Política

Missão cumprida

DANIEL LIMA - 16/06/2008

A série de três rodadas da Sabatina LivreMercado, com boa parte dos principais concorrentes às prefeituras do Grande ABC, cumpriu a missão de tratar questões regionais com seriedade e comprometimento. É claro que profundidade seria impossível pelas características do projeto. Nem era essa a intenção.


A rodada final, anteontem, segunda-feira, com sete sabatinados, foi a mais dinâmica, provavelmente também porque contou com o número mais extenso de participantes. As rodadas anteriores tiveram cinco e três concorrentes, respectivamente.


Quem compareceu ao Auditório do Centro Empresarial Pereira Barreto pôde acompanhar uma multiplicidade de informações que não se ouve nem se lê na mídia, porque a mídia regional, assemelhadamente à mídia nacional, só se preocupa com o factual, quando não com o corriqueiro, geralmente com o banal, quando não com o trivial, geralmente com o precário.


Nesse ponto, convém uma ressalva que atenua a situação regional: o Diário do Grande ABC vem apresentando pausadamente uma série de matérias com os prefeituráveis, abordando-os nos mais distintos assuntos. Questões esportivas e culturais já saltaram para as páginas. Prefiro não emitir juízo de valor público sobre a qualidade do material publicado, por força da relação contratual com aquela empresa, como consultor de conteúdo.


Tive de recorrer à supressão de perguntas engatilhadas no planejamento para a terceira rodada da Sabatina LivreMercado porque cumpri rigorosamente o tempo regulamentar de duas horas de evento, compatibilizando-o com o conjunto dos competidores. Muitas outras perguntas nem foram previamente organizadas dada a impossibilidade de adequá-las à temporalidade proposta.


O que quero dizer com isso é que temáticas não faltam para diariamente, se preciso, e é preciso, reorganizar a pauta dos concorrentes aos cargos de Executivos. As enjoativas quando não improdutivas narrativas de peregrinações dos concorrentes às prefeituras do Grande ABC, que leio diariamente nos jornais impressos e virtuais, são uma forma bem acabada de acomodação da pauta, quando não da pobreza intelectual de quem está nas redações.


O que deveria ser apenas acessório, para transmitir a dinâmica da campanha, virou peça principal e única. Ou seja: a atividade diária e repetitiva dos concorrentes deveria ser apenas complemento de reportagem, não a essência.


A mídia paulistana tão próxima e aclamada gataborralheirescamente atua da mesma forma.


Nesta quarta-feira o conteúdo em áudio da terceira rodada estará disponível no site de LivreMercado (www.livremercado.com.br).


Será oportunidade de ouro para os leitores aferirem o nível das exposições. O embate particularíssimo entre os dois principais concorrentes à Prefeitura de São Bernardo, Luiz Marinho e Orlando Morando, foi seguramente um espetáculo à parte.


As estocadas com classe e tirocínio só não centralizaram as atenções e monopolizaram o interesse dos convidados porque os demais sabatinados demonstraram que, mesmo sem manobras idiossincrasias próprias de período eleitoral, souberam destrinchar as demandas conceituais às quais foram exigidos.


A pobreza intelectual, informativa e mesmo sociológica que os jornais, as emissoras de rádio e de televisão, e também a Internet, destilam da classe política, mesmo fora de períodos eleitorais, me faz lembrar o comportamento quase uniforme de raquitismo da maioria dos profissionais de coberturas esportivas.


Vive-se um período em que a mediocridade impera a tal ponto que não causa nenhuma menção reformista.


É claro que há exceções à regra que, aliás, só confirmam a regra. Mas é muito pouco diante do que a sociedade mais calibradamente instigante recomenda.


Há cronistas esportivos que se afogam nas águas da espetacularização, sempre em busca do estrelato vadio. Utilizam-se para tanto de melancias de intolerância, de discriminação, de ofensas e de outras baixarias. O vale-tudo de garantir audiência prevalece.


Esses supostos profissionais de comunicação tratam ouvintes, leitores e telespectadores como bandos de imbecis e, com isso, ajudam e muito a fermentar rivalidades extremas que, paradoxalmente, tanto condenam nas torcidas organizadas que, como se sabe, são puro reflexo de uma sociedade em decomposição cultural, moral e ética.


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