Entrevista Especial

Logística é
ponto decisivo

DANIEL LIMA - 29/09/2009

Se tivesse apenas uma bala, uma bala de prata, o engenheiro Nelson Tadeu Pereira, ex-executivo de ponta da Rhodia e primeiro secretário de Desenvolvimento Econômico na história do Grande ABC, não teria dúvida: apontaria em direção ao desatamento do nó logístico. “Quanto custa um caminhão parado horas e horas no trânsito caótico?” pergunta o homem que o prefeito Celso Daniel convocou para ocupar uma secretaria no início do segundo mandato, em janeiro de 1997. Doze anos depois, Nelson Tadeu Pereira tem mais queixas do que satisfação. A institucionalidade do Grande ABC não o agrada por conta das fragilidades do Clube dos Prefeitos e da Agência de Desenvolvimento Econômico.


CapitalSocial – Como o senhor observa o panorama econômico da região 12 anos depois de, chamado por Celso Daniel, tornar-se o primeiro secretário de Desenvolvimento Econômico da história do Grande ABC? Como região, estamos melhores ou piores do que antes, quando confrontados com o quadro nacional e internacional?


Nelson Tadeu Pereira — Vejo alguns sinais de sobrevida para a região, mas continuamos muito focados na indústria automobilística e na petroquímica. Estrategicamente, o Pólo Petroquímico é muito importante para a região. Ninguém o coloca num caminhão e o reinstala em outro local. Não devemos esquecer também a importância das indústrias de pneumáticos para Santo André, uma das maiores arrecadadoras de impostos mas dependentes também do setor automotivo.


Na atividade automobilística foi mantido o aquecimento do mercado graças à redução de IPI. Isso mostra que a carga tributaria é um exagero. Um simples suspiro fez com que recordes de produção fossem batidos para veículos leves; mas no caso de caminhões algumas empresas dependentes de exportação foram fortemente afetadas.


Agência de Desenvolvimento Econômico e Consórcio de Prefeitos lançaram no passado uma idéia muito interessante de renovação da frota de caminhões (sucateando os veículos com mais de 15 anos e financiando em longo prazo a aquisição de novos), proposta pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Caso colocada em prática agora, faria com que o mesmo se repita em termos de aquecimento para a indústria de caminhões. Em época eleitoral seria uma boa pedida.


Mas a crise fez com que houvesse novamente redução de efetivos. Na petroquímica, que não é geradora de empregos diretos, aconteceram investimentos importantes para aumento de produção e de arrecadação em Santo André e Mauá. Pasmem: quando participei do governo municipal uma lei estadual proibia o aumento de produção do Pólo Petroquímico de Capuava. Felizmente, por ação coordenada regional, conseguiu-se derrubar a lei. Mostrou-se que ação conjunta do Poder Público e iniciativa privada traz bons resultados. Ótimo que aconteceram investimentos para ampliação da produção. Ficará muito mais difícil as empresas saírem do Grande ABC. Quanto à indústria automobilística, não digo que seja fácil desmontar e montar em outro local. Basta lembrar o filme de Michael Moore “Tiros em Columbine”, que trata do fechamento de uma fabrica da GM e suas consequências. Pensar num cenário daquele não é nada utópico. Além disso, algumas indústrias que fornecem para montadoras saíram daqui e foram para o Interior. Lembro de algumas que estão na região de Campinas.


CapitalSocial — O senhor também entende que o Grande ABC sofre da doença holandesa, que, no caso, é a excessiva dependência do setor automotivo e, consequentemente, das contaminações que isso provoca?


Nelson Tadeu Pereira — Concordo plenamente. Uma das regras básicas em qualquer ramo de negócio ou até mesmo para investimento é não colocar todos os ovos numa só cesta. Certamente isso também vale para cidades. A dependência do Grande ABC é exageradamente grande do setor automotivo. Imaginem São Caetano sem a GM. Nunca presenciei uma multinacional quebrar no país de origem e as filiais não sofrerem problema de continuidade. Normalmente o que se faz é vender ativos ou negociar empresas locais para salvar a empresa no país de origem. Felizmente no Brasil o desempenho das indústrias com a redução de IPI está muito bom.


A indústria automobilística está passando por processo de reformulação em todo o mundo e isso impactará aqui no Brasil, sem contar a entrada de indianos e chineses no mercado. Não muito longe, podemos lembrar da chegada dos russos, a quantidade de carros que venderam e depois se retiraram. Não acrescentaram nada. Apenas mostraram que existe grande potencial para a venda de veículos a preços populares; ou seja, com carga tributaria menor.


CapitalSocial — Quando o senhor era executivo da Rhodia, teve a iniciativa de adotar um programa que priorizava a compra de suprimentos de fornecedores sediados no Grande ABC. Houve aperfeiçoamento daquele projeto ou a situação evidenciou-se tão emblemática de melhoria contínua do relacionamento com um número mais enxuto de empresas que tornou automática a adoção da medida por parte de um universo muito maior de indústrias?


Nelson Tadeu Pereira — Muitas pessoas ainda se lembram do “Santo André 1ª Opção” e perguntam por que não houve continuidade. A resposta é simples: porque saí da empresa. O mercado passou a pensar em leilão reverso e outros modismos de compra que não privilegiam a economia local e nem o processo mais eficaz de compra. Lembro que, além da Rhodia, a Firestone também aderiu ao processo, mas sei que não houve continuidade em nenhuma das duas empresas. É uma ação tão simples e de bom senso que até fica difícil acreditar por que as empresas não o praticam.


Com o leilão reverso e a abertura de concorrência ficou mais importante ainda se preocupar com o endereço do fornecedor ou se depois de negociado pelo menor preço o fornecedor terá condições financeiras de continuar atendendo. Quantas empresas já não quebraram por entrar num mercado de canibalismo provocado pelas grandes empresas?


Com o trânsito caótico, a proximidade do fornecedor e o pronto atendimento são determinantes à escolha de parceiros. Será que essa nova forma de negociar está sendo eficaz? Temos exemplos de que licitação não é boa maneira de comprar. Isso é feito há anos pelo Poder Público. Se fosse bom, não haveria tantos escândalos. Quem questiona que contar com apenas um fornecedor é arriscado não conhece o processo de melhoria contínua e de controle de parceria. As facilidades de acordos de parcerias são tantas que o preço não é único fator determinante de escolha.


CapitalSocial — Qual é a sua posição quanto à abertura do que chamamos de Clube dos Prefeitos, que passaria a contar com representantes da sociedade? O senhor defende um Conselho Consultivo ou um Conselho Deliberativo formado por gente da academia, das empresas, dos sindicatos? Ou não mexeria no atual organograma do Clube dos Prefeitos?


Nelson Tadeu Pereira – Não mexeria e nem pensaria no Clube dos Prefeitos, por ser utópico. Reforçaria a Agência de Desenvolvimento Econômico. Quando participei do Consórcio Intermunicipal havia até dificuldade para deputados e vereadores. Imaginem abrir à participação da sociedade civil. Precisamos de estruturas em que os atores não mudem de quatro em quatro anos para alcançar continuidade administrativa gerenciada por executivo indicado e contratado pela sociedade civil. Que esse executivo seja cobrado por resultados de planejamento de longo prazo produzido por componentes da Agência.


Os temas discutidos no Consórcio são específicos de problemas comuns às cidades. O ideal é que a discussão fosse ampliada com os bairros limítrofes de São Paulo. Os prefeitos precisam discutir os problemas da Região Metropolitana comuns a todos — casos de transporte, segurança, saúde (se uma cidade está mais bem equipada acaba atendendo doentes de outro Município), entre outros casos. Defendo um Conselho Consultivo com processo de representação que não incorra nos mesmos erros do passado no Fórum de Cidadania. Conselho Deliberativo é inviável devido à estrutura de aprovação de projetos de leis junto às Câmaras Municipais.


Relembrando: o que aconteceu quando propusemos uma lei de incentivo comum às sete cidades para atrair empresas para a região? São Caetano saiu na frente e baixou o ISS para informática, São Bernardo fez o mesmo para Call Centers. Por mais que tentasse convencer o prefeito Celso Daniel, por princípio ele não queria entrar na guerra fiscal. Com isso, perdemos algumas empresas que estão em São Bernardo e São Caetano. Além da guerra fiscal externa, veio a guerra entre as cidades do Grande ABC. Era informado por empresários que a Prefeitura de Mauá estava oferecendo vantagens para que saíssem de Santo André.


Defendi que, antes de atrairmos empresas, deveríamos tratar corretamente as que aqui estavam instaladas. No começo de governo, visitamos a Cofap. O presidente Abraham Kasinski nos disse que, pela primeira vez depois de 30 anos, estava recebendo a visita do prefeito da cidade. O Grande ABC está pagando o preço do descaso de administrações passadas com as empresas aqui instaladas. Quando comecei a visitá-las, a primeira pergunta era: o que a Prefeitura quer? Estava visitando para conhecer os problemas. Poderíamos ajudá-las. Cheguei a ser recebido em pé num horário que normalmente o empresário acha que funcionário público não acorda.


Fica muito difícil falar de ações regionais. Os prefeitos são cobrados por ações locais. O próprio Celso Daniel foi muito criticado por pensar o regional, e eu também. Nos dois primeiros anos de gestão nos dedicamos às ações regionais com a implantação da Agência de Desenvolvimento Econômico e a rediscussão e implantação de comissões para assuntos regionais no Consórcio de Prefeitos.


CapitalSocial — Há muita controvérsia sobre a ação do movimento sindical no Grande ABC. Afinal, para o senhor, o que representou de positivo e de negativo o chamado novo sindicalismo, que nasceu com o então operário Lula da Silva?


Nelson Tadeu Pereira – Comecei e terminei minha carreira na Rhodia em Santo André, depois de passagem de 10 anos pelo escritório central em São Paulo. Tenho experiência interessante. Ao ser promovido para assumir um cargo de chefia de departamento em uma das fábricas que pertenciam ao site de Santo André, fui chamado pelo então superintendente (Dr. Romano, um francês) para que nos conhecêssemos. A única pergunta que ele me fez foi se teríamos greve na fábrica. Prontamente respondi que não haveria greve. Afinal, conversava com todos os operários. Qual não foi minha surpresa, no dia seguinte toda a fábrica estava em greve. A que chefiava foi a ultima a parar, mas parou. Nesse dia, comecei a conhecer a força do sindicato e a saber respeitá-lo.


Acompanhava a situação dos meus colegas da Rhodia Química, que tinham greve após greve. As atividades começaram a ser transferidas para São Paulo e cidades do Interior. A começar pela diretoria, depois o Centro de Processamento de Dados, a Farmacêutica. Assim foi indo até um grande esvaziamento daquele site. Os sindicatos provocaram muitos estragos naquela época na região, mas também trouxeram ganhos expressivos e justos para quem ficou. O sindicato de hoje é completamente diferente do passado, assim como os empresários. Poucas coisas restam para negociação como, por exemplo, aumento real e PLR. As demais conquistas a maioria já implantou.


Faço um alerta aos sindicatos para que encontrem uma maneira de tratar os desiguais de maneira diferente. Fui um pequeno empresário e sei das dificuldades para cumprir o que as grandes empresas conseguem a seus funcionários. O pequeno empresário é o maior gerador de empregos. Para cumprir as exigências legais torna-se verdadeiro herói.


CapitalSocial — O trecho sul do Rodoanel está chegando e o Grande ABC não foi capaz de planejar-se economicamente para extrair o máximo de vantagens do traçado, um achado logístico importantíssimo. O senhor acredita que ganharemos apenas mais fortemente em aspectos ligados à mobilidade urbana ou tem esperança de que seremos capazes de alterar o fluxo de investimentos produtivos que se deslocaram flagrantemente a outras regiões do Estado, sobretudo para a Grande São Paulo expandida?


Nelson Tadeu Pereira – As administrações locais não estão preparadas para receber o Rodoanel e seus impactos. Que grande obra tivemos nos últimos anos no sistema viário do Grande ABC? O trânsito já está um verdadeiro caos. Certamente o Poder Público já está pensando no sistema de rodízio de veículos, como existe em São Paulo. Tão decantado e valorizado, o trecho sul do Rodoanel pode ser um tiro no pé. Empresas instaladas aqui poderão mudar para locais onde o preço do terreno é bem mais barato e o custo de mão de obra e encargos são bem menores. Nesses locais os funcionários podem ir almoçar em casa, na área de saúde utilizam-se de Santa Casa, o transporte é de bicicleta, entre outras facilidades.


Várias prefeituras do Interior disponibilizam infraestrutura para empresas se instalarem, fora incentivos fiscais e facilidades burocráticas para abrir uma empresa. Campinas e cidades da região certamente são as que mais ganharão com o Rodoanel. Já contam com Viracopos, projeto do trem bala, boas estradas, mão de obra qualificada, varias universidades, entre outras vantagens.


Outra região que deve aproveitar o Rodoanel é o Vale do Paraíba, com espaço físico disponível e preços de terrenos menores do que aqui, além de mão de obra qualificada. Uma pergunta que coloco: será que Anchieta e Imigrantes vão suportar o fluxo de caminhões de maior porte que o Rodoanel vai trazer?


CapitalSocial — O senhor ainda acredita na possibilidade de as entidades empresariais do Grande ABC darem as mãos em programas que possam alterar os rumos da economia? Não seria fácil resolver os problemas territoriais, naturais das entidades, com planos estratégicos em comum, sempre com atuação em pontos vitais de uma pauta que extrapole o âmbito municipal? Ou seja: contra o municipalismo representativo, nada melhor do que o regionalismo de uma agenda que não mexesse numa palha sequer da estrutura individual de cada entidade?


Nelson Tadeu Pereira – As entidades locais deveriam ser defensoras de planejamento regional, incluindo bairros limítrofes com São Paulo e ter participação ativa na Agência de Desenvolvimento Econômico. A Agência precisa ter fundo de recursos financeiros gerenciado por um administrador profissional com especialização regional (como já existe em outros países) e, através de um conselho deliberativo, implantar ações por ele emanadas. Agência sem dinheiro não pode decidir nada, apenas influenciar e dar sugestões ou fazer pressão política. Como no nosso caso o diretor da Agência é um prefeito, até pressão política fica difícil fazer.


Enquanto se confundir Consórcio e Agência e o executivo for nomeado por um prefeito, não vejo resultados em curto prazo. A Agência precisa de continuidade administrativa, não de política. A Agência de Sesto San Giovani, na Itália, é administrada por empresários. O prefeito dá o aval ou não para o que é decidido. O papel do prefeito é de ajudar nas questões políticas.


Já tivemos cinco prefeituras do mesmo partido e nem assim conseguimos consenso. Imaginem com a composição atual. Agência é um instrumento de planejamento e de ações de longo prazo. Que as administrações locais ajudem na implantação e nas ações políticas junto à Federação e ao Estado. Como podemos ter no Grande ABC uma São Caetano com IDH de Primeiro Mundo e outras cidades nos últimos lugares e não discutir ações regionais?


CapitalSocial — O que ficou do fato de ter sido o primeiro secretário de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, em 1997, no governo recém-iniciado de Celso Daniel? Qual a diferença que encontrou entre uma corporação privada e o setor público? E o saldo final?


Nelson Tadeu Pereira – Comecei como um estranho no ninho. Colegas do PT me olhavam com desconfiança por ser ex-executivo de multinacional. Meus amigos me olhavam como se tivesse virado a casaca e fosse petista, radical de esquerda. No clube de serviço de que ainda participo, acho que tenho companheiros (é assim que nos tratamos no clube, igual o PT e sindicatos) que pensam que sou petista. Já presenciei novos discursos de petistas que agora tratam a platéia como meus amigos e minhas amigas. Vai entender.


Foi uma experiência de vida muito interessante ver que boa parte do muito que acontece em nossas vidas é problema de comunicação. Várias vezes me senti como tradutor. Os objetivos eram os mesmos, mas a linguagem e a forma de abordar os temas originavam controvérsia. Muito de idéia pré-concebida quanto ao papel do interlocutor. Já se ia com um pé atrás.


Aprendi muito com meus colegas de Prefeitura. Conheci competências mal aproveitadas. A imagem do funcionário público é muitas vezes distorcida por poucos que se comportam de maneira inadequada. As grandes organizações privadas são muito parecidas com as estruturas públicas. Projetos são disputados, há concorrência entre colegas, disputa de status e de promoção e de quem mais se aproxima do poder. Vamos à grande diferença: o que falta no Poder Público é continuidade administrativa. Se quem assume o poder já não tiver um plano de trabalho preparado para os primeiros dias, a executar reformas e por em pratica, dificilmente conseguirá governar. Se não tiver maioria na Câmara, então é impossível. Perde-se muito tempo na área pública para colocar a máquina para girar. Numa empresa que visa lucro, seria mortal. Outro fator muito negativo na área pública é considerar que tudo que o governo anterior fez é ruim.


No governo de que participei, chegamos a discutir a possibilidade de ter alguns funcionários treinados em varias áreas e que, com qualquer mudança, seriam pilares do conhecimento da máquina pública. Infelizmente, essa idéia não avançou. Nas grandes empresas as mudanças de comando acontecem com mais frequência, mas a base de sustentação continua.


O saldo final é saber que existem soluções para o Poder Público se tornar eficaz como qualquer empresa que vise resultados. Muitas reformas precisam ser feitas e muita gente sabe o que tem que ser feito, mas é preciso coragem e determinação. Temos bons exemplos, casos do Poupatempo, do atendimento ao munícipe em Santo André e acessos à internet para obtenção de documentos.


Quando na Administração de Celso Daniel, sonhei com um Poupatempo para o empresário. A idéia seria colocar todas as áreas envolvidas num mesmo local. Com isso, o empreendedor não precisaria ficar de balcão em balcão na busca de informações. Fizermos levantamento da documentação para abrir uma empresa. As obrigações legais são de chorar, mas não fica apenas aí. Para fechar uma empresa é pior ainda.


CapitalSocial — Se o senhor tivesse apenas uma bala, uma bala de prata, para dar ao Grande ABC o impulso indispensável no setor econômico, o que faria?


Nelson Tadeu Pereira – Com uma bala só, poderia falar em saúde, educação e segurança, mas deixo isso para os políticos, experts em promessas, e atiraria na infraestrutura. Atiraria na mobilidade urbana. O que as empresas precisam é que os acessos sejam facilitados. A logística é um dos pontos primordiais de atendimento ao cliente e grande vetor de redução de custos.


Quanto custa um caminhão parado horas e horas no trânsito caótico? Qual o custo de parar uma linha de produção porque o material não foi entregue? Quantas horas o trabalhador fica parado no trânsito para chegar ao trabalho e voltar para casa? Quanto se gasta de combustível com congestionamentos, sem falar da poluição? A minha bala seria nessa direção.


CapitalSocial — Que perspectiva o senhor traça para o Grande ABC quando chegar o ano 2020? Seremos melhores ou estaremos em dívida em relação ao presente?


Nelson Tadeu Pereira – Lembro que fizemos na Rhodia e depois na Prefeitura de Santo André planejamento de longo prazo, para o ano 2020, que, por coincidência, é o grau da melhor visão ótica e não simplesmente um ano. Otimista por natureza, diria que o Grande ABC de 2020 será melhor que hoje, mas 10 anos é um prazo muito curto para que melhorias aconteçam sem planejamento e visão compartilhada entre os principais atores da região.


Tivemos mudanças de governo em duas das maiores cidades do Grande ABC, Santo André e São Bernardo, sem esquecer que Mauá voltou para o PT com inúmeros problemas de caixa. Se a região não tiver dinheiro dos governos federal e estadual, não vejo perspectiva de melhora. Ao contrario, a situação deve se agravar com aumento populacional e queda de renda.


Da forma como os orçamentos das administrações municipais são engessados, resta muito pouco para investimentos de grandes proporções. Uma porcentagem grande é para folha de pagamento dos funcionários, outra fatia para Educação e mais uma para Saúde. O que resta para investimentos é muito pouco ou quase nada. Aí começa o uso de recursos orçamentários de autarquias para financiar obras urbanas não originadas ou controladas no orçamento.


Com eleições no próximo ano, o que será da nova composição federal e estadual? Qual a nova força política de deputados federais e estaduais que pode interferir para que os olhos do governo federal e do estadual estejam voltados para o Grande ABC? Lembro que quando as cinco prefeituras eram do PT, o Grande ABC não existia para o governo federal de Fernando Henrique Cardoso. Tudo que se pleiteava era negado. Lembro que nenhuma emenda ao orçamento levada pelos deputados foi incluída. Nem mesmo no Estado, também opositor do PT.


De otimista, passei à realista. Sem reforma política e tributária certamente estaremos em situação igual ou pior do que hoje. E como em 10 anos isso provavelmente não irá acontecer, a não ser que sejamos mais seletivos ao escolher nossos representantes, a situação não deve mudar. Com escândalos após escândalos, continuamos como simples espectadores. A situação está preta. Só um novo Messias irá resolver.


Estou respondendo a essas perguntas depois de assistir a uma palestra sobre reforma tributária e suas consequências de centralização. O papel dos municípios continuará ir com pires na mão pedir dinheiro para o governo federal.


Como estou voltando a participar mais ativamente das entidades representativas de classe, vou ser mais uma das vozes que querem ver um País melhor para nossos filhos e netos. Estava afastado e desgostoso com os acontecimentos. A vantagem dessa hora é que se conhece os verdadeiros amigos. Ficar parado não é mais possível. Devemos lutar com idéias e palavras para alterar essa situação. Cabe a nós cidadãos o papel de lutar pelos direitos, sem esquecer as obrigações.


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