A dinâmica numerológica do caso de assédio sexual envolvendo um político do Grande ABC não pode interditar o bom senso interpretativo. O andar da carruagem de manifestações dos conselheiros da revista LivreMercado, detectado já nos primeiros dias de votação, ultrapassa os limites puramente numéricos. Chega, sem exagero, à marca de pênalti da sensibilidade.
Argumentações férteis de conteúdo contrapõem o respiradouro da racionalidade cartesiana de numerais.
Justamente por entender que a avaliação individual em texto complementar é muito importante, estimulamos os conselheiros a irem além do “xis” em uma das duas opções, incentivando-os nesse ponto a computar mais pontos no ranking de efetividade.
Não é por outra razão, aliás, que resolvemos levar para reunião extraordinária a apreciação do resultado da votação e das avaliações individuais dos conselheiros.
A questão nuclear que se colocou à votação é o que chamamos de indivisibilidade ou não da atividade pública em relação à atividade pessoal. Entretanto, há outros pontos que, então adormecidos, afloraram nas ondas de votos comentados dos conselheiros.
São situações sobre as quais não construiremos avaliações agora porque o prazo de votação se esgota apenas na próxima segunda-feira.
São situações que serão devidamente colocadas à avaliação dos conselheiros na próxima quarta-feira e que, até porque não somos candidatos à genialidade, complementam os enunciados inicialmente expostos.
Pior seria se permanecêssemos hermeticamente fechados à interlocução virtual com os conselheiros e, mais que isso, não lhes déssemos a menor bola sobre a possibilidade de efetivar um encontro no campo da proximidade física.
Leio com atenção redobrada cada texto de conselheiros que, além da votação, seguiram a sugestão de enviar comentários. Utilizo canetas marca-textos para destacar trechos que julgo apreciáveis. Subdivido os manifestantes de acordo com a tipologia de análise. Organizo agrupamentos de argumentos similares. Enfim, faço o possível para disciplinar e ordenar os conceitos emitidos de modo a torná-los identificáveis com maior facilidade.
Algo parecido com o trabalho de uma dona de casa que, além de lavar e enxugar os utensílios domésticos depois de uma grande festa de aniversário, precisa distribuir os apetrechos entre armários, balcões e geladeiras com a objetividade e a praticidade de quem sabe que não pode perder tempo em localizá-los nos dias seguintes.
Utilizaria a democratização do processo de definição do caso de assédio sexual como salvo-conduto para sacramentar um veredicto que se sustentaria tão-somente na quantificação de votos. Entretanto, as ponderações tanto favoráveis quanto contrárias à divulgação da denúncia têm força intangível que depende estritamente da capacidade de interpretação.
