Vanderlei Siraque, Luiz Marinho e Oswaldo Dias vão ser eleitos novos prefeitos no Grande ABC em segundo turno nas eleições municipais deste domingo, 26 de outubro. A conclusão se baseia em pesquisas realizadas entre quarta-feira e sábado da semana passada pelo Instituto Brasmarket (contratado por LivreMercado), Ibope (contratado pelo Diário do Grande ABC) e Instituto Scenso (com números divulgados pelo Repórter Diário).
Numericamente há variações entre os três estudos, mas todos convergem para o mesmo sentido: abençoados, entre outros fatores, pelo prestígio e pelo apoio do presidente Lula da Silva, os petistas contam com vantagem suficiente para justificar o rótulo de favoritíssimos.
Em Santo André, a maior vantagem (22,6 pontos percentuais) apontada é do Instituto Scenso: Vanderlei Siraque está com 61,3% dos votos válidos, contra 38,7% de Aidan Ravin. O Ibope anunciou números em extremo oposto ao do Scenso: o candidato petista soma 54% e Aidan Ravin aparece com 46% – ou oito pontos à frente. A Brasmarket flutuou entre os dois institutos, com 58,3% a 41,7% para Vanderlei Siraque – ou 16,6 pontos percentuais de diferença. A margem de erro do Scenso é de 4,4 pontos percentuais, da Brasmarket de 4,0 e do Ibope de 4,0.
Em São Bernardo, quem apontou maior vantagem (37,8 pontos percentuais) de Luiz Marinho contra Orlando Morando foi o Instituto Scenso: 68,9% a 31,1% dos votos válidos. O Ibope registrou a menor diferença (20 pontos percentuais), de 60% a 40% para o petista. A Brasmarket ficou nos 68,4% a 31,6% — ou 36,8 pontos percentuais. As margens de erro são as mesmas da pesquisa em Santo André, exceção à Brasmarket, de 3,5 pontos percentuais.
Completando a rodada do segundo turno no Grande ABC, em Mauá os números foram mais próximos entre os três institutos. Pelo Scenso, Oswaldo Dias superou Chiquinho do Zaíra por 58,1% a 41,9% (diferença de 16,2 pontos percentuais), enquanto o Ibope registrava 61% a 39% (22 pontos percentuais) e a Brasmarket 57,8% a 42,2% – 15,6 pontos percentuais de vantagem para Oswaldo Dias. As margens de erro são as mesmas de Santo André.
Desde a primeira rodada de pesquisas do Instituto Brasmarket, publicada na edição de agosto, LivreMercado adota a massa relativa de votos para definir posicionamento dos concorrentes. Isto quer dizer que deixa em segundo plano interpretação baseada em margem de erro. Margem de erro é vetor cientificamente importante, como procuram provar e comprovar os institutos de pesquisa, mas não deve condicionar a objetividade da informação jornalística sempre que se apresentarem números sustentados que distanciam os concorrentes.
No caso específico das três pesquisas sobre as quais se baseou para preparar esta análise, LivreMercado coloca em primeiro plano a confiabilidade no Instituto Brasmarket, com o qual estabeleceu contrato de prestação de serviços. A empresa paulistana tem experiência de 30 anos e há quatro anos foi contratada pelo Diário do Grande ABC nas eleições municipais. O índice de acertos foi expressivo – tanto quanto nas pesquisas deste ano para LivreMercado (veja matéria nesta edição). Ao lançar mão de pesquisas de outros institutos nesta edição, LivreMercado parte do princípio ético de que os leitores merecem ter informações amplificadas. Tanto no caso do Ibope quanto do Scenso os estudos foram divulgados e colocados à disposição do público, como determina a Justiça Eleitoral.
Das três pesquisas analisadas, apenas em Santo André, segundo interpretação do Ibope, a disputa estaria tecnicamente empatada a menos de 10 dias da eleição. Se a tese tem base científica, também o reverso deve ser considerado e determina levar-se em conta o que seria contraponto ao critério de margem de erro utilizado pelo Ibope: em oposição à retirada de quatro pontos percentuais de Vanderlei Siraque (de 54% para 50%) e de se acrescentar quatro pontos no desempenho do petebista Aidan Ravin (de 46% para 50%), a operação seria o acréscimo de quatro pontos para Siraque (de 54% para 58%) e a consequente quebra de quatro pontos de Aidan Ravin (de 46% para 42%).
LivreMercado optou por descartar qualquer uma das manobras bruscas de interpretação dos números do Ibope em Santo André, como em situações análogas envolvendo candidatos de outros municípios. A publicação entende que, caso contrário, romperia com uma política editorial que jamais alargou em tamanha dimensão o conceito de margem de erro.
Mais que isso: LivreMercado entende que o Ibope, que errou feio na disputa do primeiro turno no Rio de Janeiro e em São Paulo, utiliza-se da elasticidade técnica da margem de erro por excesso de cautela. É espécie de seguro contra eventuais desvios estatísticos para cima, ou para baixo. Uma medida correta do ponto de vista metodológico mas que a mídia geralmente exclui do centro vital de análises quando a diferença é expressiva.
Dessa forma, da mesma maneira que tecnicamente o Ibope confere empate técnico em Santo André, poderia divulgar também que a diferença se alargaria a 16 pontos com operação igualmente simples mas inversa e metodologicamente válida. Tanto a medida de aproximação quanto de distanciamento maior entre os dois concorrentes não traduziriam, de fato, o ambiente político-eleitoral em Santo André.
Também no contingente de eleitores que constam do agrupamento de voto descartável as três pesquisas caminham próximas. Em Santo André, 15,8% dos eleitores ouvidos pelo Scenso, 17% pelo Ibope e 13,3% pela Brasmarket disseram que não votarão em nenhum dos candidatos, não decidiram em quem votar ou vão anular o voto. Em São Bernardo são 15,6% os fora da eleição ouvidos pelo Scenso, 15% pelo Ibope e 18,6% pela Brasmarket. Em Mauá, respectivamente 15,6%, 15% e 14%. No primeiro turno, 32% dos eleitores de Santo André ficaram à margem dos votos válidos por conta de votos nulos, em branco e abstenções. Em São Bernardo foram 25% e em Mauá, 21%. Se seguir a trilha das três pesquisas, os índices serão reduzidos em 26 de outubro.
O Instituto Brasmarket ouviu 625 eleitores em Santo André entre os dias 17 e 18 (sexta-feira e sábado passados), com margem de erro de 4,0 pontos percentuais. A maioria dos entrevistados (45% dos votos nominais) votou em Vanderlei Siraque no primeiro turno, outros 25,9% em Aidan Ravin, 9,4% em Raimundo Salles, 5% em Newton Brandão e 2,1% em Ricardo Alvarez. Um total de 12,7% teria votado em branco, nulo ou se absteve. Esses números devem ser avaliados com certa reserva. Afinal, nem sempre o eleitor entrevistado admite ter votado em candidato que não passou para o segundo turno.
A margem de manobra para os eleitores que já manifestaram em quem vão votar é estreita em Santo André: 82,2% disseram que estão absolutamente certos da decisão e outros 2,6% estão praticamente certos. A possibilidade razoável de mudança envolve apenas 2,9% dos eleitores, contra 0,6% que admite ampla possibilidade de mudar de idéia. Completando o quadro, 11,7% não souberam responder.
O Instituto Brasmarket ouviu 844 eleitores em São Bernardo, com margem de erro de 3,5 pontos percentuais. Como em Santo André, o candidato petista também liderou a preferência dos eleitores que revelaram o voto no primeiro turno: 47% dos votos nominais foram endereçados a Luiz Marinho, contra 26,2% a Orlando Morando, 11,4% a Alex Manente, 1,2% a Aldo Santos e 0,8% a Evandro de Lima. O nível de convicção do voto para o segundo turno no quesito “absolutamente certo” é um pouco inferior ao de Santo André, com 80,6%. Já o voto “praticamente certo” é de 3,4%. Entre os eleitores que afirmaram convicção de voto “razoável com possibilidade de mudança” (1,8%) e que admitiram “ampla possibilidade de mudança” (2,6%) sobrou a soma de 4,4%. Outros 11,6% não souberam se posicionar.
A margem de erro da Brasmarket em Mauá é de 4%, por conta de 613 entrevistas. Oswaldo Dias obteve a maior votação no primeiro turno entre os entrevistados – 42,3%, contra 30,3% de Chiquinho do Zaíra. Apenas 15,2% disseram ter votado em Diniz Lopes e 2,6% em Mateus Prado. Os restantes 9,6% votaram em branco, anularam ou não compareceram às urnas. A solidez de certeza do candidato escolhido no segundo turno em Mauá é semelhante à de Santo André e de São Bernardo: 81,4% estão entre os absolutamente certos, 1,3% praticamente certo, 4,7% com razoável possibilidade de mudança e 0,5% com ampla possibilidade de mudança. Outros 12,1% não souberam responder.
Também a pesquisa da Brasmarket apontou uma das razões de os petistas liderarem as pesquisas. Tanto em Santo André quanto em São Bernardo como em Mauá, os maiores colégios eleitorais, sempre na periferia, apontam resultados mais satisfatórios a Vanderlei Siraque, Luiz Marinho e Oswaldo Dias.
Em Santo André, os Bairros Camilópolis/Vila Metalúrgica (68,9% a 31,1% dos votos válidos), Parque Capuava/Parque João Ramalho (67,9% a 32,1% dos votos válidos) e Vila Humaitá (55,1% a 44,9%) oferecem vantagens consideráveis a Siraque. Esses locais representam 26,7% do eleitorado municipal. Um pouco menos que os 29,8% dos bairros mais representativos em votos em São Bernardo: 14,8% estão no Montanhão (onde Marinho lidera por 53,7% a 46,3%), 8,6% estão no Alvarenga (Marinho vence por 72,7% a 27,3%) e 6,4% no Bairro dos Casas (Marinho está na frente com 72,3% a 27,7%). Em Mauá, 42,7% dos eleitores estão no Jardim Anchieta/Jardim Primavera (vitória de Oswaldo Dias por 51,6% a 48,4%), na Vila Lígia/Jardim Zaíra (Oswaldo Dias lidera com 54,8% a 45,2%) e na Vila Nova Mauá/Jardim Oratório (vitória de Oswaldo Dias por 69,9% a 30,1%).
Um dos pontos de voto conservador de Santo André é formado pelo Bairro Campestre e Vila Guiomar, no total de 7,0% do eleitorado. Um bom teste para Vanderlei Siraque que, como outros petistas, sempre teve dificuldade de alcançar votação satisfatória para vereador e deputado estadual. Na pesquisa da Brasmarket, Siraque conta com 54,1% contra 45,9% de Aidan Ravin. Das 18 zonas em que é dividido o território eleitoral de Santo André, Vanderlei Siraque só é derrotado por Aidan Ravin em duas: Vila Floresta/Vila Valparaíso (27,3% a 72,7%) e Vila Assunção/Vila Alzira (48,1% a 51,9%). Em sete localidades o candidato petista ultrapassa 60% dos votos válidos.
Em São Bernardo, um dos pontos mais sólidos do voto conservador é Rudge Ramos e, surpreendentemente, Luiz Marinho lidera na pesquisa da Brasmarket por 73,3% a 26,7%. Ali estão 4,9% do total de votos de São Bernardo. Das 24 zonas eleitorais, Luiz Marinho só está em desvantagem no Bairro Independência (44,4% a 55,6%).
Já em Mauá, Oswaldo Dias é derrotado por Chiquinho do Zaíra em apenas três das 14 zonas eleitorais – Bairro da Matriz (40% a 60%), Vila João Ramalho (47,1% a 52,9%) e Vila Real (44,4% a 55,6%).
A sinalização de que o PT apresenta nos três municípios do Grande ABC desempenho mais favorável do que em eleições passadas quando se trata do topo da renda familiar está evidenciada na pesquisa Brasmarket. Os números são mais expressivos no caso de Vanderlei Siraque: 66,7% das famílias que têm rendimento superior a 20 salários mínimos preferiram o petista no confronto com o petebista Aidan Ravin. No caso de São Bernardo, Luiz Marinho conseguiu percentual um pouco inferior, de 62,9%. Já Oswaldo Dias repetiu em Mauá o índice de Vanderlei Siraque. Os três petistas vencem em todas as faixas de renda, menos Vanderlei Siraque, que perde para Aidan Ravin entre as famílias de três a 10 salários mínimos.
Vanderlei Siraque é o petista que tem o menor grau de votos de eleitores com Ensino Superior completo ou incompleto: 40,4% contra 59,6% de Aidan Ravin. Uma situação diferente da de Luiz Marinho, que conta com o apoio de 70% desse estrato social no confronto com Orlando Morando e de Oswaldo Dias, com 74,2% diante de Chiquinho do Zaíra.
