, o empresário não conseguiu segurar a empresa.
Havia também o peso de muitas dívidas com o governo, por causa de tributos atrasados. Mas tudo foi inútil porque o empresário, de perfil psicológico complicado, não levou a sério a luta pela resistência. Um título de R$ 48 mil levou a empresa à falência. Uma dívida perfeitamente contornável. Os trabalhadores poderiam tocar a empresa. Bastaria que o empresário pedisse para a peãozada tocar a fábrica, como aconteceu na Conforja (autopeças de Diadema). Trabalhadores e Sindicato fizeram e estão fazendo tudo para segurá-la. Em muitos casos de evasões de empresas da região, os motivos foram muitos, menos a questão sindical. Os incentivos fiscais sensibilizam o empresário. O custo do terreno na região é elevado. Mas fica mais fácil responsabilizar o sindicalismo. Transformaram o Sindicato em bode expiatório.
Há previsões quase catastróficas sobre o futuro do sindicalismo no Brasil, por força do jogo da globalização. Principalmente no Grande ABC, pressionado por investimentos constantes em tecnologia no setor mais nobre de empregos, as montadoras. O que significa a continuidade da escalada de demissões. O que parece lhe surgir no horizonte?
Luiz Marinho – Gostaria de analisar a questão do avanço tecnológico em escala mundial sob dois aspectos. Primeiro, que as grandes potências econômicas deveriam estar alertas sobre o futuro de tantos desempregados no mundo. A tecnologia é para que mesmo? Ganhos de produtividade servem para que mesmo? Queremos o equilíbrio de paz no mundo ou não? Por onde pode se dar esse equilíbrio? Poderemos ter a próxima Guerra Mundial por comida, do jeito que as coisas estão avançando. Não é possível ter tanta gente excluída do consumo, da cidadania.
O movimento sindical precisa refletir sobre isso e provocar debates nos organismos internacionais. Segundo, entendo que nos próximos anos vamos continuar tendo redução da categoria. Já tivemos mais de 200 mil metalúrgicos na região. Hoje não somos mais que 119 mil, 120 mil, entre montadoras e autopeças. Acho que ainda vamos perder mais postos de trabalho. Nossa categoria pode chegar a menos de 100 mil nos próximos anos. Mas não vai acabar. Continuará sendo uma categoria forte e referencial, mas vai diminuir mais. Não vai perder mais importância do que já perdeu. É provável que outras categorias ganhem destaque também, como os comerciários. Se bem organizada, a categoria dos comerciários vai ser forte também. Se hoje o Sindicato dos Comerciários não é representativo, isso se deve à fragilidade estrutural, de como funciona.
Acho que no futuro poderemos ter grande mudança nos Sindicatos da região. Quem sabe ter um Sindicato único para todos os trabalhadores da indústria, por exemplo? Sem diferenças dos setores envolvidos. Numa perspectiva de 10 anos, é possível que isso venha a acontecer. Sindicatos pequenos e isolados não terão futuro dentro da nova realidade, porque não reúnem recursos para oferecer à categoria a assessoria indispensável. É preciso fazer no mínimo grandes Sindicatos regionais.
A dissidência na base legal do Sindicato em Santo André, patrocinada por lideranças cujo perfil de confronto com o capital choca-se com a moderação de sua diretoria, acaba por comprometer a harmonia das relações entre Sindicato e empresas. Mais que o aspecto jurídico que envolve o caso, salta à vista a dificuldade do Sindicato oferecer um padrão de atuação uniforme. Esse racha espelha com fidelidade uma divisão da categoria como um todo, em que moderados e radicais convivem no mesmo espaço?
Luiz Marinho – Creio que não. Primeiro que essa cara de sindicalistas de confronto dos dissidentes não é exatamente correta, porque a Cofap e a TRW, por exemplo, têm preferência por eles. Eles fizeram vários acordos com essas duas empresas e receberam antecipadamente os valores referentes aos 3% de participação assistencial. Como os trabalhadores fizeram movimento para não pagar os 3%, eles resolveram tirar a tal decisão inédita de não cobrar. Foi uma atitude política, porque agora estão correndo atrás do prejuízo de ter de devolver o dinheiro para a Cofap e a TRW. Dinheiro que usaram para comprar veículos, entre outras despesas. Eles fazem greve na base de Santo André como também nós fazemos, porque de fato estamos atuando naquela região.
A diferença é que eles não analisam se a greve vai motivar conquistas ou não. Será que é hora certa de fazer greve, como no caso da Quasar (autopeças), em que boa parte dos trabalhadores decidiu continuar a produzir? Será que a greve não está prejudicando também a peãozada?
O racha não corresponde à divisão do perfil dos trabalhadores, mas à vontade mesquinha de se ter um Sindicato só para eles, independente da vontade das bases. Eles só aceitaram o processo de unificação há três anos porque não tinham outra saída diante da realidade da situação. Eles ficaram todo esse tempo atrapalhando o processo de consolidação da união. Até que resolveram partir para o rompimento. Certamente não gostaram das novas ações introduzidas em Santo André porque, entre outras irregularidades, transformavam a colônia de férias do Sindicato num gueto de uso exclusivo dos diretores e seus apaniguados. Não era espaço da categoria.
Era o uso e o abuso da máquina. Até o boteco defronte ao Sindicato sobrevivia do dinheiro do Sindicato. Todas as despesas de final de tarde eram colocadas na conta do Sindicato. Aqui também tomamos cerveja no final de tarde, mas cada um paga sua conta. Quando unificamos, os conflitos apareceram porque acabamos com essa brincadeira. Quem originariamente era da base de Santo André e não concordava com esses desvios, acabou ficando do nosso lado. Eles (os dissidentes) sabem que, se aceitarem nossa proposta de plebiscito, acabarão perdendo porque a base está com a gente.
Há marketing de valorização regional que resista, por exemplo, à repercussão do tiroteio na fábrica da Cofap, em Santo André, envolvendo correligionários das facções que disputam o ramal de Santo André do Sindicato dos Metalúrgicos? Ou mesmo à pancadaria na sede do Sindicato em Santo André?
Luiz Marinho – Se isso virar rotina, não há marketing que resista. É por isso que a todo custo e até com prejuízos temos tentado evitar confrontos. O episódio da Cofap em Santo André foi lamentável, como o da assembléia na sede do Sindicato em Santo André. Se não fizéssemos um encontro rápido, lá no Sindicato, acho que aconteceria morte. Na Cofap eles chegaram atirando. Em várias situações, em porta de fábrica, nosso pessoal se retira quando eles chegam, ou não se aproxima quando eles chegam primeiro. Diferentemente deles que, a todo momento, tentam provocar brigas. O que nos move na tentativa de resolver a situação é o apoio da peãozada que está do nosso lado. Tanto que queremos o plebiscito.
Supondo que a base de Santo André, que abrange também Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, venha a ser recomposta pelo Sindicato, só estaria faltando São Caetano para fechar o circuito. Qual é a possibilidade de isso acontecer?
Luiz Marinho – Minha esperança é que um dia aconteça a liberdade e a autonomia sindical. Isso resolveria o problema tanto em Santo André quanto em São Caetano. Como o Sindicato de São Caetano está ligado à Força Sindical, o que poderíamos ter com o fim da unicidade e com o prevalecimento da pluralidade sindical é que toda a região passasse a ser disputada indistintamente por eles e pela CUT. Seria uma disputa para ver quem tem mais associados e, consequentemente, apresentaria maior representatividade nas negociações com o empresariado. Isto é, a bancada sindical seria baseada na proporcionalidade do número de associados de cada Sindicato. É assim que funciona no Primeiro Mundo. Concorrência faz bem para o sindicalismo. Se depender da gente, além do Imposto Sindical, acabaríamos também com a unicidade sindical. Acho que assim a eficiência seria melhorada. A legislação atual estimula a fragmentação. Essa confusão em Santo André é fruto da arcaica estrutura sindical brasileira.
Total de 201 matérias | Página 1
02/12/2025 CARLOS FERREIRA E O PODER EXECUTIVO