Neste período eleitoral, quando a adrenalina dos candidatos está a mil, não faltam feras soltas, ferozes, vorazes, detratoras, para disseminar infâmias.
Há gente despreparada para assimilar pesquisas eleitorais. O que seria então se fossem ou forem esses concorrentes alçados ao posto maior do Executivo?
O que um ou outro candidato irresponsável na epilepsia vernacular diz aqui ou ali em tom de desabafo incontido e imoral não pode ser entendido como algo flexível destes tempos de votos, tempos supostamente em que tudo é permitido, até que um juiz eleitoral considere o contrário.
Especialmente a um concorrente em Santo André, impetuoso como poucos, língua solta à altura da mente ensandecida na busca por votos, não fica bem atribuir a terceiros o que lhe seria prática habitual.
Embora esse candidato não possa mesmo acreditar em sinceridade, porque transmite a sensação de que faz tudo programadamente com base em reciprocidade nem sempre tratada, nem sempre supostamente aceitável, é preciso que ele saiba que ainda há gente séria neste planeta e que, exatamente por isso e por ter um mínimo de experiência no campo jornalístico, mais de 40 anos depois de iniciar-se na atividade, não se sujeitará a pressões.
Não foi por obra do acaso que escrevi “Na Cova dos Leões”, compêndio do período em que atuei como diretor de Redação do Diário do Grande ABC, exatamente um pouco antes das eleições de 2004, até abril do ano seguinte.
O candidato trapalhão que consegue jogar na cesta do lixo da idiossincrasia tola a vocação de recolher votos, como se sofresse do mito de Sísifo, precisa compreender que relacionamentos pessoais e profissionais não podem e não devem se subordinar a constrangimento. E muito menos criar fantasia, falsos diálogos, interpretações caolhas, de abordagens respeitosas e sinceras.
O comportamento típico de detrator, de fomentar intrigas ao sabor de turbulências da própria mente, não é digno de respeito. Ainda mais quando envolve interlocutor que todos conhecem pecar não pelo sofisma, muitas vezes uma armadura providencial nestes tempos do politicamente correto, mas pela transparência absoluta, uma aberração para quem vive numa sociedade do salve-se quem puder.
O candidato em questão sabe que tem tudo para perder a disputa eleitoral deste ano, porque a situação vista sob o ângulo a que me dediquei ainda outro dia (leia Prova dos Nove) não lhe é nada confortável.
O problema é que ele provavelmente vai perder muito mais, a continuar na trajetória de desequilíbrio emocional e de enfileiramento de vítimas de ilações descabidas.
As duas damas de paus que esse candidato em questão teve a desfaçatez de sugerir defesa outro dia estão no mercado prontas para novas companhias. Seria um trio irresistível.
