A tardia e até prova em contrário inconsistente denúncia de assédio sexual que envolve o ex-técnico da nadadora Joanna Maranhão consolida o acerto com que tenho conduzido a agenda do caso de um político do Grande ABC tratado aqui à exaustão nos últimos dias.
No caso da nadadora, o propalado crime teria ocorrido quando tinha apenas nove anos. Está agora com 21.
Há discordâncias jurídicas sobre a prescrição do suposto crime.
Para alguns especialistas que se utilizam do Código Penal, o suposto crime deveria ter sido denunciado pelos representantes legais da atleta até seis meses após eles tomarem conhecimento do fato ou seis meses após ela ter completado 18 anos.
A correlação do caso de Joanna e do político da região é importante porque marca a diferença de tratamento. O ex-treinador de Joanna, do Náutico de Recife, já virou notícia da mídia e está afastado por tempo indeterminado da escola particular onde trabalha. Dificilmente conseguirá livrar-se de condenação pública. Por onde andar estará exposto a constrangimento contido ou escancarado.
Qualquer comparação com o massacre de Sérgio Gomes da Silva no caso Celso Daniel seria um exagero, embora não desproposital. Afinal, o melhor amigo do prefeito vive em reclusão permanente, depois de reclusão de fato de nove meses. Tudo por conta de apressamento, equívocos, desvios e incorreções do Ministério Público de Santo André, conforme estamos cansados de afirmar.
No caso do assédio sexual que envolve político da região, mesmo com provas que consideramos irrefutáveis, preferimos caminho diverso. Ouvir o Conselho Editorial da revista LivreMercado foi a fórmula que encontramos inicialmente para captar a sensibilidade de cada um dos representantes da comunidade regional.
As ponderações são uma construção sinuosamente inquietante e também instigante à flexibilidade de raciocínio mesmo para quem já não esperava linhas retas e diretas que conduzissem irrebativelmente ao porto seguro da simples numerologia do placar de favoráveis e contrários à divulgação da denúncia. Tanto que em mensagens restritas aos conselheiros temos estimulado que um maior número de opiniões seja manifestada, além do “xis” específico a um dos dois enunciados.
Concordo plenamente com conselheiros de LivreMercado que gostariam de conhecer mais detalhes do caso para que possam, inclusive, posicionar-se com mais segurança. Entretanto, acredito que a essência foi passada a eles sem que corram o risco de comprar gato por lebre. Jamais nos permitiríamos o pecado da indução a um cenário revestido de artificialismo para contaminar o resultado final, seja numérico, seja argumentativo.
O noticiário do suposto assédio à nadadora brasileira prova mais uma vez o grau de irresponsabilidade da mídia em geral, porque conferiu à denúncia de Joanna Maranhão uma montanha de credibilidade que está a léguas de distância da efetiva apuração do caso.
Somente uma investigação meticulosa que reúna outras atletas sob os cuidados do treinador ao longo dos anos poderia caracterizar o delito. Uma ação policial que jamais poderia abrir mão de sigilo e discrição. Afinal, não podemos confundir realidade com reality shows.
